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Covid-19. Marcelo fez cinco testes e só um deu positivo. O que aconteceu?
Portugal 3 min. 13.01.2021

Covid-19. Marcelo fez cinco testes e só um deu positivo. O que aconteceu?

Covid-19. Marcelo fez cinco testes e só um deu positivo. O que aconteceu?

AFP
Portugal 3 min. 13.01.2021

Covid-19. Marcelo fez cinco testes e só um deu positivo. O que aconteceu?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O caso do presidente da República está a gerar confusão pelo resultado positivo entre tantos testes. Os especialistas explicam o que se terá passado.

O presidente da República portuguesa realizou cinco testes de despistagem à covid-19 em dois dias, e apenas um deu positivo. 

Quando soube que um dos seus assessores de impressa estava infetado com covid-19, Marcelo Rebelo de Sousa realizou de imediato, no dia 11, um teste de rastreio rápido (antigénico) que acusou negativo. 

No dia seguinte realizou mais um teste antigénico e o resultado foi idêntico. Contudo, para garantir que tudo estava bem, o presidente da República submeteu-se a um teste PCR ou seja, com resultados mais completos e este deu positivo. A Presidência da República divulgou então que Marcelo Rebelo de Sousa estava infetado com covid-19.

Seguiu-se a realização de mais dois testes PCR que acusaram negativo, saindo o último resultado dia 13. Durante este período o chefe de Estado cumpriu o isolamento em sua casa. O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSRJ) anunciou então oficialmente que o Presidente da República não estava infetado. Marcelo Rebelo de Sousa esteve sempre assintomático, nunca tendo tido qualquer sintoma.


Marcelo Rebelo de Sousa testa positivo à covid-19
O Presidente da República português testou positivo para o novo coronavírus.

"Falso positivo"?

A dúvida instalou-se: como é que em cinco testes há um realizado exatamente a meio do processo que acusa positivo? 

O Instituto Ricardo Jorge "está a tentar perceber o que se passou" junto do laboratório da rede que fez o teste PCR que deu na segunda-feira um falso positivo para a covid-19 para o Presidente da República, declarou à Lusa a virologista Raquel Guiomar, do referido instituto, sem contudo, se referir concretamente ao teste do presidente.

Para esta especialista o teste PCR pode ter acusado "um falso positivo" e na sua origem pode ter estado uma "pequena contaminação da amostra" em análise ou incorreta interpretação dos dados, como indicou à Lusa.

Num caso como este, em que há um resultado que "suscita dúvidas" é necessária então uma "segunda avaliação", a cargo do Instituto Ricardo Jorge, o laboratório de referência em Portugal, precisou. E foi isso que aconteceu, com os novos testes PCR a acusarem negativo.

Também o ex-bastonário da Ordem dos Médicos Germano Sousa admitiu à TVI24, a hipótese do primeiro teste PCR ter dado "um falso positivo". 

"O teste positivo [PCR] devemos aceitar como bom. Porém, a negatividade de dois testes seguidos leva-me a pôr a hipótese mais provável de que foi um falso positivo", assumiu Germano de Sousa médico que possui uma cadeia de clínicas de análises médicas em Portugal. 

A infecciologista  Isabel Aldir concorda com a possibilidade de ter ocorrido " uma anomalia laboratorial" ou “uma anomalia na recolha da amostra”, como explicou ao Correio da Manhã que originou o "falso positivo".  “Especulando, a recolha poderá não ter sido feita nas condições ideais. Isso poderá explicar o facto de o segundo teste PCR dar negativo, resultado que o terceiro confirmou”, concluiu esta especialista.  


Novo teste de Marcelo Rebelo de Sousa dá negativo
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, testou negativo ao novo coronavírus, depois de um teste positivo, e aguarda a realização de um teste confirmativo, mantendo-se em isolamento.

Testes antigénicos menos completos

Já sobre os dois primeiros testes antigénicos, Germano de Sousa frisou que "não são para levar em conta": "Esses testes apenas devem ser utilizados em sintomas", declarou o especialista à TVI24.  Estes testes rápidos são principalmente recomendados para caso de doentes internados ou assintomáticos com contactos de alto risco com casos confirmados de infeção, sublinha a Lusa.

 Por outro lado, os testes antigénicos, apesar de providenciarem resultados rápidos, entre 10 a 30 minutos, não são tão completos como os PCR pelo que é sempre necessária a realização de um teste mais conclusivo, o PCR.   

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