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Costa pede maioria absoluta e restantes partidos expõem condições para acordos
Portugal 5 min. 18.01.2022
Legislativas

Costa pede maioria absoluta e restantes partidos expõem condições para acordos

Foto cedida pela RTP. António Costa (E) do PS e Rui Rio do PSD durante o debate entre os candidatos dos partidos com assento parlamentar às eleições parlamentares realizado na RTP, Lisboa, 17 de janeiro de 2022.
Legislativas

Costa pede maioria absoluta e restantes partidos expõem condições para acordos

Foto cedida pela RTP. António Costa (E) do PS e Rui Rio do PSD durante o debate entre os candidatos dos partidos com assento parlamentar às eleições parlamentares realizado na RTP, Lisboa, 17 de janeiro de 2022.
Foto: LUSA
Portugal 5 min. 18.01.2022
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Costa pede maioria absoluta e restantes partidos expõem condições para acordos

Lusa
Lusa
No debate com os nove partidos com assento parlamentar, o secretário-geral do PS e atual primeiro-ministro voltou a pedir a maioria absoluta, mas os restantes candidatos lembraram que esse é um cenário pouco realista.

Os partidos à esquerda do PS e à direita do PSD expuseram as suas condições para convergências com as duas maiores forças políticas, num debate a nove, com BE, CDU e Livre a defenderem modelos e prioridades diferentes.

Na primeira parte de um debate transmitido pela RTP em direto a partir do Cineteatro Capitólio, em Lisboa, com representantes das nove forças políticas que elegeram deputados nas anteriores legislativas, PS insistiu no apelo a uma maioria absoluta, enquanto o PSD procurou bipolarizar as eleições de 30 de janeiro.

"Teoricamente qualquer um pode ser primeiro-ministro ou qualquer uma, mas na prática não é assim. Portanto, a grande decisão que se vai tomar no dia 30 de janeiro é se o primeiro-ministro é indicado pelo PS e é o doutor António Costa ou se é indicado pelo PSD e sou eu", afirmou Rui Rio.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, contestou esta ideia: "Aqui não há uma escolha de primeiro-ministro, aqui vota-se para um parlamento e a maioria determinará o que é que existe no dia seguinte".

Em caso de haver uma maioria à esquerda, Catarina Martins sustentou a seguir às legislativas não se irá discutir um Orçamento do Estado para 2022, mas sim "um contrato de governo para Portugal que resolva as questões fundamentais". Sobre o Orçamento rejeitado em outubro passado, a coordenadora do BE observou: "Seguramente que o próprio PS quererá fazer um melhor trabalho".

Em representação da CDU, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, contrapôs que "a estabilidade de qualquer Governo não depende dos acordos e dos papeis que são assinados, depende da política que é executada" e manifestou disponibilidade "para convergir com todos aqueles que queiram convergir".


Foto cedida pela RTP.(E-D) Rui Tavares do Livre, Inês de Sousa Real  do PAN, João Oliveira da CDU, Catarina Martins do Bloco de Esquerda, António Costa do PS, Rui Rio do PSD, Francisco Rodrigues dos Santos do CDS-PP, André Ventura do Chega e João Cotrim Figueiredo da Iniciativa Liberal durante o debate entre os candiadatos dos partidos com assento parlamentar às eleições parlamentares realizado na RTP, Lisboa, a 17 de janeiro de 2022.
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O secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, considerou que faltou "vontade política" dos partidos à esquerda para viabilizarem o Orçamento do Estado para 2022, realçando que nem sequer passou à fase de especialidade.

O cabeça de lista do Livre por Lisboa, Rui Tavares, voltou a defender "uma ecogeringonça" que seja "o mais ampla possível" e, ao contrário do BE, apontou como prioridade "procurar viabilizar um Orçamento" para 2022. "Não temos o luxo do tempo. É preciso viabilizar um Orçamento para criar espaço negocial e um Programa de Governo", disse.

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, mostrou-se disponível para "construir uma solução alternativa à esquerda" mesmo que o PSD não vença as eleições, se os partidos à direita forem maioritários no parlamento: "Inaugurou-se uma nova praxe parlamentar, e temos de dar mérito ao doutor António Costa, como de resto aconteceu com os Açores".

André Ventura, presidente e deputado único do Chega, repetiu que exigirá presença no Governo se o seu partido "tiver votação expressiva, acima dos 7%".

O presidente e deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo,  afirmou abertura para discutir com o PSD "uma alternativa de Governo", com "ímpeto reformista", mas sem certezas sobre o resultado: "Não sei se vai ser fácil ou não vai ser fácil".

João Cotrim de Figueiredo acusou várias vezes António Costa de não esclarecer o que fará em matéria de alianças para a governação e associou-o ao antigo primeiro-ministro José Sócrates, assinalando que o atual secretário-geral do PS coordenou uma moção do seu antecessor em 2011, que tinha como lema a estabilidade, pouco antes do pedido de assistência financeira externa de Portugal.

Em caso de derrota: Costa demite-se, Rio admite continuar  

No debate, os líderes dos dois maiores partidos, António Costa, PS, e Rui Rio, PSD, revelaram o que farão se as respetivas formações políticas não forem as mais votadas.

António Costa afirmou que em caso de derrota nas legislativas demite-se logo na noite eleitoral de secretário-geral do PS, enquanto Rui Rio recusou uma saída imediata se perder e admitiu manter-se na liderança do PSD.

Questionado sobre possíveis soluções de governo, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro voltou a apelar a uma maioria do seu partido, repetindo pela segunda ocasião neste período pré-eleitoral a expressão "maioria absoluta", que já tinha utilizado à saída do seu frente a frente com Rui Rio, na quinta-feira.

"Eu acho que é uma maioria absoluta aquilo que garante estabilidade durante quatro anos", declarou António Costa, sustentando que sem isso há o risco de se "andar de crise em crise, em governos provisórios de dois anos".


Ganhar eleições com o tempo perdido
Os líderes não conseguiram inovar, limitando-se a repetir em cada debate o que já tinham dito no anterior e que diriam no seguinte.

De imediato, Rui Rio contrapôs que uma maioria absoluta do PS ou do PSD é um cenário com uma probabilidade "muito próxima de zero" e defendeu que tem de haver "espírito democrático" e "disponibilidade para negociar a governabilidade" de ambos os partidos para que "o país não ande em sucessivas eleições".

Sobre o que fará em caso de derrota nas legislativas de 30 de janeiro, o secretário-geral do PS reiterou que "depois de ter sido seis anos primeiro-ministro" considerará que se perder houve "um voto claro de desconfiança dos portugueses" e que é altura de os socialistas escolherem "uma nova liderança".

Interrogado se a sua demissão será logo na noite das eleições, António Costa respondeu: "Ah, sim, isso com certeza, e depois o PS terá o seu processo".

O presidente do PSD, por sua vez, excluiu seguir esse caminho, se perder: "No dia à noite não saio nem nunca sairia em circunstância alguma, porque acho que é uma manobra teatral, não é propriamente dentro do meu estilo".

Embora ressalvando que num cenário de derrota do PSD "obviamente que o partido tem de pensar o que quer fazer relativamente à liderança, isso é evidente", Rui Rio assinalou que recentemente houve diretas e congresso.

 "Tudo isso foi antecipado e foi-me dado um mandato de mais dois anos. Depois logo se vê. Não me preocupa rigorosamente nada isso", acrescentou, fazendo depender a sua decisão também da dimensão em concreto dos resultados eleitorais.


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