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Espanha investiga caso de corrupção que pode envolver António Vitorino
Portugal 3 min. 05.02.2020

Espanha investiga caso de corrupção que pode envolver António Vitorino

Espanha investiga caso de corrupção que pode envolver António Vitorino

Foto: AFP
Portugal 3 min. 05.02.2020

Espanha investiga caso de corrupção que pode envolver António Vitorino

Uma investigação por corrupção ao ex-embaixador de Espanha na Venezuela, Raul Morodo, suspeito de lavagem de capitais relacionados com a empresa pública Petróleos da Venezuela poderia envolver o antigo dirigente do PS, António Vitorino.

A polícia espanhola deteve em maio passado quatro pessoas no quadro de uma investigação ao ex-embaixador da Espanha na Venezuela Raul Morodo, suspeito de lavagem de capitais relacionados com a empresa estatal Petróleos da Venezuela. Como a Lusa noticiou na altura, um dos detidos pelo departamento de luta contra a criminalidade económica e fiscal (UDEF) foi Alejo Morodo, filho do ex-embaixador.

A investigação tinha sido iniciada a partir de uma denúncia do gabinete do procurador-geral contra a corrupção que quantificou em 4,5 milhões de euros o dinheiro cobrado de forma irregular à petrolífera venezuelana por Raul Morodo.

Agora a publicação digital espanhola OK Diário publicou uma notícia no último domingo a revelar que o ex-embaixador espanhol na Venezuela e o filho "fizeram vários pagamentos no total de 325.200 euros a um político socialista e ex-ministro da Defesa português, António Vitorino, depois de receberem 4,4 milhões de euros da companhia petrolífera estatal PDVSA", que na época era controlada pelo governo de Hugo Chávez.

O agora diretor-geral da Organização Internacional para as Migrações (OIM), António Vitorino, reiterou, após contacto da agência Lusa na segunda-feira, o teor da declaração que fez em janeiro, quando refutou "veementemente as insinuações" que o envolvem neste caso.

Nos relatórios ao juiz Santiago Pedraz da Audiência Nacional, a UDEF "indica que estes pagamentos poderiam ter sido realizados pelo facto de tanto os Morodos como o socialista Vitorino terem mediado a conclusão de um negócio, pelo qual a empresa portuguesa Galp se comprometia a construir quatro parques eólicos na Venezuela e a comprar petróleo bruto da petroleira PDVSA".

Fonte da Audiência Nacional, tribunal que trata, entre outros, dos delitos mais graves de corrupção contra o Estado espanhol, disse na segunda-feira à Lusa que o caso ainda está na fase inicial de inquérito/instrução, não podendo ser prestadas informações sobre o andamento das várias diligências em curso.

Em 21 de janeiro, em resposta a uma notícia do jornal El Mundo sobre o mesmo caso, António Vitorino afirmou que "em momento algum" recebeu das autoridades espanholas qualquer indicação sobre uma investigação que envolvesse uma empresa de consultadoria de que foi sócio-gerente "e que se encontra suspensa e sem qualquer atividade desde 2018".

O socialista explicou, numa declaração divulgada pela OIM, que a empresa em causa "prestou serviços de consultadoria ao escritório de advogados espanhol referido naquela notícia exclusivamente sobre matérias relacionadas com a União Europeia e as relações bilaterais entre Portugal e Espanha".

"Em momento algum esses serviços de consultadoria tiveram qualquer relação com a Venezuela" e "refuto veementemente as insinuações que têm vindo a ser feitas a este respeito", sublinhou Vitorino.

Caso também envolve filha de Dias Loureiro

A filha mais velha do antigo ministro do PSD, Dias Loureiro, Catarina Dias Loureiro, chegou a ser detida em maio de 2019, em Madrid, por suspeitas de branqueamento de capitais, delitos fiscais e falsificação de documentos. Em causa estava uma investigação que envolve o marido Alejo Morodo, o sogro Raúl Morodo, ex-político e antigo embaixador de Espanha em Caracas (2004-2007), uma empresa venezuelana e a dita fraude de 4,5 milhões de euros.

À data destes factos, o juiz titular da instrução as medidas de coação aplicadas aos seis suspeitos. Todos ficaram em liberdade, mas Raúl Morodo, o filho Alejo Morodo, bem como o sócio venezuelano Carlos Prada, ficaram proibidos de sair de Espanha e obrigados a apresentações periódicas uma vez por semana.

A mesma medida de coação foi, à data, aplicada a Catarina Dias Loureiro, esposa de Alejo, e à mulher de Carlos Prada, que deviam apresentar-se às autoridades de 15 em 15 dias. Confrontada com estas suspeitas, a filha de Dias Loureiro enviou um comunicado à TVI24, em maio do ano passado, no qual garantia que não só não foi chamada a "prestar declarações em qualquer investigação policial", como não foi detida em momento algum.

Com Lusa

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