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Em Portugal há professores e alunos, mas faltam as aulas!
Opinião Portugal 2 min. 23.01.2023
Greve dos professores

Em Portugal há professores e alunos, mas faltam as aulas!

Opinião Portugal 2 min. 23.01.2023
Greve dos professores

Em Portugal há professores e alunos, mas faltam as aulas!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Os professores respondem a tudo isto, com greves sobre greves que acabam por paralisar milhares de escolas.

O sector do ensino cresceu muito ao longo dos últimos 48 anos, mas sem meios financeiros que o suportassem. Por isso, as greves dos professores sucedem-se, num ciclo repetitivo e infernal que ninguém consegue travar.

Depois do 25 de Abril, toda a gente percebeu que o ensino obrigatório tinha de ir além da inepta 4ª classe. Nenhum país da Europa se contentava com tamanha modéstia. Assim, a obrigatoriedade da escolaridade foi-se estendendo, faseadamente, até ao actual 12º ano. Isto exigiu um hercúleo esforço do Estado que se tem provado ser ainda insuficiente. Foi preciso criar mais infra-estruturas, isto é, construir mais escolas, equipá-las com as exigências dos novos tempos, formar e contratar mais professores.

(...) a falta de planeamento financeiro conduziu o sector do ensino ao estrangulamento em que hoje se encontra.

Nunca alguém pensou quanto dinheiro é que tudo isto custaria num futuro imediato. E essa falta de planeamento financeiro conduziu o sector do ensino ao estrangulamento em que hoje se encontra.

Ao longo destes 48 anos, muitas reivindicações pecuniárias dos professores foram abafadas com regalias de outro tipo, como progressões de carreira impossíveis de satisfazer, ou reduções da carga lectiva. Chegou-se mesmo ao extremo inexplicável de existirem professores com horário zero.

Quanto mais anos se passam sem soluções, mais a situação se agrava. Há as questões salariais, há a efectivação, com fixação dos docentes. Há as progressões na carreira, congeladas há anos.

Os sucessivos governos, quer sejam liderados pelo PS ou pelo PSD, para usarmos uma linguagem bem popular, têm-se limitado a "empurrar com a barriga", conscientes de que o problema sobrará para o ministro seguinte, que o receberá em muito pior estado.

Os professores respondem a tudo isto com greves sobre greves que acabam por paralisar milhares de escolas, com prejuízos incalculáveis, para os alunos.

Os trabalhadores administrativos e os auxiliares, reiteradamente, juntam-se a estes protestos, porque a sua situação laboral também não é minimamente satisfatória. É com esta tempestade perfeita que as escolas encerram, para desespero das famílias.

Tudo isto tem contribuído para a crescente proletarização dos professores que, em boa verdade, se têm posto a jeito. É uma crise estrutural sistémica.

Como é que isto se resolve? Na minha opinião, não se resolve. A menos que fossem alocados ao sector do ensino parte das enormes verbas que andam, por exemplo, na TAP, a pagar indemnizações faraónicas a ex-administradores e outros quadros de direcção. E há mais empresas do sector público onde se podiam fazer algumas economias, com a redução de privilégios aos quadros dirigentes. Mas para isso, seria precisa vontade política que, obviamente, não existe.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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