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Empobrecer a trabalhar é realidade para muitos em Portugal
Portugal 12.04.2021

Empobrecer a trabalhar é realidade para muitos em Portugal

Empobrecer a trabalhar é realidade para muitos em Portugal

Foto: AFP
Portugal 12.04.2021

Empobrecer a trabalhar é realidade para muitos em Portugal

Quase 60% dos pobres com mais de 18 anos em Portugal trabalham, de acordo com um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Em Portugal, trabalhar pode não chegar para retirar pessoas da pobreza. Esta é a conclusão do estudo "A Pobreza em Portugal - Trajetos e Quotidianos", coordenado pelo sociólogo Fernando Diogo, da Universidade dos Açores e investigador no CICS.NOVA - Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, para a Fundação Francisco Manuel dos Santos apresentado esta segunda-feira.

São quase 60% os adultos pobres em Portugal que trabalham. Em situação de vínculo laboral precário estão 26,6% e os trabalhadores com contrato chegam a ser quase um terço das pessoas em situação de pobreza.

Ao Jornal de Notícias, o especialista em temáticas da pobreza revelou que para si o mais surpreendente é o facto de "a maior parte ter contrato efetivo há muitos anos: 10, 20 ou mais". Entre as razões que levam a esta realidade, explicou que por vezes se trata de famílias numerosas, com filhos, por vezes adultos e desempregados. A perpetuação do modelo de baixa produtividade, de baixas qualificações e de baixos salários também complicam o contexto social.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) analisados pelo estudo, um quinto da população portuguesa vivia em situação de pobreza entre 2003 e 2018. Nesse ano, a taxa de pobreza era de 17,2% (1,7 milhões de pessoas), já após apoios sociais (exceto pensões).

A análise aos perfis dos empregados mostra que representam 32,9% dos pobres e 10,8% do total da população com trabalho. Seguem-se os reformados (27,5%), ou seja, 17% dos pensionistas são pobres; o dos precários (26,6% do total na pobreza); e o dos desempregados (13%). Quase metade destes é pobre.

O estudo aponta ainda para três fatores que mais contribuem para a entrada na situação de pobreza: o divórcio, o desemprego e a doença.

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