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Editorial. As contas do fim da geringonça
Editorial Portugal 2 min. 08.05.2019

Editorial. As contas do fim da geringonça

Editorial. As contas do fim da geringonça

Foto: AFP
Editorial Portugal 2 min. 08.05.2019

Editorial. As contas do fim da geringonça

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Na semana em que se anuncia mais 2.150 milhões de euros para o Novo Banco – as ajudas aos bancos pagas pelos contribuintes portugueses elevam-se a cerca de 20 mil milhões de euros –, o governo fez finca-pé, afirmando que era insustentável pagar aos professores.

No momento em que escrevo, a telenovela da demissão do primeiro-ministro português, António Costa, ainda não acabou. O PSD e o CDS já recuaram na questão do pagamento, pelo Estado, da totalidade do tempo de serviço dos professores, cortado nos anos da troika, mas ao PS ainda lhe convém dramatizar a situação e antecipar eleições legislativas, para tentar capitalizar a crise.

Na semana em que se anuncia mais 2.150 milhões de euros para o Novo Banco – as ajudas aos bancos pagas pelos contribuintes portugueses elevam-se a cerca de 20 mil milhões de euros –, o governo fez finca-pé, afirmando que era insustentável pagar aos professores as verbas que decorrem do reconhecimento dos mais de nove anos que trabalharam durante o congelamento salarial.

Os professores não pedem que lhes devolvam os salários cortados neste período, mas que, para efeito de progressão de carreira, lhes contem o tempo que efetivamente trabalharam. É preciso notar que o próprio PS votou favoravelmente, em dezembro de 2017, a resolução 1/2018, da Assembleia da República, recomendando ao governo “a contagem de todo o tempo de serviço para efeitos de progressão na carreira”, tanto para os professores como para as restantes carreiras especiais.

Mas agora o ministro das Finanças, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o primeiro-ministro foram dizendo que o reconhecimento deste tempo de serviço era insustentável financeiramente. Contas difíceis de escrutinar, porque o executivo não revelou em que é que elas se baseavam.

Se os números são nebulosos, o resultado desta crise política parece cristalino: é o fim da chamada geringonça (governo socialista com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e PCP para aprovação de Orçamentos de Estado negociados), e o retomar do PS ao seu lugar mais próximo do centro no espectro político português.

Os sinais já estavam dados com as recusas reiteradas, por parte do partido do governo, de fazer marcha atrás na liberalização da legislação laboral; de ter feito marcha atrás em matéria de corte de Parcerias Público-Privadas, na lei geral do Serviço Nacional de Saúde; e de ter metido os pés pelas mãos aquando da votação das incompatibilidades entre ser deputado e advogado em escritórios com negócios com o Estado. Mas o corte definitivo deu-se com esta crise encenada.

A seu favor, o PS tem a luta pela manutenção do equilíbrio das contas públicas numa União Europeia que permite gastar milhares de milhões em buracos financeiros feitos por banqueiros, mas que é avessa a pagar um euro que seja em dívida a quem trabalha. Vamos ver o que dizem os eleitores já em maio. 


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