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Condecorações e contestações do 25 de Abril
Opinião Portugal 2 min. 02.05.2022
25 de Abril

Condecorações e contestações do 25 de Abril

25 de Abril

Condecorações e contestações do 25 de Abril

Foto: Rodrigo Antunes/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 02.05.2022
25 de Abril

Condecorações e contestações do 25 de Abril

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
A esquerda não quer que o general António de Spínola seja condecorado, apesar do papel histórico que desempenhou no 25 de Abril.

O Presidente da República, no uso de uma imensa generosidade que nem lhe nega, quer condecorar todos os militares que participaram no 25 de Abril. Mas a polémica já começou e num tom difícil de admitir.

Como sempre acontece em casos semelhantes, de um lado a esquerda e do outro a direita. A esquerda não quer que o general António de Spínola seja condecorado, apesar do papel histórico que desempenhou no 25 de Abril. Foi ele que recebeu a rendição de Marcelo Caetano e foi o primeiro Presidente da República, da democracia.

No Verão de 74, soltou as suas divergências com o programa do Movimento das Forças Armadas e com a esquerda. Sobretudo, ele queria um modelo de descolonização que já ninguém aceitava, mantendo com as colónias um laço federativo.

Por isto, esteve à cabeça de duas tentativas de golpe de estado, uma a 28 de Setembro de 1974, outra a 11 de Março de 1975. Com o falhanço destas intentonas, exilou-se e, a partir de Espanha e do Brasil, comandou o MDLP, um grupo de extrema-direita que atacou à bomba muitas infra-estruturas da esquerda e até algumas figuras, como o padre Maximino Sousa, assassinado em 1975. Há outros homicídios que, passados quase 50 anos, continuam por esclarecer. É o caso de Joaquim Ferreira Torres, um industrial de fortuna suspeita, assassinado a tiro em 21 de Agosto de 1979. Era um dos financiadores do MDLP, com quem entrou em conflito. Ameaçou contar tudo o que sabia e durou apenas uns dias.

... o importante é a participação desses militares nos actos que conduziram à restauração da democracia.

Tudo isto, apesar de mal esclarecido, está escrito na folha de serviços do general Spínola e, por isso, Bloco de Esquerda e Partido Comunista contestam a possibilidade da condecoração.

Do outro lado, estão as figuras de Vasco Gonçalves e Rosa Coutinho. Foram militares claramente alinhados com a esquerda, mas sem qualquer tipo de passado criminal. Mas o Chega, sem os mencionar, chama-lhes "bandidos", porque promoveram actos terroristas, nacionalizaram e expropriaram. Mas não lhes aponta qualquer acto que possa minimamente ser considerado como terrorista. Como o endereço do epíteto não foi explicitado, podemos admitir que o Chega se refira a Otelo Saraiva de Carvalho.

Marcelo Rebelo de Sousa já deu uma primeira resposta aos críticos. Disse que, independentemente do que se possa pensar sobre o carácter de cada um, o importante é a participação desses militares nos actos que conduziram à restauração da democracia.

Uma resposta que será insuficiente, porque tanto os partidos como alguns cidadãos vão aproveitar isto, para fazerem chicana política, sobretudo, num momento de ódios exacerbados.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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