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Debate. Costa enfrentou torrente inesperada de Rio
Portugal 4 min. 17.09.2019

Debate. Costa enfrentou torrente inesperada de Rio

Debate. Costa enfrentou torrente inesperada de Rio

Foto: Lusa
Portugal 4 min. 17.09.2019

Debate. Costa enfrentou torrente inesperada de Rio

Não houve grandes novidades políticas no debate televisivo mais esperado da campanha eleitoral entre António Costa e o líder do PSD, Rui Rio, excetuando a inesperada prestação mais afirmativa do líder da oposição que muitos esperavam seria derrotado por um António Costa mais experiente neste tipo de confrontos televisivos.

Rui Rio travou intensa discussão sobre vários temas com António Costa e mostrou-se, quase sempre, mais incisivo e à vontade do que o atual chefe de governo.

A generalidade da imprensa e dos comentadores considera que não terá havido um claro vencedor no debate afirmando que o “empate” terá sido o resultado.

O líder da oposição, com sondagens desfavoráveis que colocam o seu partido a 19 pontos do PS precisava de marcar pontos e iniciou o debate claramente ao ataque, sublinhando a "oportunidade perdida" pelo país, que, nestes quatro anos, alegadamente não fez nenhuma reforma política importante, apesar de uma conjuntura internacional favorável, com António Costa defensivo a falar em sustentabilidade da economia.

"Tivemos uma conjuntura altamente favorável, mas não serviu para tratar do futuro", "o orçamento continua a ter um défice estrutural, melhorou o nominal, mas não o estrutural", disse o líder do PSD, sublinhando que "temos uma degradação enorme dos serviços públicos".

“Tenho um país em que os julgamentos em vez de se fazerem nos tribunais, fazem-se nas tabacarias e nas televisões. Julgamentos populares, isso é digno de uma democracia? (…) Qual é a autoridade moral deste regime sobre o Estado Novo quando faz uma coisa destas?”, afirmou o líder do PSD, criticando que a mesma justiça que permite estas fugas depois “faça buscas no Ministério das Finanças” pela ida de um ministro ao futebol.

António Costa admitiu que alguns julgamentos estão a levar demasiado tempo a realizar-se (caso Sócrates e BES), mas sublinhou que “só quem conhece os processos por dentro sabe o grau de complexidade”.

“Qualquer pessoa de bom senso pensa o que o dr. Rui Rio diz, que são inaceitáveis julgamentos na praça pública”, afirmou, admitindo, contudo, que “dificilmente um processo hoje se contém” entre as paredes do tribunal.

Na ocasião, o secretário-geral do PS, António Costa, acusou o presidente do PSD de ter "uma obsessão com a justiça".

Rui Rio falou ainda no aumento dos salários dos juízes, aprovado recentemente pelo governo, quando foi questionado sobre o que pode prometer aos professores na próxima legislatura.

“O dr. Rui Rio tem uma obsessão contra a justiça, não gosta de juízes, é o líder da oposição ao Ministério Público. Eu felizmente não tenho essa obsessão, acho que uma sociedade democrática precisa de uma justiça forte”, acusou Costa.

Rio voltou a rejeitar que um professor “no topo da carreira possa ganhar tanto como um juiz estagiário”, afirmando que, ao contrário do que Costa disse, é por gostar muito [da justiça] que fica incomodado com o que vê.

Noutra fase do debate, Rio dizendo citar o Observatório da Emigração disse que entre 2016 a 2019 se estima tenha ocorrido uma emigração de 330 mil pessoas, "o Porto e Viana do Castelo juntos", deu como imagem, sublinhando: “Isto desmente a visão cor-de-rosa o governo procura sempre exibir da legislatura”.

António Costa disse desconhecer esses números e garantiu que os números oficiais até 2017 (últimos dados disponíveis) indicam "um saldo migratório positivo" (mais gente a entrar no país do que a sair).

Rui Rio insistiu com veemência a sua insatisfação com a política fiscal de António Costa: "Não podemos ter a despesa do Estado a subir, a subir, a subir, a subir, e os impostos atrás, a subir, a subir. Não pode. Há um momento em que se tem de dizer basta. Parou! Portugal precisa deste arrojo. Temos de baixar o peso do Estado no produto interno bruto."

António Costa recordou o "enorme aumento de impostos" do PSD, no tempo do governo de Passos Coelho, e disse que o que Rui Rio propõe é "um choque fiscal que acaba sempre em aumentos de impostos".

O líder do PS esgrimiu com o aumento nesta legislatura da sustentabilidade da Segurança Social em 22 anos, concluindo que o que houve nestes seus quatro anos foi "uma justa redução dos impostos."

Ao falar do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Costa citou números do programa do PSD sobre cortes nos gastos em "consumos intermédios" para denunciar que a proposta de Rui Rio significaria uma asfixia do SNS. Rui Rio defendeu na ocasião a manutenção das parecerias público-privadas hospitalares, com António Costa a lembrar que o SNS é constitucionalmente um serviço de natureza pública.

O debate foi transmitido em simultâneo pelos três canais de televisão nacionais ao contrário dos restantes debates com os demais líderes partidários que debateram, maioritamente, nos canais por cabo.

SRS

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