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E se Passos Coelho voltar?
Opinião Portugal 3 min. 13.01.2021 Do nosso arquivo online

E se Passos Coelho voltar?

E se Passos Coelho voltar?

Foto: Lusa
Opinião Portugal 3 min. 13.01.2021 Do nosso arquivo online

E se Passos Coelho voltar?

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
O PSD vive uma crise interna, com reflexos imediatos na quebra de confiança no líder. Toda a gente prevê um ano difícil para Rui Rio, constantemente atormentado pelo fantasma de Pedro Passos Coelho.

O líder do PSD, quando assumiu a presidência do partido, nunca pensou que teria de se bater simultaneamente com adversários, à esquerda e à direita. Nas suas congeminações, estava apenas o PS, à esquerda, considerado como principal adversário e o único que podia disputar o poder, com o PSD. À direita, havia um CDS, já com alguns sintomas de queda, mas com força suficiente para ser um aliado de confiança, na luta contra o PS.

Este cenário alterou-se, contra todas as previsões. Subitamente, à direita surgiram duas forças com representação parlamentar, o cavalheiresco Iniciativa Liberal, e o truculento Chega. A calma manteve-se, nos primeiros tempos, porque aqueles dois partidos, juntos, somavam pouco mais de 135 mil votos, divididos em partes, quase iguais. Portanto, nada que fosse muito preocupante.

(...) acham que Passos Coelho é o único dirigente que pode travar a ascensão do Chega e do seu líder.

Meses depois, o líder do Chega anunciou a sua candidatura à Presidência da República e surgiram as primeiras sondagens que lhe eram muito favoráveis, apesar de não conseguir pôr em causa a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa. Outras sondagens, para eventuais eleições legislativas, apresentavam PSD em baixa. Somando estes dois factores, muita gente, dentro do PSD, começou a perceber que Rui Rio não era o homem certo, para conduzir o partido.

Não tardaram as especulações sobre nomes para substituir Rio. Nomes de ida e volta. Quem se fixou foi Pedro Passos Coelho. É este o homem que muitos querem de volta. Incluindo, gente do CDS, porque acham que Passos Coelho é o único dirigente que pode travar a ascensão do Chega e do seu líder.

Até agora, Pedro Passos Coelho tem recusado sempre os incitamentos que lhe são feitos, escudando-se até nas infelicidades pessoais com que a vida o tem castigado.

Nas últimas semanas, no entanto, as coisas começaram a mudar. Muitos dos mais destacados militantes do PSD dizem que o partido vai perder as próximas eleições autárquicas, no Outono, deste ano. Esse facto vai obrigar Rui Rio a abandonar a liderança, tanto mais que o seu mandato termina em 2022.

Esta análise coincide com o pedido feito por Passos Coelho, aos seus correligionários. Ele pretende que o deixem em paz, por enquanto, dando assim uma última oportunidade a Rui Rio. Depois das próximas eleições autárquicas, ele promete uma resposta.

Essa resposta será sempre condicionada, pelos resultados das eleições locais. Se o PSD, contrariando todas as previsões, conseguir ultrapassar o PS, é certo que Rui Rio se manterá no cargo e, em 2022, será reeleito para novo mandato, sem oposição credível. E, em eleições autárquicas, o Chega não deve atrapalhar o caminho do PSD. Mas a sobrevivência de Rui Rio passa pelos resultados de Lisboa e Porto. E, nestas cidades, o PSD ainda não apresentou nomes que possam dar garantias de vitória.

Pelo contrário, se o PSD ficar atrás do PS, a cabeça de Rui Rio será pedida por muita gente que anseia pelo regresso do partido, à governação. E, nessa circunstância, Pedro Passos Coelho tem todas as condições para voltar à liderança. E fá-lo-á com apoios de muito peso. Resta saber se estará interessado em voltar e se o fará, sem um CDS capaz de colaborar, na luta contra a esquerda.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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