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Deputado do PS da área da habitação acusado de promover despejo
Portugal 2 min. 05.07.2019

Deputado do PS da área da habitação acusado de promover despejo

Deputado do PS da área da habitação acusado de promover despejo

Foto: Wikipedia
Portugal 2 min. 05.07.2019

Deputado do PS da área da habitação acusado de promover despejo

Hugo Pires é acusado de querer despejar os inquilinos de um prédio histórico situado junto à Sé de Braga.

O deputado socialista Hugo Pires que coordenou o grupo de trabalho sobre habitação, responsável por elaborar a nova lei de bases aprovada hoje na Assembleia da República, está a ser acusado de querer despejar os inquilinos de um prédio histórico situado junto à Sé de Braga, noticiou hoje o Jornal Económico.

Há um ano, Hugo Pires criticava a incoerência do então vereador bloquista Ricardo Robles que pretendia vender por 5,7 milhões de euros um prédio que tinha custado 347 mil euros enquanto fazia campanha contra a especulação imobiliária. Agora, é ele próprio acusado de querer despejar arrendatários para instalar no prédio um alojamento local.

O deputado socialista detém 50% da empresa de investimentos imobiliários CRIAT, que em 2017 completou a compra de um edifício localizado na Rua D. Diogo de Sousa, classificado como imóvel de interesse público e património da cidade, que dois anos antes tinha sido penhorado e depois submetido a venda judicial.

De acordo com o Jornal Económico, os irmãos Ana e Filipe Morgado, proprietários da Mavy, um espaço cultural instalado no espaço da antiga livraria Bertrand Cruz, denunciam que o deputado está a pressioná-los para abandonar o edifício – apesar de dizerem que em 2012 assinaram um contrato válido até 2034 – para ali instalar um negócio de alojamento local. O deputado contrapõe que o que está previsto para ali é habitação permanente e comércio.

Incompatibilidade avaliada no Parlamento

 De acordo com o Jornal de Negócios, por ser acionista de uma imobiliária e também proprietário e gerente de uma empresa de arquitetura, engenharia e construção que declara, entre as suas atividades, o alojamento turístico, o dirigente socialista requereu em outubro de 2018 à subcomissão de ética um parecer sobre a compatibilidade entre os seus interesses empresariais e o exercício da presidência do grupo de trabalho parlamentar para o setor da habitação.

 Na altura, o líder da bancada do PS, Carlos César, argumentou que "todo o país tem interesses no alojamento local, ou favoráveis, ou desfavoráveis". "Eu, pessoalmente, não seria impedido de discutir o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) por ter um carro a diesel. Em todo o caso, se se entrar nesse clima de intensidade quanto aos interesses de cada um, então a conduta a adotar é aquela que adotou, solicitando à subcomissão de Ética que esclareça se há ou não alguma incompatibilidade", acrescentou.

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