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Constâncio autorizou Caixa a emprestar €350 milhões a Berardo

Constâncio autorizou Caixa a emprestar €350 milhões a Berardo

Foto: Lusa
Portugal 2 min. 07.06.2019

Constâncio autorizou Caixa a emprestar €350 milhões a Berardo

O antigo governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio tinha dito aos deputados que desconhecia o empréstimo.

Vítor Constâncio deu aval ao crédito de 350 milhões de euros que Joe Berardo pediu para comprar ações do BCP. O documento que prova que o então governador do Banco de Portugal (BdP) estava a par da operação financeira foi divulgado pelo Público e prova que Vítor Constâncio mentiu ao parlamento quando foi chamado à comissão de inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos.

Em março, o antigo governador, disse que o Banco de Portugal “só tem conhecimento das operações de crédito, depois de os bancos efetivarem” e até deu como “óbvio” o desconhecimento do empréstimo que acabou por se revelar ruinoso para os cofres do banco público.

Agora, sabe-se que, em 2007, ainda com Constâncio na liderança, o conselho de administração do BdP se reuniu para autorizar o reforço da posição de Joe Berardo no BCP de 3,99% para 9,99% com um financiamento da Caixa Geral de Depósitos. O empréstimo foi concedido sem garantias reais, uma vez que foi autorizado mediante a promessa de penhora dos títulos que seriam posteriormente adquiridos. De resto, a operação que abriu um buraco na CGD foi o único ponto na agenda do encontro que Vítor Constâncio omitiu deliberadamente aos deputados e que aconteceu em plena guerra pela liderança do BCP, entre as assembleias gerais que afastaram a equipa de Jardim Gonçalves do banco comercial.

Certo é que, quinze dias depois do pedido ter dado entrada no Banco de Portugal, o governador deu luz verde à Fundação Berardo para se tornar num dos maiores acionistas privados do BCP. Estávamos em agosto quando o departamento de supervisão bancária do regulador comunicou que o conselho de administração deliberou não se opor à detenção pela Fundação Berardo” de uma participação qualificada “superior a 5% e inferior a 10%, no capital do BCP e inerentes direitos de voto”.

Há 12 anos por pagar, o empréstimo é uma pedra no sapato para as contas da banca e agora também para o  antigo vice-presidente do Banco Central Europeu. A atribuição do crédito torna-se ainda mais polémica quando se sabe que o antigo governador do BdP detinha toda a informação para impedir a operação financeira. Vítor Constâncio sabia que a Fundação Berardo já não gerava cash-flow suficiente para liquidar a dívida, mas optou por não proteger o banco do Estado.

O PSD já se pronunciou e quer voltar a ouvir o antigo governador."Não temos qualquer dúvida que o dr. Vítor Constâncio não disse a verdade na primeira comissão de inquérito. Queremos dar-lhe oportunidade para poder refrescar a memória e dizer a verdade ao Parlamento e ao país”, fez saber o deputado Duarte Pacheco.  

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