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Falta uma vacina, contra a corrupção
Opinião Portugal 2 min. 03.05.2021

Falta uma vacina, contra a corrupção

Falta uma vacina, contra a corrupção

Foto: LUSA
Opinião Portugal 2 min. 03.05.2021

Falta uma vacina, contra a corrupção

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O Grupo Parlamentar do PS (…) votou contra essas intenções de João Cravinho, com as mais variadas e insanas desculpas.

João Cravinho falou num programa de televisão, para dizer que José Sócrates era avesso a campanhas legislativas de combate à corrupção. O antigo Primeiro-Ministro, quando estava investido daquelas funções, nem queria ouvir falar do assunto.

Cravinho é tido com um homem impoluto, que desenvolveu esforços, para vincular o Partido Socialista a um conjunto de medidas severas de combate à corrupção. Fê-lo quando era deputado, dando assim maior utilidade à função.

Mas - toda agente se lembra disso - o Grupo Parlamentar do PS, numa reunião em que participou também José Sócrates, votou contra essas intenções de João Cravinho, com as mais variadas e insanas desculpas. Alguns chegaram a dizer que a opinião pública já desconfiava da classe política e, depois de uma acção daquelas, passaria a desconfiar muito mais. E, afinal, os políticos não são todos corruptos, diziam.

Claro que não são. Mas os políticos sérios e honestos, com este tipo de desculpas, acabam sempre por, involuntariamente, ajudar a encobrir aqueles que se servem de tudo, sobretudo dos dinheiros e bens públicos, para criarem fortunas devassas. Depois de enriquecerem, confiam sempre na morosidade, inércia e incompetência da justiça, para reforçarem o sentimento de impunidade em que acreditam e com o qual vão vivendo.

Assim temos andado e, pior, com o flagelo a agravar-se constantemente. Os montantes de dinheiros envolvidos na corrupção são cada vez maiores, o número de corruptos também vai crescendo. Apesar disto, aparecem sempre entraves gigantescos a possibilidade de se legislar, contra esta desgraça nacional.

João Cravinho quis remar contra a maré e apresentou ao Grupo Parlamentar do PS um pacote de medidas anticorrupção que só serviu para levantar alguma poeira, na comunicação social. No plano estritamente político, as intenções de João Cravinho foram remetidas para o arquivo dos esquecidos, que é como quem diz, foram parar ao lixo.

Agora, quando se fala da aprovação de uma lei de combate ao enriquecimento ilícito, muita gente se lembrou da forma como o PS tratou João Cravinho.

Tentaram travar a iniciativa, com a mesma desculpa que usaram há anos. Conferir o ónus da prova aos investigados é inconstitucional, dizem os mesmos de sempre. Talvez seja. Mas perante essa hipótese, a solução é fácil: reveja-se a Constituição, em nome da hombridade, da honestidade, da moral e da ética.

Muitos não saberão. Mas nos Estados Unidos, a “fortuna rápida”, como o fenómeno é designado do lado de lá do Atlântico, é alvo de investigação, com o ónus a caber ao investigado e com o levantamento do segredo bancário. No país, capital do liberalismo.

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