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Covid-19. Portugal admite pedir apoio internacional
Portugal 5 min. 26.01.2021

Covid-19. Portugal admite pedir apoio internacional

Covid-19. Portugal admite pedir apoio internacional

Foto: AFP
Portugal 5 min. 26.01.2021

Covid-19. Portugal admite pedir apoio internacional

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
"Todas as hipóteses estão a ser consideradas", avançou o Ministério da Saúde ao Contacto. Luxemburgo ofereceu ajuda mas ainda não recebeu pedido.

O Governo português admitiu esta segunda-feira pedir apoio internacional para auxiliar na resposta de combate à covid-19. Num programa de informação da RTP, a ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que o executivo “está a acionar todos os mecanismos de que dispõe, designadamente no quadro internacional, para garantir que presta a melhor assistência aos utentes” afetados pelo vírus SARS-Cov-2.

Nesse programa, a ministra foi diretamente questionada sobre se os mecanismos do quadro internacional significam o recurso a ajuda de outros países, nomeadamente ajuda europeia, e se passam por enviar doentes para outros estados.

Recorde-se que o Luxemburgo já anunciou oficialmente estar disponível para receber doentes covid-19 de Portugal, mas ainda não recebeu qualquer pedido das autoridades portuguesas. “Até ao momento, o Governo do Luxemburgo não foi contactado pelos seus homólogos portugueses com vista ao eventual cuidado de doentes portugueses no Luxemburgo”, indicou o gabinete da ministra da Saúde, Paulette Lenert, na segunda-feira, ao jornal i. Esta terça-feira, ao Contacto, o Ministério da Saúde português também não confirmou se a ajuda do Luxemburgo vai ser acionada em breve. Mas adiantou que a questão está em cima da mesa. "Por agora, todas as hipóteses estão a ser consideradas no sentido de continuar a assegurar os cuidados de saúde aos portugueses. Num quadro de apoio externo, os mecanismos de cooperação europeia são obviamente uma possibilidade, em função da evolução que se vier a verificar", referiu a tutela numa declaração escrita.


Luxemburgo disposto a receber pacientes com covid-19 vindos de Portugal
Garantia foi dada pela ministra da Saúde, Paulette Lenert.

Um dos entraves ao envio de doentes para o Luxemburgo tem a ver com a própria situação geográfica portuguesa. O país faz apenas fronteira com Espanha, estando a milhares de quilómetros de outros países europeus, e essa condição pode dificultar esse tipo de auxílio, como apontou Marta Temido resposta à questão colocada no programa da RTP. Enquanto nos países do centro da Europa, “mesmo em situação normal, aspetos como a circulação transfronteiriça de doentes já acontece como uma realidade simples”, Portugal está "num extremo de uma península e, portanto, com maiores constrangimentos geográficos", explicou. Mesmo assim, ressalvou que "há mecanismos e formas de obter auxílio e de enquadrar formas de colaboração e, naturalmente, que as estamos a equacionar”.

Outro dos desafios é que, apesar de Portugal estar no topo dos países com mais casos e mortes por habitante - no início desta semana era, de acordo com o Our World in Data, da Universidade de Oxford, o país do mundo com mais casos e mais mortes por 100 mil habitantes - a situação epidemiológica também se tem degradado no resto do continente. Por isso, a ministra da Saúde portuguesa ressalvou que é preciso ter a “consciência de que a situação europeia é toda ela preocupante”.

A nível interno, o país debate-se com a falta de recursos humanos, mesmo que ainda consiga alocar mais camas a doentes covid-19. "Temos camas disponíveis, o que muito dificilmente conseguimos ainda gerir são os recursos humanos”, admitiu. No mesmo programa, a ministra da Saúde referiu que no Serviço Nacional de Saúde (SNS) existem cerca de 5.600 pessoas internadas por covid-19 e mais de 760 em unidades de cuidados intensivos, uma realidade “inimaginável” mesmo no âmbito dos “planos de catástrofe dos hospitais” públicos, com muitos a ultrapassarem já os seus níveis máximos de capacidade. Os restantes doentes estão distribuídos por estruturas de saúde do setor social e privado, além do apoio militar.

Portugal tem superado recordes de mortes e novos infetados quase diariamente, nas últimas semanas. Hoje registou 291 mortos, o número mais alto até à data, e 10.765 casos positivos. Nos hospitais são 6.472 os internados por covid-19, 765 em cuidados intensivos.

Esta segunda-feira, Marta Temido anunciou um reforço imediato de meios na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais afetada neste momento. No hospital de campanha montado no Estádio Universitário de Lisboa, junto ao Hospital de Santa Maria, o número de camas deverá passar, ainda esta semana, de 20 para as 58 camas, o que irá requerer a transferência de profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, de outras áreas clínicas. 

Também o Hospital das Forças Armadas, na capital, contará com 30 camas num total de 140. E hoje, o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, visitaram a base do Alfeite, em Almada, depois desta ter sido adaptada para disponibilizar mais 200 camas ao SNS.

Está ainda previsto um aumento do recurso ao setor privado de saúde. "As instituições dos grupos privados estão a trabalhar com o Ministério da Saúde no sentido de abrir mais camas além daquelas que tinham convencionadas. Concretamente, algumas de cuidados intensivos”, afirmou, citada pelo jornal Público.

A sobrecarga sobre os hospitais portugueses não deverá abrandar nos próximos dias, pelo que a ministra deixa o apelo para que os doentes com síndromes respiratórias se dirijam primeiro aos seus centros de saúde. Um pedido que já tinha sido feito por alguns hospitais, como o Garcia de Orta, em Almada, que na segunda-feira abriu mais uma ala de 33 camas. O objetivo é que essas unidades ajudem na triagem de doentes urgentes e não urgentes.

Esta terça-feira, a Câmara Municipal de Torres Vedras enviou um pedido ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a solicitar “a ativação de ajuda internacional para o controlo da pandemia no concelho”. É a primeira autarquia a avançar com este tipo de apelo e o objetivo é reforçar os recursos humanos do Hospital de Torres Vedras, “com cinco médicos e dez enfermeiros”, ficando os custos a cargo da Câmara.  

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