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Empregada de limpeza que se tornou milionária acusa ex-marido de lhe extorquir 13 milhões

Empregada de limpeza que se tornou milionária acusa ex-marido de lhe extorquir 13 milhões

Portugal 2 min. 17.01.2019

Empregada de limpeza que se tornou milionária acusa ex-marido de lhe extorquir 13 milhões

Nem sempre o dinheiro traz felicidade. A euromilionária Amélia de Jesus disse hoje, em tribunal, que foi pressionada pelo ex-marido, com ameaças e agressões, para lhe transferir 13 milhões de euros. A antiga empregada de limpeza reclama que lhe sejam devolvidos.

Amélia de Jesus, empregada de limpeza, enriqueceu graças ao Euromilhões: ganhou o primeiro prémio em março de 2013. Contas feitas, após impostos, recebeu 41 milhões de euros. Mas está longe de ter tranquilidade. A antiga empregada de limpeza foi hoje ouvida no Tribunal da Póvoa de Varzim, na primeira sessão do julgamento, num processo em que exige a devolução de 13 milhões de euros e também de um prédio e o seu recheio, no valor de cerca de 600 mil euros.

Na audiência inaugural, Amélia de Jesus garantiu que foi ela quem, em 8 de março de 2013, registou o boletim da aposta, no valor de dois euros, numa agência na Póvoa de Varzim, e que só no dia seguinte soube que tinha ganho o primeiro prémio.

A requerente do processo garantiu que Abílio Ribeiro, na altura seu namorado, sempre afirmou que era ela vencedora do sorteio, mas que acabou por ser o homem a telefonar para os serviços da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a reclamar o prémio, dando o seu nome.

Amélia de Jesus disse, ainda, que nos dias seguintes guardou o talão da aposta na sua roupa interior, acabando, depois, por o depositar num cofre de um banco, para onde foi acompanhada pelos filhos, o irmão e Abílio Ribeiro.

A euromilionária afirmou que, nessa altura, foi aconselhada por um advogado a casar-se com Abílio Ribeiro, por motivos fiscais, reconhecendo que o dinheiro do prémio foi, depois, depositado numa conta conjunta com o marido, e, posteriormente, transferido para uma outra conta onde disse ser a única titular.

A queixosa reiterou que Abílio Ribeiro sempre reconheceu que o dinheiro era dela, mas que este tinha acesso a um cartão de débito para poder fazer levantamentos da conta, apesar de apenas ela ter acesso a movimentações superiores e utilizar cheques.

Nos meses seguintes, Amélia de Jesus afirmou que gastou, com o marido, parte do dinheiro em viagens, automóveis, compra de imóveis, e também distribuiu algumas verbas pelos filhos, irmão, sobrinhos e outras pessoas.

A relação com Abílio Ribeiro, entretanto, deteriorou-se, tendo o casal, em janeiro de 2014, avançado para uma separação judicial de pessoas e bens, estando, nessa altura, o património avaliado em mais de 34 milhões de euros. Foi nos meses seguintes que Amélia de Jesus disse ter sido alvo de ameaças e agressões do marido, acabando por lhe transferir 13 milhões de euros, em duas tranches de dez e três milhões.

Em novembro de 2014, o casal viria a divorciar-se, tendo a euromilionária reconhecido que ainda entregou a Abílio Ribeiro mais três milhões de euros em dinheiro.

A antiga empregada de limpeza, natural de Marco de Canavezes, defende, agora, que todas as doações que fez ao ex-marido antes do divórcio têm de ser anuladas, uma vez que eram casados em regime de separação total de bens, pretendendo a devolução dos 13 milhões e do imóvel.

O julgamento vai continuar, no Tribunal da Póvoa de Varzim, a 24 de janeiro, onde serão ouvidos como testemunhas os filhos da euromilionária.



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