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Eleições autárquicas contaminadas
Opinião Portugal 3 min. 15.02.2021

Eleições autárquicas contaminadas

"Rui Rio talvez seja o líder partidário em posição mais débil".

Eleições autárquicas contaminadas

"Rui Rio talvez seja o líder partidário em posição mais débil".
Foto: Lusa
Opinião Portugal 3 min. 15.02.2021

Eleições autárquicas contaminadas

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
A economia parou com a pandemia e todos os outros sectores de actividade estão a passar por esse forçado pousio. Até a política.

Os partidos começam agora a debater-se com as dificuldades de arranjar listas para as próximas eleições autárquicas, que devem ocorrer no próximo Outono. O PSD pretende mesmo adiar o calendário eleitoral, para um momento em que já esteja garantida a imunidade de grupo de grande parte da população. Nessa circunstância, os candidatos tinham mais possibilidades de fazer campanhas eleitorais de rua, consideradas fundamentais, sobretudo, para aqueles que se apresentam pela primeira vez ao eleitorado. É esta a explicação dada por Rui Rio.

Mas o PS enjeita as pretensões laranja e tudo indica que o caso será alvo de aceso debate parlamentar. Tudo vai depender da preferência dos outros partidos. Depois, a decisão final será da competência do Governo, embora a influência do Presidente da República possa ser determinante. E, com toda a certeza, Marcelo Rebelo de Sousa terá uma opinião sobre o assunto e muita capacidade de influenciar decisões.

Pelo que me toca, entendo que as eleições devem ser adiadas, mas sem ultrapassar a primeira semana de Dezembro. Esta minha opinião radica na observação que fiz das recentes eleições presidenciais e da respectiva campanha eleitoral que quase não existiu. Apenas os debastes televisivos lhe deram alguma animação.

No caso das autárquicas, nem isso vamos ter. Se as televisões cumprirem a tradição, só haverá debates para as câmaras de Lisboa e do Porto. Os restantes 306 municípios caiem no buraco escuro do esquecimento. O que, aliás, é compreensível. Que interesse tem, para o país, um debate entre os candidatos a uma recôndita câmara só conhecida pelos seus munícipes e, mesmo assim, mal? Nenhum, obviamente.

Se o PSD, em coligação ou em solitário, não vencer algumas das câmaras mais importantes do país, isso representa uma pesada derrota para o líder que ficará, de imediato, com o lugar em cheque.

E umas eleições sem campanha, abandonadas à mais severa indiferença dos eleitores e ao ostracismo dos media não beneficia a democracia. Bem pelo contrário. Isto preocupa-me mais, do que as dificuldades dos partidos em conseguirem arranjar cabeças de lista ganhadores. A ausência de candidatos com reais possibilidades de vitória nada tem a ver com a pandemia. Significa apenas que os partidos não têm quadros capazes de seduzir os eleitorados. E que os competentes independentes não estão interessados em servir os interesses espúrios dos partidos.

Rui Rio talvez seja o líder partidário em posição mais débil. Confessou a alguns dos seus mais próximos colaboradores que não tem nomes fortes, nem para Lisboa, nem para o Porto. E a história repete-se, em muitas outras capitais de distrito.

Se o PSD, em coligação ou em solitário, não vencer algumas das câmaras mais importantes do país, isso representa uma pesada derrota para o líder que ficará, de imediato, com o lugar em cheque. Rio quer fugir a isso, mas não sabe como, não tem quem o ajude.

O PS parte mais tranquilo para este combate. A câmara de Lisboa está ganha, em princípio. A do Porto, se Rui Moreira se recandidatar, não conta para este campeonato, porque a vitória é certa. Os partidos só precisam de arranjar expedientes que mitiguem as suas derrotas. E há um factor que abranda os efeitos de uma previsível derrota: PS e PSD serão igualmente derrotados, nenhum deles ganha, seja o que for.

Mas há outras câmaras que podem desequilibrar as contas. São os casos de Braga, Coimbra, Setúbal, Santarém, Faro, e as capitais das regiões autónomas, entre outras. Mas o jogo, aqui, ainda está longe de começar.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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