Escolha as suas informações

Em Lisboa, refugiadas da II Guerra usavam saias curtas. E assim o Rossio ganhou a alcunha de "bonpernasse"
Portugal 2 min. 20.01.2020

Em Lisboa, refugiadas da II Guerra usavam saias curtas. E assim o Rossio ganhou a alcunha de "bonpernasse"

Em Lisboa, refugiadas da II Guerra usavam saias curtas. E assim o Rossio ganhou a alcunha de "bonpernasse"

Portugal 2 min. 20.01.2020

Em Lisboa, refugiadas da II Guerra usavam saias curtas. E assim o Rossio ganhou a alcunha de "bonpernasse"

Durante o período da II Guerra Mundial, muitos refugiados aguardavam nas cidades portuguesas o embarque num navio ou avião que os levaria ao exílio definitivo. “Os portugueses diziam que era o Montparnasse parisiense, mas ´bonpernasse´, devido às pernas que as refugiadas mostravam nas esplanadas”, conta a historiadora Irene Flunser Pimentel.

Mulheres estrangeiras que se refugiaram em Portugal do regime nazi trouxeram hábitos diferentes, como as saias mais curtas, levando os portugueses a apelidar a praça do Rossio, em Lisboa, onde se sentavam nas esplanadas, de "bonpernasse".

“Os portugueses diziam que era o Montparnasse parisiense, mas ´bonpernasse´, devido às pernas que as refugiadas mostravam nas esplanadas”, contou à agência Lusa a historiadora Irene Flunser Pimentel.

Durante o período da II Guerra Mundial, muitos refugiados aguardavam nas cidades portuguesas o embarque num navio ou avião que os levaria ao exílio definitivo, tornando “mais cosmopolita” o pacato ambiente de um pequeno país periférico, onde tudo chegava mais tarde.

“No início vinham com casacos de peles, muitos deles com automóveis, que depois acabaram por vender, e acabaram por contagiar um pouco as mentalidades dos portugueses e das próprias mulheres portuguesas”, referiu a historiadora ao recordar o ambiente vivido na época em Portugal.

“Muitas destas mulheres refugiadas sentavam-se nas esplanadas a fumar – assim como faziam nos seus países -, tinham saias muito mais curtas do que as portuguesas, não punham luvas, nem chapéu no verão, e eram uma espécie de espetáculo que era visto no Rossio, na Suíça,”, exemplificou, referindo-se a uma das mais carismáticas pastelarias de Lisboa.

Também pequenas cidades, como as Caldas da Rainha e a Figueira da Foz, onde havia hotéis e pensões, experimentavam um pouco daquele ambiente, já que muitos refugiados foram colocados em residência fixa nessa zona.

“Como não podiam trabalhar, a única coisa que esperavam era um visto dos países de destino e se não o tivessem ou ao navio, que passou também a ser difícil de arranjar - porque os EUA também entraram na guerra – estavam nas esplanadas. E, portanto, eram vistos pelos portugueses e eram considerados figuras muito mais ricas, cosmopolitas”, notou.

Muitos nomes consagrados passaram por Portugal nessa altura, por vezes clandestinamente e por pouco tempo, como foi o caso de Hannah Arendt, filósofa política alemã de origem judaica, considerada uma das mais influentes do século XX.

“Não é muito conhecido, mas esteve cá três meses a aguardar um navio”, atestou a historiadora.

Arendt chegou a Portugal com vistos obtidos em Marselha através de uma organização norte-americana de apoio a refugiados “em perigo especial”. Muitas situações eram de adversários políticos.

Por Lisboa passou igualmente Franz Werfel, poeta e dramaturgo da Áustria, com a mulher (Alma), também artista, muitos escritores alemães, como Heinrich Mann, irmão de Thomas Mann, e Golo Mann, filho do autor de “A Montanha Mágica”, e também a filha Erica Mann.

“Muitos outros, músicos, atores, personalidades muito importantes passaram por aqui durante a II Guerra, a pontos que os jornais portugueses, que não podiam falar de refugiados, só falavam de refugiados de guerra, não de perseguições anti-semitas ou políticas, acabaram por dizer que Portugal era a nova Hollywood”, relatou a historiadora, em entrevista à Lusa.

Lusa