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Editorial. Portugal com "um império às costas"
Editorial Portugal 2 min. 29.01.2020

Editorial. Portugal com "um império às costas"

Editorial. Portugal com "um império às costas"

Ilustraçâo: Florin Balaban
Editorial Portugal 2 min. 29.01.2020

Editorial. Portugal com "um império às costas"

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
O caso da agressão a Cláudia Simões e o crescimento do império de Isabel dos Santos podem ser vistos como os dois lados de uma mesma moeda cunhado pelo antigo Império português.

Isabel do Santos e Cláudia Simões. Dois casos que marcam a atualidade e que analisamos na edição desta semana no Contacto. Os dois podem ser considerados, ao limite, consequência do legado do Império colonial português.

Isabel dos Santos representa uma reprodução do regime de cleptocracia dominante no fascismo e que beneficiava antigos grupos económicos que viviam das concessões e dos favores que o Estado colonial criava e necessitava para sobreviver. Infelizmente, a independência em vez de acabar com este sistema, reproduziu-o substituindo os grupos económicos por familiares e próximos do poder político que se instaurou com o MPLA e José Eduardo dos Santos. São também conhecidas as cumplicidades do poder político e económico português no abrir de portas de grandes empresas portuguesas ao capital de Isabel dos Santos.

Ilustração: Florin Balaban



O whistleblower português está atualmente em prisão preventiva no caso Football Leaks.
Hacker Rui Pinto por detrás dos Luanda Leaks
Investigação liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) revelou recentemente como Isabel dos Santos acumulou uma fortuna de dois milhões de euros. A milionária angolana foi acusada de fraude pelo Ministério Público de Angola.

Por outro lado relatamos o caso de Cláudia Simões, um episódio revelado pelo Contacto, em primeira mão, e que chocou a opinião pública, provocando várias ondas de solidariedade. Uma mulher que acabou no hospital depois de uma alegada agressão da polícia. O caso aconteceu por se ter esquecido do passe da filha de oito anos.

Esta caso de racismo na Amadora reproduz as discriminações e a cultura de violência que caracterizou os subúrbios das cidades coloniais. A vida dos musseques, reservatórios de mão-de-obra posto à disposição da cidade colonial, com as suas razias e rusgas policiais seguidas de respostas à pedrada ou de muitas outras maneiras, parece ser outro dos legados imperiais.

Desta vez, deslocado por via das migrações das antigas colónias para as cidades europeias que reproduzem situações de exploração colonial.

Em ambos os casos é preciso perceber que a chave de interpretação está para além do desempenho dos seus protagonistas e está escondida e algo mais profundo. Num império que continuamos a carregar às costas. Longo da visão do lusotropicalismo de Gilberto Freyre que atribua aos portugueses uma forma mais branda de colonização, num branqueamento de práticas violentas de opressão de diferentes povos levadas a cabo pelos colonizadores.

Roubo o título desta crónica ao nome do próximo livro do sociólogo João Pedro George que será publicado este ano. Mas a importância do português, que espalhamos por vários continentes, está a ganhar novos adeptos. Nesta edição do Contacto revelamos o disparar do interesse dos estrangeiros em aprender português, aqui no Luxemburgo.

O que não para de se espalhar é o coronavírus que já chegou à Europa com casos registados em França e na Alemanha. Neste jornal revelamos o que está a preparar o governo luxemburguês para prevenir eventuais casos da chegada do vírus ao país.