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A cultura portuguesa também está de luto
Portugal 5 min. 08.01.2017 Do nosso arquivo online
Óbito/Soares

A cultura portuguesa também está de luto

Retrato de Mário Soares, "O Presidente", por Júlio Pomar.
Óbito/Soares

A cultura portuguesa também está de luto

Retrato de Mário Soares, "O Presidente", por Júlio Pomar.
Foto: SapoFotos
Portugal 5 min. 08.01.2017 Do nosso arquivo online
Óbito/Soares

A cultura portuguesa também está de luto

Mário Soares foi uma figura ligada, desde sempre, à cultura. Amigo próximo de artistas e intelectuais, publicou mais de meia centena de livros e foi o primeiro chefe de Estado a ter um assessor de Cultura.

Patrocinador de uma fundação com o seu nome, dedicada a "defender e divulgar os valores cívicos, culturais e morais por ele representados" e a preservar «o conhecimento da nossa História Contemporânea, mantendo viva e atual a memória de Portugal e dos Portugueses", Mário Soares foi uma figura ligada, desde sempre, à cultura. Amigo próximo de artistas e intelectuais, Mário Soares publicou mais de meia centena de livros e foi o primeiro chefe de Estado a ter um assessor de Cultura.

O meio cultural e artístico manifesta palavras de pesar pela morte desta personalidade chave do século XX português.

Herman José  

O humorista português dedica, na sua página de facebook, as seguintes palavras a Mário Soares: "Morreu um Homem Maior e o político a quem mais atenções devo. Há poucos anos ainda teve a generosidade de prefaciar a minha biografia. A seu devido tempo, acalmadas as histerias e saradas as feridas, a História saberá dar o devido valor à figura política mais importante do século XX em Portugal. Soares é - e será sempre - fixe."

Nuno Teixeira

Este realizador de televisão, um dos mais conhecidos nomes da RTP nas décadas de 1980/90,  que dirigiu as novelas "Vila Faia" e "Chuva na Areia" e as séries "O tal canal", "Humor de perdição" e "Casino Royal" de Herman José , afirmou que o político “esteve sempre à altura dos acontecimentos”.  Mário Soares “conseguiu, com o seu prestígio, com a sua inteligência, manter o país no lado correto da vida". "Manter o país no lado da democracia e da liberdade. O grande objetivo da vida dele era a liberdade”, declarou. 

Nuno Teixeira conheceu Mário Soares quando foi convidado para constar da lista de apoiantes do candidato presidencial, para as eleições de 1986. Desse relacionamento recorda a forma de tratamento de Mário Soares com os seus mais próximos colaboradores, que “entendia como uma continuidade da sua própria família”.

Lourdes Norberto  

A atriz , amiga pessoal de Mário Soares, de quem foi apoiante política, realçou “a bondade” do fundador do PS, que era “um homem de convívio”.  Mário Soares era “um homem genuinamente interessado pela cultura e o meio artístico”, que “fica para história”, disse a atriz.

Rui Veloso  

O ex-Presidente da República foi “provavelmente a maior figura da democracia portuguesa", "homem de cultura e visão”, disse à agência Lusa o músico Rui Veloso, que o conheceu em 1969 e que foi o autor de um dos hinos da campanha presidencial de Mário Soares em 1986, o “Rock da Liberdade”.

José de Guimarães  

Mário Soares “não era artificial e ia diretamente à alma”, disse o artista plástico.

José de Guimarães afirmou ainda que o ex-Presidente da República “era um homem de cultura, que falava de artes plásticas como de literatura, e era um homem incisivo nas suas observações políticas, era um estadista em todos os quadrantes”.

“Sendo uma notícia que já todos esperávamos, é sempre triste, e há pessoas que nos são mais chegadas que outras, e Mário Soares foi sempre, para mim, uma pessoa excecional, com grande afeição pelos artistas e que, sempre que podia, aparecia nas exposições”, afirmou à agência Lusa José Guimarães.

Julião Sarmento

O artista plástico  salientou que Mário Soares "foi um grande impulsionador das artes plásticas e da literatura" em Portugal.

Contactado pela agência Lusa, Julião Sarmento comentou que o estadista "gostava muito da coleção de arte que reuniu ao longo da vida, e tinha muito orgulho nela".

Representado nessa coleção, entre dezenas de artistas, Julião Sarmento considerou ainda que Mário Soares "era um dos últimos grandes políticos de Portugal", "era um herói nacional."

Leonel Moura  

O artista plástico que pintou o retrato de Mário Soares nos anos 1980, obra de grandes dimensões atualmente no salão nobre da sede do PS, em Lisboa, afirmou que o estadista Mário Soares "abriu a porta da política à cultura, e à importância das artes", em Portugal.

Mário Cláudio  

O escritor  recordou o antigo Presidente da República Mário Soares como um homem de Cultura que faz parte do “património anímico” e do “ADN coletivo” de Portugal.

“Trata-se de uma figura histórica. Sem ele a nossa democracia não se teria consolidado. A entrada na Europa provavelmente teria sido uma coisa completamente diferente, ou em momento diferente. Neste momento, faz parte do nosso património anímico, do nosso ADN coletivo”, afirmou Mário Cláudio à Lusa.

“[Mário Soares] era uma personalidade extremamente elegante, que estava tão disposta a ouvir os outros como a expressar em termos muito corajosos os seus pontos de vista, mesmo que fossem contra o politicamente correto. Fico com alguma saudade dessa figura e espero que tenha deixado algum magistério (...) naquilo que é ou que deverá ser a nossa ética política”, disse o autor.

Raquel Henriques da Silva

Mário Soares “era um homem de cultura e gostava de se afirmar enquanto tal”, disse a historiadora de arte e museóloga , que realçou como “grande legado” do antigo Presidente, na área cultural, a Fundação Mário Soares.

A Fundação tem um papel de referência “no domínio da investigação” e tem um “arquivo muitíssimo importante do nosso país, de memória, ligado à política do século XX e à guerra. [A História] foi a maior paixão do [Mário] Soares e aquilo em que ele podia ser considerado um especialista”.

Entre os  artistas de quem Mário Soares foi amigo, Henriques da Silva destacou Júlio Pomar, com quem esteve preso no forte de Caxias, em 1947, artista que escolheu para executar o retrato presidencial, numa escolha entre Pomar e Júlio Resende, contou.

A museóloga referiu-se ao retrato presidencial de Pomar como “fantástico”, que “quebrou completamente as regras”, ao ter escolhido uma “obra absolutamente irreverente”, em que surge “numa atitude descontraída”.

Segundo a historiadora, até ao atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não há memória de um Presidente com “tal gosto e empenho pela arte, e detentor de uma tão interessante coleção”.

O ex-Chefe de Estado “admirava imenso” a pintora Helena Vieira da Silva e “empenhou-se muito, na Presidência da República, na constituição da Fundação Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva”, que foi inaugurada, em Lisboa, em 1994.

Entre os artistas de que Mário Soares gostava, a historiadora de arte referiu o escultor João Cutileiro e o pintor Nikias Skapinakis.

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