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Este país não é para velhos"
Editorial Portugal 3 min. 24.06.2020

Este país não é para velhos"

Este país não é para velhos"

Foto: DR
Editorial Portugal 3 min. 24.06.2020

Este país não é para velhos"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
É em Portugal que estão muitos dos pais dos imigrantes portugueses que vivem no Luxemburgo. O Estado Providência tem que encontrar novas respostas para a geração mais velha que perde a sua autonomia.

Era uma senhora linda e altiva e foi a primeira empreendedora que conheci. Tinha feito 40 anos há pouco tempo, quando o meu avô morreu e deixou-lhe nas mãos umas termas para gerir. Nunca tinha trabalhado fora de casa, mas arregaçou as mangas e durante algumas dezenas de anos tomou conta do negócio da família. Um projeto que cresceu a olhos vistos, enquanto o geriu com pulso firme e sem hesitações. Duas décadas depois passou a tarefa para o meu tio mais novo

Aos oitenta anos, a Avó Zeca começou a ter cada vez mais problemas de saúde e em conselho de família os seus cinco filhos decidiram que teria que ir para um lar, porque já não conseguia viver sozinha. E não se encontrava ninguém para tomar conta dela e ela recusava-se a viver em casa dos filhos.

Assim foi. Nos primeiros tempos, as coisas até correram bem. Parecia que estava num hotel de cinco estrelas e mantinha a alegria no convívio com os restantes utentes do lar em Barcelos. Mas o bem-estar durou pouco tempo. Ao fim de dois anos começou a perder a vitalidade e o interesse por tudo. Depois, as suas condições de vida foram-se degradando até que morreu com 84 anos. Tenho a certeza que foi a sua entrada no lar que ditou que vivesse tão pouco tempo. As saudades da sua vida autónoma começaram a ser muitas e foi definhando a olhos vistos à medida que os meses foram passando. Por vezes, penso que a opção de a colocar num lar foi errada. 

Mas pensando bem, qual seria a alternativa? A verdade é que o Estado Providência de países como Portugal, tem poucas respostas para dar ao tempo que hoje sobra depois de terminarmos a nossa vida profissional ativa. A esperança média de vida está a aumentar e não há soluções para os milhares de idosos que começam a precisar de ajuda para fazer a sua vida. E quando chegar a vez do meu pai e da minha mãe começarem a ter dificuldades em viver sozinhos? O que farei? A sociedade portuguesa dificilmente me irá ajudar garantindo respostas que assegurem que vivam a sua vida com dignidade até ao fim. Um problema que todos vamos ter, mais cedo ou mais tarde.

A pandemia da covid-19 tornou este fenómeno cada vez mais visível. Quase metade das vítimas do coronavírus na Europa vivia em lares onde a epidemia se propagou facilmente. Na edição desta semana publicamos uma reportagem da Paula Santos Ferreira que nos mostra como se vive nos lares portugueses. Depressão e demência são algumas dos problemas mentais que afetam os utentes das chamadas "casas de repouso".

No início da pandemia, o Papa Francisco lançou um apelo para que se repense a forma como tratamos as pessoas mais velhas nas nossas sociedades. Novas respostas precisam-se!

O mundo do trabalho nunca mais vai ser o mesmo. De Londres publicamos relatos dos muitos portugueses que estão em teletrabalho. Uma nova forma de trabalhar que está a ser adotada por cada vez mais empresas em todo o mundo. Uma mudança que veio para ficar.

Na edição desta semana, damos a conhecer os três portugueses responsáveis pela manutenção da Abadia de Clervaux. Uma história do jornalista Álvaro Cruz a não perder. 

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