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Estão todos covid…ados!
Opinião Portugal 3 min. 08.02.2021

Estão todos covid…ados!

Estão todos covid…ados!

Foto: Lusa
Opinião Portugal 3 min. 08.02.2021

Estão todos covid…ados!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Tudo parece correr mal, em Portugal. O Governo está a enfrentar uma crise que só não é maior, porque a oposição também atravessa dias difíceis.

No centro de tudo, continua a maldita pandemia que, nas últimas semanas, matou muito mais de 200 portugueses, por dia. Os esforços do Governo parecem insuficientes para travar esta escalada. E a oposição que, por vezes, parece adoptar uma atitude colaborante, também não consegue apresentar alternativas às deficientes soluções da equipa de António Costa.

Nos últimos dias, depois de muitos elogios do Governo ao coordenador da task force que liderava o processo de vacinação, eis que Francisco Ramos se demitiu, para surpresa do país. As razões que ele evocou para a sua decisão de abandono não são completamente perceptíveis. Ele diz que detectou irregularidades no processo de vacinação, no Hospital da Cruz Vermelha, de que ele próprio é administrador. Isto é, demitiu-se em função de um único caso de irregularidades, quando no país inteiro já tinham sido detectados mais de 340.

Difícil de entender, porque ele devia ter demitido os responsáveis por essa irregularidade, dando com isso o exemplo ao Ministério da Saúde para que exonerasse todos os 340 responsáveis, pelos outros casos de prevaricação.

Governo e oposição falaram do assunto, sem dizerem grande coisa. Primeiro, foi a oposição que, através de Rui Rio propôs a aprovação de uma lei que sancionasse severamente os prevaricadores. Mas Rio esqueceu-se que as leis não podem ter efeitos retroactivos, logo, quem já cometeu o crime não pode ser agora punido por isso. Essa lei, a existir, só provocaria efeitos sobre actos praticados depois da sua promulgação.

Abençoado seja Portugal, um autêntico império da impunidade, onde o crime ainda compensa.

Mas o Governo respondeu a este desafio de Rui Rio, pela voz de António Costa. O Primeiro-Ministro contrapôs que as leis existentes são suficientes para sancionar os abusadores, com penas que podem chegar aos cinco anos de prisão.

A controvérsia não podia dispensar os comentadores. Alguns, mais críticos do Governo, consideram este "roubo" de vacinas como um crime gravíssimo, só possível pelo laxismo do executivo de António Costa. Os outros, mais afectos ao Governo, dizem que se está a exagerar um assunto que não tem a gravidade que os outros pretendem atribuir-lhe. Afinal, um desvio de 340 vacinas, num universo de 20 milhões (se todos os portugueses fossem vacinados com dose dupla), não é nada de especial.

Mas em Portugal, violar a lei tem os seus proveitos. Ora vejam: todos aqueles que tomaram a primeira dose da vacina indevidamente, já têm garantida a segunda dose, que lhes será administrada 21 ou 28 dias após a primeira. E admite-se que assim seja, para evitar desperdícios.

Abençoado seja Portugal, um autêntico império da impunidade, onde o crime ainda compensa. Os dias foram passando e, até hoje, nada aconteceu aqueles que, abusivamente, se apoderaram dum bem público, para obterem vantagens pessoais sobre os mais necessitados. E, provavelmente não vai acontecer, apesar da voz grossa com que António Costa tem prometido as mais severas sanções.

Tudo isto tem ajudado a agudizar a crise que poderá ser letal, para o Governo. Até agora, o executivo nem precisou de ir para os cuidados intensivos, porque a oposição, como aqui disse na semana passada, tem os seus próprios problemas para resolver. Se o Governo está mal, a oposição não está melhor.

Com esta combinação de incompetências, consegue-se uma paz podre que vai disfarçando a crise.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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