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Eleições: Conflito entre partidos gera abstenção dos emigrantes
Portugal 2 min. 10.07.2019

Eleições: Conflito entre partidos gera abstenção dos emigrantes

Eleições: Conflito entre partidos gera abstenção dos emigrantes

Foto: Pierre Matgé
Portugal 2 min. 10.07.2019

Eleições: Conflito entre partidos gera abstenção dos emigrantes

O "impacto limitado do voto dos emigrantes nos resultados eleitorais finais" é para os autores do estudo uma das causas da tão fraca participação política.

Menos de um em cada 100 emigrantes, 0,96%, votou para as eleições europeias, de 26 de maio, noticiou o Expresso, dois dias depois, a 28. A abstenção foi de 99%, entre os portugueses residentes no estrangeiro. Num universo de 1.362.093 portugueses que vive além-fronteiras votaram apenas 13.723 eleitores (faltavam apurar três consulados).

Quais as causas de tão elevada abstenção?

Os principais problemas são a “falta de representatividade do sistema eleitoral” e “as limitações e incongruências colocadas” pelos partidos portugueses sobre a modalidade da votação, conclui um estudo do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-Nova) cuja temática da abstenção política dos emigrantes foi hoje divulgada pelo Jornal Público.

Problemas que dificultam a “plena inclusão e igualdade da representação política dos emigrantes” portugueses, cuja sua participação em eleições tem “diminuído de forma significativa nas últimas décadas”, refere este capítulo sobre o voto dos emigrantes.

Para os autores “os aspetos processuais e organizacionais das leis eleitorais são uma chave para determinar o sucesso do voto externo”.

A começar pela divergência entre partidos quanto ao modelo de votação no estrangeiro. Existe um “conflito entre os principais partidos políticos sobre os direitos de voto dos emigrantes”, no que respeita aos “métodos de votação”. E esta é para os investigadores, uma das principais causas do alheamento da participação política dos emigrantes.

 “Tradicionalmente, enquanto o PS e os partidos de esquerda (PCP e BE) têm favorecido o voto pessoal, o PSD e o CDS-PP têm sido mais abertos, apoiando o voto por correspondência e, mais recentemente, a adoção do voto eletrónico”, recorda o estudo divulgado por aquele jornal diário.

Depois há “as considerações estratégicas” que “representam uma importante barreira contra a melhoria da votação externa”, vincam os investigadores:“ O impacto limitado do voto dos emigrantes nos resultados eleitorais finais, os baixos níveis de mobilização da sociedade civil e as características da emigração portuguesa - tanto em termos socioeconómicos como de distribuição geográfica - ajudam a explicar por que razão a reforma do voto externo foi bloqueada” pelos partidos.

Por tudo isto, os autores alertam para a necessidade de reformar o voto dos emigrantes: “É um passo importante para a melhoria da qualidade das democracias contemporâneas através de uma maior inclusão e igualdade entre os cidadãos”.

A investigação, divulgada pelo Público, recorda também que “a queda do regime autoritário deu o maior impulso à emancipação dos emigrantes”, acrescentando que “a importância económica das remessas levou os atores políticos a implementarem políticas de emigração para sustentar a fidelidade dos cidadãos que vivem no exterior em direção ao país de origem”.

Este capítulo sobre o voto teve como autores Marco Lisi, Ana Maria Belchior, Manuel Abrantes e Joana Azevedo e faz parte de uma investigação maior intitulada ‘Novas e Velhas Rotas da Emigração’, que traça um retrato da emigração portuguesa ao longo dos anos.


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