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Família recusa transladação de Zeca Afonso para o Panteão

Família recusa transladação de Zeca Afonso para o Panteão

Foto: Lusa
Portugal 2 min. 23.08.2018

Família recusa transladação de Zeca Afonso para o Panteão

Viúva do compositor e cantor de intervenção afirmou-se surpreendida com a proposta apresentada pela Sociedade Portuguesa de Autores, mas a rejeição foi divulgada através de comunicado.

A proposta da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), no sentido de os restos mortais de Zeca Afonso serem transladados para o Panteão Nacional, foi rejeitada em comunicado pela família, depois de a viúva, Zélia Afonso, ter manifestado surpresa face ao que era proposto. A 23 de fevereiro de 1987, o Diário de Lisboa noticiava a morte do compositor e cantor de intervenção e lembrava uma das suas últimas vontades relativas ao funeral: que a urna fosse coberta por bandeira vermelha sem insígnias e que não fosse feito luto. 

“José Afonso rejeitou em vida as condecorações oficiais que lhe haviam sido propostas. Foi, a seu pedido, enterrado em campa rasa e sem cerimónias oficiais, em total coerência com a sua vida e pensamento. Por isso, apesar da meritória intenção que inspira a proposta, é a sua vontade que deve ser respeitada", lê-se no documento, primeiro divulgado pela TSF.

Além disso, os familiares destacam o que consideram fulcral: "A salvaguarda e fruição da obra de José Afonso e a defesa dos seus direitos de autor, contando para tal com o superior envolvimento do Estado Português e da SPA, nomeadamente para que se garanta a recuperação e preservação das gravações originais".

Zeca Afonso foi agraciado com a medalha de ouro da cidade de Coimbra em maio de 1983, mas, depois da cerimónia, afirmou: "Não quero converter-me numa instituição, embora me sinta muito comovido e grato com a homenagem". Ainda em 1983, o Presidente da República, Ramalho Eanes, quis entregar-lhe a Ordem da Liberdade, mas Zeca rejeitou o preenchimento do formulário para o processo. Onze anos depois, já a título póstumo, outra tentativa de atribuir a Ordem da Liberdade por parte da Presidência da República, então a cargo de Mário Soares, foi recusada por Zélia Afonso com argumentos semelhantes aos agora manifestados.

No comunicado em que apresentara a proposta, a SPA considerava Zeca Afonso como “uma das figuras mais marcantes da história da vida cultural e artística portuguesa” e manifestava-se preparada para "lutar por este legítimo e inadiável ato de consagração que deverá coincidir com os 90 anos do nascimento" de Zeca "e com os 45 anos do 25 de Abril".

“Zeca Afonso é um símbolo que nunca poderá ser esquecido ou ignorado, embora nunca se tenha batido por atos de consagração e de reconhecimento. Devem ser hoje as novas gerações a aplaudir e a louvar a obra do homem que deixou uma marca perene e profunda na vida cultural e cívica de Portugal. É este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania", argumenta o comunicado da SPA, entidade presidida por José Jorge Letria, que também foi cantor de intervenção, além de poeta, jornalista e político. 

Zeca Afonso faleceu a 23 de fevereiro de 1987, tendo o seu corpo sido sepultado em campa rasa no cemitério de Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal.

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