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Cerveja poderá faltar em Portugal devido a greve dos trabalhadores

Cerveja poderá faltar em Portugal devido a greve dos trabalhadores

Portugal 3 min. 07.05.2019

Cerveja poderá faltar em Portugal devido a greve dos trabalhadores

Depois da crise do combustível, paira em Portugal a crise da cerveja. Os trabalhadores da Central de Cervejas entraram em greve esta segunda-feira para reivindicar “aumentos salariais dignos e justos”, que diminuam “a desigualdade salarial”.

A greve iniciada esta segunda-feira pelos trabalhadores da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC) está a registar uma adesão de 100%, segundo fonte sindical, reclamando os grevistas aumentos salariais “dignos e justos” e progressão na carreira.

Em declarações à agência Lusa, Rui Matias, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB), disse que a greve irá decorrer durante a toda a semana em três períodos distintos de duas horas: das 00:00 às 02:00, das 05:00 às 07:00 e das 08:30 às 10:30.

Contactado pela agência Lusa, o diretor de comunicação e relações institucionais da SCC garantiu que a empresa está aberta “ao diálogo”, mas que face à greve agora iniciada as negociações do Acordo de Empresa (AE) “estão pendentes”.


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“A greve é um direito dos colaboradores, que respeitamos”, referiu Nuno Pinto de Magalhães, esclarecendo que o protesto “tem um potencial máximo de aplicabilidade a cerca de 300 colaboradores da unidade abrangidos pelo AE, que representam cerca de 50%” do total.

A administração da SCC recordou que nos últimos três anos o acordo alcançado em termos salariais “foi sempre acima do valor da inflação verificada”, tendo ascendido em 2016 a 2% de aumento, num mínimo de 20 euros, a uma atualização de 30 euros em 2017 e a uma subida de 2%, num mínimo de 20 euros, no ano passado, acrescido de um prémio individual de 1.000 euros para todos os colaboradores abrangidos pelo AE”.

De acordo com o SINTAB, “se até às 10:30 de terça-feira não houver nenhuma tentativa de negociação por parte da empresa, os trabalhadores vão também deixar de fazer trabalho suplementar durante todo o ano, até que a empresa os chame novamente para fazer uma negociação séria”.

Salientando que os trabalhadores da SCC, dona da cerveja Sagres, “fazem muito trabalho suplementar” aos sábados, domingos e feriados, Rui Matias avisa que, se não for possível chegar a um acordo, num prazo de dois meses começará a faltar cerveja no mercado.


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“Afigura-se aqui uma situação de impasse tremendo e vai começar a faltar a cervejinha no mercado. Eles podem ter muito ‘stock’ por agora, mas em dois meses será muito difícil responder às solicitações do mercado, até porque estamos a caminhar para o verão, que é o período de maior consumo de cerveja”, sustentou.

De acordo com o dirigente do SINTAB, neste primeiro dia de greve “a adesão está a ser de 100%, com paragem total da fábrica”, mantendo-se os trabalhadores concentrados frente às instalações da empresa, em Vialonga, durante os períodos de paralisação.

Para as 09:00 de quinta-feira está agendado um plenário de trabalhadores que contará com a presença do secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

Os trabalhadores da Central de Cervejas reclamam “aumentos salariais dignos e justos”, que diminuam “a desigualdade salarial”, exigindo uma atualização “na ordem de 4%”, num mínimo de 40 euros, e de 1% no subsídio de turno.


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Segundo destaca Rui Matias, os trabalhadores pretendem ainda uma revisão das avaliações, das promoções e das carreiras profissionais, já que sentem “um desagrado muito grande” a este nível: “O desenvolvimento profissional está completamente estagnado. Há cerca de 13 anos que o modelo de evolução profissional contemplou menos de 10% dos trabalhadores, num total de cerca de 350, ou seja, estamos a falar de 20 e poucos trabalhadores que tiveram algum desenvolvimento profissional neste período”, afirmou.

O SINTAB explica que, “após três rondas negociais com a administração da empresa, os trabalhadores verificaram que as propostas apresentadas ficam muito aquém das suas reivindicações”, o que os levou a “prosseguir com a luta em forma de demonstração de descontentamento e para levar a empresa a apresentar uma proposta mais realista, onde se verifique uma justa distribuição da riqueza”.

Lusa


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