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Emigrantes do Minho burlados em milhões de euros
Portugal 4 min. 07.06.2019

Emigrantes do Minho burlados em milhões de euros

Foto: Lusa

Emigrantes do Minho burlados em milhões de euros

Foto: Lusa
Portugal 4 min. 07.06.2019

Emigrantes do Minho burlados em milhões de euros

Quatro promotores bancários agora detidos são suspeitos de terem burlado oito vítimas, a maioria emigrantes, num prejuízo total de 1,6 milhões de euros, no distrito de Viana do Castelo. Mas o número de pessoas lesadas poderá “chegar aos 80”, e o montante da burla muito superior, alerta ao Contacto, o coordenador da Polícia Judiciária de Braga, António Gomes.

Entre os quatro detidos que desde ontem, dia 6, estão a ser ouvidos pelo juiz de instrução criminal de Viana do Castelo, encontram-se o presidente da Associação Empresarial de Ponte de Lima, António Lima, e o presidente da Junta de Freguesia de Ribeira, de Ponte de Lima, Ricardo Pimenta (CDS/PP), noticia o Diário de Notícias (DN).

Os arguidos estão indiciados por burlas qualificadas, associação criminosa, falsificação de documentos e abuso de confiança.

O esquema era simples: os suspeitos como promotores bancários aliciavam as vítimas, a maioria emigrantes idosos, a colocaram o seu dinheiro e poupanças em “depósitos a prazo” no Deutsche Bank, a troco de “juros muito mais elevados” do que ofereciam as outras instituições bancárias.

Os lesados “iam no engodo” e entregavam então “cheques” e “até dinheiro vivo” diretamente aos suspeitos, alguns tendo-lhes confiado mesmo “as poupanças de toda a vida”, conta ao Contacto, o coordenador da Polícia Judiciária de Braga, António Gomes.

Estas pessoas lesadas começaram a apresentar queixa na Polícia Judiciária e no tribunal em 2018, depois do Deutsche Bank ter rescindido contrato com estes promotores bancários, por terem encerrado as suas dependências em Viana do Castelo e Ponte de Lima, avança o DN.

“As pessoas começaram a ir ao banco para informar-se sobre os seus depósitos e investimentos e foi então que descobriram que não tinham nenhuma conta bancária ou aplicações em seu nome”, conta António Gomes. “Não havia nada em nome dos ofendidos”, vinca este coordenador. Os arguidos ficaram com todo o dinheiro.

Foi então que a secção de investigação criminal da PJ de Braga iniciou uma investigação que durou oito meses e culminou com a detenção dos quatro promotores bancários, que foram presentes a um juiz de instrução do tribunal de Viana do Castelo e vão aguardar o julgamento em liberdade, tendo pago uma caução de 5 mil euros cada um. 

Remeteram-se ao silêncio 

Em declarações à agência Lusa, Gonçalo Morais da Fonte, advogado de um dos arguidos, adiantou esta sexta-feira que o juiz de instrução do tribunal de Viana do Castelo aplicou ainda aos "os promotores bancários a proibição de contacto entre si e de exercício da atividade bancária".

Os quatro arguidos começaram a ser presentes a um juiz na quinta-feira à tarde. As medidas de coação foram conhecidas ao início da tarde de sexta-feira.

Fonte judicial adiantou à Lusa que, dos quatro arguidos, "apenas um prestou declarações ao juiz, sendo que a meio do interrogatório decidiu remeter-se ao silêncio".

Aquela fonte acrescentou que, "na quinta-feira, na sequência da detenção dos quatro homens”, pela Polícia Judiciária (PJ) de Braga, "foram apresentadas algumas dezenas de queixas de clientes lesados".

Número de lesados deve aumentar

Este coordenador da PJ de Braga refere que as burlas deverão ter começado há 10 anos, conforme apurou a investigação e a área de atuação foi na zona do distrito de Viana do Castelo. Contudo, António Gomes recusou-se a confirmar se entre os arguidos estão como anuncia o DN o presidente da junta de freguesia da Ribeira e o presidente da Associação empresarial de Ponte de Lima.

Para já estão identificados estes oito lesados, mas António Gomes acredita que o número de pessoas burladas deve ser chegar às” 80 vítimas”, e que o montante do prejuízo é bastante superior ao identificado para já.

Nas 13 buscas realizadas pela PJ de Braga, no âmbito desta investigação, foi apreendida muita prova documental e digital que está a ser analisada, além de seis viaturas de gama alta e dinheiro.

A PJ continua agora a investigar a existência de outras pessoas lesadas, em quanto foram lesadas e o que os suspeitos fizeram ao dinheiro das vítimas, concluiu António Gomes.

Conselhos aos emigrantes do Luxemburgo

O coordenador da PJ de Braga, António Gomes quis deixar alguns conselhos aos portugueses residentes no Luxemburgo e a outros emigrantes em relação aos seus investimentos bancários.

“As pessoas que pretendam fazer investimentos bancários dirijam-se diretamente às instituições bancárias. Não entreguem cheques nem dinheiro a ninguém”, alerta este coordenador da PJ. E mesmo junto da instituição, António Gomes realça que as pessoas devem ter toda a atenção em relação às aplicações que decidem escolher, sobretudo as que envolvam investimentos de alto risco. “Devem ler cuidadosamente toda a informação referente a estes investimentos, levem-na para casa, e se não perceberem informem-se junto de quem perceba”, frisa este representante da polícia.

 Paula Santos Ferreira com Lusa

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