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"Este Governo não é para durar", dizem analistas políticos
Portugal 3 min. 28.10.2015 Do nosso arquivo online
Executivo PSD/CDS

"Este Governo não é para durar", dizem analistas políticos

Executivo PSD/CDS

"Este Governo não é para durar", dizem analistas políticos

AFP
Portugal 3 min. 28.10.2015 Do nosso arquivo online
Executivo PSD/CDS

"Este Governo não é para durar", dizem analistas políticos

A proposta de Governo apresentada terça-feira pela coligação PSD/CDS-PP não surpreende e reflecte a conjuntura e o provável chumbo no Parlamento, consideram vários analistas políticos ouvidos pela Lusa.

A proposta de Governo apresentada terça-feira pela coligação PSD/CDS-PP não surpreende e reflecte a conjuntura e o provável chumbo no Parlamento, consideram vários analistas políticos ouvidos pela Lusa.

Pedro Passos Coelho apresentou na terça-feira a proposta de composição do XX Governo Constitucional, com 15 ministros (mais três do que o anterior), oito dos quais novos.

A agência Lusa ouviu três especialistas em política, que coincidiram na opinião de que se trata de uma composição condicionada pela ameaça de moção de rejeição no Parlamento por parte de PS, BE, PCP e PEV, embora nem todos considerem que tal a fragiliza.

André Azevedo Alves, da Universidade de Aveiro, mestre em Ciência Política, afirmou que ainda que seja um Governo “moldado pela conjuntura” e que tenta ir ao encontro de pretensões do PS, tem também “nomes surpreendentemente fortes” entre “soluções de continuidade”.

“Sendo que as expectativas apontam para um Governo curto, os nomes podem ser significativos como um sinal para o futuro”, disse o politólogo, explicando que perante a possibilidade de haver eleições legislativas dentro de “meia dúzia de meses” a escolha do Governo, “tão credível como possível”, pode “ter uma leitura de médio e longo prazo”.

“Passos Coelho pode estar a sinalizar uma proposta para esse horizonte” e ao estar a apresentar um executivo “com alguma força e credibilidade” está também a “marcar prioridades”.

“ E pode ser também importante numa perspectiva de comparação com um Governo que o PS apresente”.

O especialista considera que também o PS terá dificuldades em formar um Governo credível e não acredita numa solução de Governo de gestão. E resume a análise assim: “Dentro das restrições significativas e óbvias foi uma opção inteligente. E também coloca alguma pressão sobre António Costa”.

Este Governo "não é uma opção inteligente"

Adelino Maltês, professor catedrático da Universidade de Lisboa, não vê uma opção inteligente, apenas “um Governo constitucional, normal dentro da anormalidade que é ter sido anunciada uma moção de rejeição”.

O certo é que se trata de “um Governo a prazo” que pode tornar-se de gestão durante meses, um Governo que tirou e “acrescentou peças que já estavam no armário”, que revela continuidade, que “não é de combate mas de resistência” e que não foi feito para agradar ao PS, defende.

Maltês tem muitas dúvidas sobre que tipo de Governo pode sair de um acordo entre o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda, mas sobre o hoje anunciado não: “é perfeitamente de interregno, é fingir que se faz alguma coisa com novos nomes”.

Manuel Villaverde Cabral, sociólogo, da Universidade de Lisboa, não pensa diferente. Disse que é um Governo que não é para durar, que é inútil, e não o que a coligação PSD/CDS-PP faria se fosse para durar.

“São apenas nomes para queimar. E ver como o Presidente da República vai lidar com a situação se o Governo for rejeitado”, referiu à Lusa.

E nem sequer vê nas opções de Passos Coelho qualquer aproximação ao PS. Se a criação de um Ministério da Cultura for uma concessão ao PS e ao Bloco de Esquerda “não os vai convencer de certeza”, até porque “o PS está ansioso” por governar e se não o deixarem “irá ficar muito chateado”.

Villaverde, como Maltês, não crê que neste momento o problema sejam os ministros, sendo sim a conjuntura política. “A equação de Passos é difícil, a equação de Costa não o será menos”, disse André Alves.


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