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Portugal luta contra o tempo para combater nova vaga de covid-19
Portugal 6 min. 06.07.2021
Covid-19

Portugal luta contra o tempo para combater nova vaga de covid-19

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Portugal luta contra o tempo para combater nova vaga de covid-19

Foto: AFP
Portugal 6 min. 06.07.2021
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Portugal luta contra o tempo para combater nova vaga de covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Apressar o ritmo da vacinação é uma das prioridades, mas a medida está a gerar constrangimentos em alguns locais.

A velocidade de novos contágios, devido à elevada transmissão da variante Delta, está alastrar-se a todas as regiões de Portugal e não para de crescer. A tendência de 2000 infetados diários deverá mesmo duplicar nas próximas semanas, ultrapassando os 4000 casos, antevê o Governo. 

O número foi avançado pela Ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista, esta segunda-feira, à TVI, e estima-se que seja acompanhado por um aumento dos internamentos, como já acontece. "Temos estimativas que vão até meados de julho e que nos colocam já com um número de novos casos para lá dos 4.000 e com um número de internamentos para lá dos 800 e da utilização de cuidados de intensivos para lá dos 150”, afirmou Marta Temido. Apesar de se preverem variações regionais, haverá uma tendência para "dobrar os casos no todo nacional”, nos próximos 15 dias, sublinhou a ministra.

Segundo os últimos dados da DGS, a incidência em Portugal está nos 224,6 casos por 100 mil habitantes, a nível nacional, e nos 231 por 100 mil habitantes, no território continental. Já o índice de transmissibilidade - R(t) - é de 1,19 a nível nacional e de 1,20 no continente.


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No final da última semana, a análise das "linhas vermelhas", feita pela DGS e pelo Instituto Ricardo Jorge (INSA), apontava que, a manter-se a atual taxa de crescimento, a taxa de incidência acumulada a 14 dias de 240 casos/100 mil habitantes fosse atingida em apenas seis dias, a nível nacional. Um limiar, que já foi ultrapassado nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (328,8 casos por 100 mil habitantes) e no Algarve (378,8 casos por 100 mil habitantes).O aumento de novas infeções tem sido acompanhado pela subida dos internamentos, com a capacidade das unidades de cuidados intensivos (UCI) a ver aumentada a sua ocupação dia após dia. Na segunda-feira, e apesar de uma ligeira descida na terça (para 133), estavam internadas 136 pessoas em UCI, o equivalente a 55% do limiar de 245 crítico apontado para as camas de cuidados intensivos destinadas a doentes covid-19, em Portugal continental.

A ocupação das UCI é mais preocupante na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde já atingia, no final de junho, mais de 80% da lotação regional e mais de metade a nível nacional. "A região de LVT com 71 doentes internados em UCI representa 62% do total de casos em UCI, e corresponde a 86 % do limite regional de 83 camas em UCI definido no relatório 'linhas vermelhas'", refere o documento de balanço semanal, divulgado no passado dia 2 de julho.

A par das medidas de recuo no desconfinamento que têm sido aplicadas aos concelhos com mais casos, a vacinação é a principal arma para travar a propagação da transmissão do vírus e da variante Delta, mais contagiosa que a Alfa (associada ao Reino Unido e à vaga mais mortal em Portugal, até à data).


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Esta segunda-feira começaram os agendamentos para a toma da primeira dose da vacina a partir dos 27 anos, depois de no domingo ter sido aberta a vacinação a pessoas entre os 18 e os 29 anos.

Segundo revelou a ministra da Saúde, na entrevista à TVI, os jovens com idade inferior a 18 anos deverão começar a ser vacinados  na última semana de agosto, se o Governo conseguir manter o plano de vacinação previsto.

Apesar disso, a chamada imunidade de grupo, com 70% da população vacinada com, pelo menos, uma dose, não deverá ser atingida a 8 de agosto, como chegou a ser apontado, devido à quantidade de vacinas necessárias para cumprir essa meta. A isso junta-se o facto da variante Delta ser mais resistente e elevar para 85% a percentagem da população considerada para essa imunidade coletiva, o que só deverá acontecer em setembro, afirmou, no domingo, o vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador da task-force da vacinação contra a covid-19.No passado dia 23 de junho, na comissão de Saúde, o responsável garantiu que tudo estava a ser feito para acelerar o processo e admitiu alargar os horários dos centros de vacinação para chegar às 140 mil vacinas por dia, administradas em Portugal.

Esta corrida em contrarrelógio, como Marcelo Rebelo de Sousa apelidou, numa altura em que os portugueses começam a sair das suas áreas de residência para irem de férias, tem, contudo, gerado alguns constrangimentos, tanto nos agendamentos como nos centros de vacinação, sobretudo das grandes cidades, que registam afluências fora do previsto, levando à acumulação de filas e de várias horas de espera.


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Além da abertura progressiva dos agendamentos a cada vez mais faixas etárias, o Governo antecipou os prazos da toma da segunda dose da vacina da Astrazeneca. Além disso, desde meados de junho que está disponível a modalidade 'Casa Aberta', que permite aos utentes com idade igual ou superior a 45 anos serem vacinados, com a primeira dose e sem agendamento prévio, bastando para isso "dirigirem-se ao Centro de Vacinação do local onde está inscrito no Centro de Saúde, normalmente correspondendo ao da sua área/zona de residência", refere a DGS. Mesmo com horários previamente definidos, nem sempre estes correspondem ao que é praticado nos locais.

A estas situações junta-se a dificuldade que os infetados recuperados há seis meses, e que já podem ser vacinados, têm sentido na altura de fazer o seu autoagendamento. 

Lia Pereira é um desses casos. Testou positivo a 3 de janeiro deste ano e teve alta a 12 do mesmo mês. A validade do seu certificado de recuperação era até 2 julho. "Tentei fazer o agendamento no domingo, dia 4, e deu erro. Liguei para linha saúde 24 [SNS24] e diziam que nem sequer tinha registado qualquer pedido em meu nome", explicou ao Contacto. Segundo lhe foi relatado, na linha de atendimento, o mesmo erro estava a acontecer com mais de 90% das tentativas de autoagendamento feitas por recuperados da covid-19. Foi-lhe aconselhado que contactasse o seu Centro de Saúde, que remeteu a situação para o centro de vacinação. Com 43 anos, Lia Pereira está dentro das faixas etárias abrangidas pelo autoagendamento, mas ainda abaixo da idade estipulada na modalidade 'Casa Aberta'. Apesar disso, vai tentar esta opção, uma vez que no concelho onde reside ela já está disponível a partir dos 40 anos.


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O Contacto questionou o Ministério da Saúde sobre estas dificuldades, manifestadas pelos recuperados, mas até ao momento não obteve qualquer resposta. 

Quanto às filas e aos tempos de espera nos centros de vacinação, deverão ser maiores nas próximas duas semanas, admite a task-force, que considera esta fase decisiva para conter os níveis de contágio e o avanço da pandemia.  

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