Escolha as suas informações

De visita a Portugal: Projeto europeu está ameaçado pela austeridade - Presidente grego
Portugal 3 min. 30.01.2017

De visita a Portugal: Projeto europeu está ameaçado pela austeridade - Presidente grego

O Presidente grego Prokopis Pavlopoulos e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente português, em Coimbra.

De visita a Portugal: Projeto europeu está ameaçado pela austeridade - Presidente grego

O Presidente grego Prokopis Pavlopoulos e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente português, em Coimbra.
Foto: Lusa
Portugal 3 min. 30.01.2017

De visita a Portugal: Projeto europeu está ameaçado pela austeridade - Presidente grego

O Presidente da República Helénica, Prokopios Pavlopoulos, disse hoje, em Coimbra, que o projeto europeu está ameaçado, devido à crise económica, que também se deve à política de austeridade, que “tem de ser mudada”.

O Presidente da República Helénica, Prokopios Pavlopoulos, disse hoje, em Coimbra, que o projeto europeu está ameaçado, devido à crise económica, que também se deve à política de austeridade, que “tem de ser mudada”.

O chefe de Estado grego falava na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

“Os nossos países passaram e passam por momentos bastante difíceis, isto por uma política económica de austeridade que criou muitos problemas para a coesão dos nossos países”, sustentou.

Esta política “específica da austeridade criou grandes problemas em toda a União Europeia”, que conjugada com “a crise dos refugiados” (também devida à “falta de solidariedade de alguns dos nossos parceiros”), cria “problemas existenciais para a Europa e para a sua coesão”.

A política de “austeridade específica”, que tem “muitos efeitos secundários”, tem de mudar “o mais depressa possível”, defendeu Prokopios Pavlopoulos, sublinhando que ela “faz aumentar a dívida pública, acentua as desigualdades, aumenta o desemprego, sobretudo dos jovens, e atinge e fere literalmente os alicerces do Estado Social”.

“Não podemos ter apenas uma política de défice”, apelou, insistindo que “essa política tem de acabar” e que é necessária “uma política de crescimento sustentável”.

A política de crescimento que “temos na Europa não é sustentável, necessita de reformas, de investimentos, e requer também um fortalecimento da procura e da liquidez”, sustentou.

“Temos de conseguir também o Estado social”, que é “um elemento essencial da cultura europeia e, portanto, temos de proteger” e “devemos lutar para que estas políticas mudem”, afirmou o Presidente grego.

“Estamos a defender não só os nossos povos, mas o ideal e o projeto europeu”, concluiu.

Presidentes com pontos de vista comuns sobre refugiados

Refugiados, combate ao terrorismo e política económica na União Europeia são algumas das áreas em que os Presidentes da República de Portugal e da Grécia partilham pontos de vista comuns, realçou Marcelo Rebelo de Sousa.

"É visível a unidade de pontos de vista entre os dois países e os dois povos", constatou Marcelo Rebelo de Sousa, na sua declaração inicial, na Biblioteca Joanina, após um encontro com o Presidente da República Helénica, Prokopios Pavlopoulos.

Para o chefe de Estado português há uma "unidade de pontos de vista" na posição da Europa face aos refugiados e migrações, com Portugal a dar o exemplo, "apoiando a Grécia e a Europa e acolhendo, no seu seio, refugiados das guerras que rodeiam o nosso continente".

Também na economia, os pontos de vista dos dois chefes de Estado encontram-se, sendo defendida a "necessidade de crescimento e criação de emprego, sem os quais a sustentabilidade financeira é sempre insuficiente".

" A unidade está ainda presente quando se fala de "paz, segurança e afirmação dos direitos humanos no mundo", referiu Marcelo Rebelo de Sousa, afirmando que essa mesma concordância dos dois Presidentes, ambos juristas, também surge em relação à "resolução rápida e justa para Chipre, que é também uma preocupação" do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

"Tudo isto nos aproxima. É um reencontro de quem se conhece bem enquanto povos, enquanto Estados, enquanto pessoas", frisou Marcelo Rebelo de Sousa, salientando a vocação universal de "gregos e de portugueses", com comunidades "por todo o mundo".

Quando questionado pelos jornalistas sobre as políticas de Donald Trump em relação à imigração, o chefe de Estado português optou por sublinhar a importância que os portugueses dão à "abertura, tolerância e ecumenismo", sem nunca se referir ao Presidente dos Estados Unidos da América.

"Gostamos de nos dar com os outros, esperando sempre que os outros se deem connosco da mesma maneira", disse.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Costa critica países da UE que protestam contra acolhimento
O primeiro-ministro criticou na quarta-feira os países da União Europeia que protestam contra a obrigação de acolher refugiados, ao inaugurar o terceiro e o maior Centro de Acolhimento de Refugiados em Portugal, em São João da Talha, Loures.