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Empresários: Portugal é dos países onde há mais corrupção na UE
Portugal 6 min. 16.12.2019 Do nosso arquivo online

Empresários: Portugal é dos países onde há mais corrupção na UE

Empresários: Portugal é dos países onde há mais corrupção na UE

Photo: Shutterstock
Portugal 6 min. 16.12.2019 Do nosso arquivo online

Empresários: Portugal é dos países onde há mais corrupção na UE

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Uma sondagem do Eurobarómetro às empresas revela que os portugueses estão em 3º lugar com mais queixas sobre corrupção no país. O Luxemburgo é dos países menos corruptos.

Nove em cada 10 empresários em Portugal (92%) considera que a corrupção está generalizada pelo país. É o terceiro país da União Europeia onde esta perceção é mais forte, só ultrapassada pela Roménia (97%) e pela Grécia (95%), revela um inquérito do Eurobarómetro sobre a atitude das empresas relativamente à corrupção.

Já o Luxemburgo (26%) encontra-se no extremo oposto. É o segundo país da UE onde os empresários consideram haver menos corrupção, a seguir à Dinamarca (16%).

Práticas na administração pública

As práticas desleais e ilegais para a obtenção de ganhos estão bem presentes na sociedade portuguesa, no setor público e a nível dos poderes locais, regionais e nacionais. Esta é a conclusão revelada pelas respostas dos empresários portugueses neste inquérito da Comissão Europeia. A corrupção em Portugal é um problema sério, mas que ainda não é punido como deveria ser, vincam. 

Uma realidade completamente oposta é a vivida pelos empresários no Grão-Ducado, onde a corrupção existe sim, mas não é tão vincada, está longe dos poderes instituídos e onde os tribunais aplicam penas corretas aos corruptos. É isso que mostram os resultados dos inquiridos do Luxemburgo.

Negócios e Política

Os portugueses (93%) são os mais convencidos de que as ligações estreitas entre negócios e a política conduzem à corrupção. Mais uma vez, os do Grão-Ducado (39%) são os que menos acreditam nessa relação, entre todos os da União Europeia.

Contudo, tanto portugueses como residentes no Grão-Ducado defendem que as práticas ilegais disseminadas nos países dificultam os seus negócios, com 53% dos residentes em Portugal a reclamarem tal prejuízo, contra 41% dos do Luxemburgo.

Apesar de discreta este valor mostra que a corrupção existe no Grão-Ducado, segundo os 150 inquiridos com responsabilidades em empresas no país.

Este inquérito demonstra bem que para os empresários portugueses na trama da corrupção, a aproximação à política é um meio importante para se obter ganhos nas empresas. Para quem tem empresas no Grão-Ducado a influência da política é completamente desvalorizada.

A única forma de se ter sucesso nos negócios em Portugal é ter ligações políticas, defendem 65% dos empresários inquiridos, com cargos de responsabilidades em 300 empresas portuguesas. Uma premissa considerada por 34% dos empresários do Grão-Ducado, colocando o país a meio da tabela, em 18º lugar.

 Quais as formas mais comuns de corrupção?

Aqui, Portugal e Luxemburgo andam de mãos dadas. O favorecimento de amigos e familiares no setor privado (47%) e no público (37%) é a prática mais comum no Luxemburgo, e em Portugal. 

Só que segundo os empresários portugueses o favorecimento no público em Portugal é maior (59%) do que no privado (55%).

Aliás, as ‘cunhas’ a amigos e familiares em serviços do estado português obtiveram a taxa mais elevada pelos empresários portugueses entre o total dos países da União Europeia.

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Subornos e financiamentos

A terceira prática mais generalizada no Grão-Ducado é a oferta de presentes em troca de favores (24%), seguida da fuga aos impostos (22%), comissões (21%), subornos (16%) e financiamento de partidos políticos a troco de contratos públicos ou influências (12%).

A prática do suborno no Luxemburgo teve o segundo maior crescimento entre todos os estados membros, ficando só atrás da Letónia.

Já em Portugal, a terceira forma de corrupção mais comum é o financiamento de partidos políticos e os subornos (ambos com 34%), seguida da oferta de presentes (31%) da fuga aos impostos (28%) e das comissões (25%).

Portugal é também o segundo país com mais de três práticas de corrupção generalizadas e ativas, com 80%, a seguir ao Chipre (82%), e à frente da França (76%).

O Luxemburgo está mais uma vez no final da tabela, com 40%, abaixo dele só Eslováquia (38%), a Dinamarca (34%) e a Estónia (33%).

 Favorecimentos

Portugal volta a ser o país onde entre o total dos 300 inquiridos com responsabilidades em empresas portuguesas, 92%  defendeu que o favorecimento e a corrupção ativa dificultam a competição empresarial. Uma percentagem que diminuiu para 44% entre os empresários do Grão-Ducado, sendo o quarto país da UE onde estas práticas menos constrangem o tecido empresarial.

A Suécia (31%), é o país onde os empresários menos sentem essa pressão.

A construção, saúde e farmacêuticas são as áreas onde os europeus consideram que a corrupção dificulta os negócios.

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Ajudas públicas

Portugal apresenta-se também em sexto lugar (32%) na questão dos subornos e conhecimentos serem a forma mais fácil para se obter ajudas públicas. Os empresários do Grão-Ducado (30%) não sentem necessidade disso, situando-se em penúltimo lugar.

Em primeiro lugar está o Chipre (55%) e em último a Dinamarca (4%).

Curiosamente, à pergunta se nos últimos três anos a corrupção impediu a sua empresa de ganhar um contrato público ou serviço do estado, o Luxemburgo ultrapassa Portugal na resposta afirmativa. 27% dos empresários residentes no Grão-Ducado disseram que sim, contra 25% dos portugueses.

 Práticas ilegais a nível central

Segundo os empresários portugueses as administrações centrais, regionais e locais portuguesas possuem o problema mais sério de corrupção entre os países da União Europeia, sendo a sua taxa a mais elevada de todas, 79%. 

Por seu turno, os empresários do Grão-Ducado são os que mais confiam no funcionamento sério dos seus poderes municipais, comunais e nacionais, apresentado a taxa menor, 22%, da Europa, só vencida pela Dinamarca (16%).

O Luxemburgo (53%) é, por seu turno, o país que mais acredita na transparência do financiamento dos partidos políticos, juntamente com a Suécia, Portugal é o que menos acredita (14%). Menos do que ele, só a vizinha Espanha (11%).

 Luxemburgo pune criminosos

Tal como confiam no seu poder político, os empresários do Luxemburgo também confiam no sistema judicial para punir os casos de corrupção no país.

Este é o terceiro país, com 63%, onde os autores de crimes ligados a estas práticas são detidos e acusados em maior número, acabando por responder em tribunal, segundo as respostas dos empresários. A Polónia (75%) é o primeiro e a Dinamarca (71%), o segundo. Portugal (45%) surge em 19º lugar da lista, com a Eslováquia (22%) em último.

E no tribunal eles são corretamente punidos, consideram 59% dos empresários do Grão-Ducado. É o segundo país onde as penas aplicadas estão em conformidade com os crimes e não abaixo do que deviam, como considera Portugal (25%), que surge a quatro lugares do fim da tabela. Nesta questão, a Áustria (61%) surge com a maior taxa e Espanha (15%) com a menor.


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