Escolha as suas informações

Do Banco Espírito Santo para o banco dos réus
Comentário Portugal 2 min. 22.07.2020

Do Banco Espírito Santo para o banco dos réus

Do Banco Espírito Santo para o banco dos réus

Foto: Lusa
Comentário Portugal 2 min. 22.07.2020

Do Banco Espírito Santo para o banco dos réus

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Centenas de membros da família Espírito Santo viviam no mais ocioso tédio, mas recebiam mensalmente quantias que lhe alimentavam os vícios.

Após seis anos de investigação, o Ministério Público concluiu a acusação que imputa um sem número de crimes a Ricardo Salgado. Crimes esses que, misturados com outro tipo de irregularidades, levaram o Banco Espírito Santo à falência.

Foi o maior estrondo da economia portuguesa. Com a falência do banco, milhares de portugueses perderam as economias de uma vida e outros ficaram até sem fortunas, engolidas pela engenhosa capacidade de Ricardo Salgado. Atraiu investimentos, sabendo antecipadamente que não os podia remunerar.

Depois de ler a extensa acusação de mais de quatro mil páginas, concluiu-se que os argumentistas de Hollywood têm ali matéria inspiradora, para as tramas de umas dezenas de emocionantes thrillers.

 A lógica e a força-motriz de todo o esquema eram sempre as mesmas. Sacar dinheiro do banco, ou dos seus clientes e redireccioná-lo para um mundo obscuro de empresas e figuras que se escondiam atrás do GES - o Grupo Espírito Santo. 


BES. Tribunal da Concorrência confirma coima de 75.000 euros a Ricardo Salgado
Na leitura da sentença do recurso apresentado pelo ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), a juíza Vanda Miguel disse não terem restado dúvidas de que foi Ricardo Salgado quem arquitetou a operação de financiamento do Grupo Alves Ribeiro (GAR).

Há muito tempo que este tal GES, uma espécie de eucaliptal que secava tudo à sua volta, estava falido e só respirava porque do BES vinham constantes injecções de dinheiro que lhe oxigenavam o sangue. Centenas de membros da família Espírito Santo viviam no mais ocioso tédio, mas recebiam mensalmente quantias que lhe alimentavam os vícios. Com isto e com outros demandos, a dívida acumulada ia aumentando a tal ponto que, em muitos círculos da Lisboa dos negócios e dos jornais se sabia que a falência era inevitável. Faltava só marcar a data.

Também era através do GES que Ricardo Salgado comprava simpatias -no poder político e não só - que lhe facilitavam a concretização de aspirações inconcebíveis. Com isto, contornava as leis e outros normativos, de tal forma que se dizia que este homem era "o dono disto tudo".

Mesmo entre os mais desconfiados, poucos sabiam que a falência do GES provocaria também a falência do BES. Mas aconteceu, com uma rapidez que surpreendeu muita gente. Salgado viu-se rodeado de buracos negros e não teve outra alternativa - foi pedir dinheiro emprestado ao Primeiro-Ministro de então, Passos Coelho. Mas chegou atrasado. Nessa altura, já Passos Coelho sabia do estado irrecuperável em que estava o BES. Uma verdade facilmente confirmável, se olharmos para o que hoje se passa no Novo Banco. Gente de outros bancos tinha-se adiantado e informado Passos Coelho. Por isso, o então Primeiro-Ministro fez bem em recusar o apoio público que Ricardo Salgado lhe mendigava.

Esperemos agora pelo julgamento. A justiça norte-americana condenou Bernard Madoff a 150 anos de prisão, por delitos semelhantes. Em Portugal, a pena máxima é de 25 anos. Por isso, Ricardo Salgado é um homem tranquilo.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas