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Avó de bebé deitado no lixo luta para ficar com a guarda do neto
Portugal 3 min. 08.12.2019

Avó de bebé deitado no lixo luta para ficar com a guarda do neto

Avó de bebé deitado no lixo luta para ficar com a guarda do neto

Portugal 3 min. 08.12.2019

Avó de bebé deitado no lixo luta para ficar com a guarda do neto

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Mãe de cabo-verdiana presa soube que Sara vivia na rua pela televisão. Conta a visita à filha na prisão e que quer criar o bebé. Advogadas revelam dificuldades.

Na casa da avó e irmã de Sara Furtado, a mulher detida por deitar o filho recém-nascido no lixo, já há uma cómoda com roupa para o bebé e um berço novo.

“Eu sou a avó e é o meu primeiro neto, quero muito que ele cresça comigo, com tia com tio e resto da família”, diz Manuela Correia à reportagem do programa ‘Sexta às 9’, da RTP, no dia 6.

 Manuela, de 41 anos, e a família só descobriram que Sara vivia na rua que tinha ficado grávida e abandonado o filho recém-nascido num contentor do lixo pela televisão. Ficaram em choque.

“Parece que mundo parou”, disse Manuela Correia que ainda hoje lhe custa acreditar. A irmã e mãe choraram muito ao descobrirem o que Sara fez.

 Mas dizem só abandonou assim o bebé porque “está doente e tem de ser tratada”, frisa a mãe.

“Eu não concordo com o que ela fez. Mas é minha filha eu amo-a. Não me sinto culpada, mas sinto que falhei”, acrescenta Manuela Correia.

Dois dias depois de ter dado à luz e horas antes de ser presa a irmã Carla encontrou Sara. “Ela não estava bem, estava mal”, garantiu embora a irmã lhe tenha dito o contrário.

Sara Furtado está detida na Prisão de Tires e o bebé depois de ter tido alta hospitalar já foi entregue a uma família de acolhimento, há duas semanas. A jovem cabo-verdiana, de 21 anos, está detida na prisão de Tires desde novembro, por suspeitas do crime de homicídio na forma tentada.

Mas a avó, de 41 anos que vive há dois anos, no Barreiro, quer ficar com a guarda do neto e já tem duas advogadas a tratar do caso.

Avó e tia querem chamar-lhe Apolo

A irmã Carla conta que escolheram inclusive o nome para o menino. Não Salvador, como todos o chamam, por ter sido encontrado no caixote do lixo e salvo, 15 horas depois de ter nascido e já em sofrimento, mas Apolo. 

“Apolo porque é nome de guerreiro, um nome bíblico”, explica Carla.

Mãe nunca soube da nada

Sara Furtado saiu de casa da mãe, onde vivia com a irmã e o irmão em finais de janeiro, quando ficou grávida.

“Ela disse que foi viver com o namorado para a Amadora”, recordou Manuela Correia contando que Sara continuou a ir lá a casa. Também Carla diz que a irmã ia lá lanchar e chegou a dormir lá.

“Nunca disse que estava grávida, quando vinha estava sempre com roupas limpas, nada indicava que vivia na rua”, garante a mãe. A polícia sabe que foi a partir de junho que a jovem de 21 anos se tornou sem abrigo.

A visita à prisão

Mãe e Carla já a foram visitar à prisão, e Manuela Correia perguntou porque a filha depois do parto não voltou para casa com o bebé.

“Ela disse que estava desesperada, descontrolada e não sabia o que fazer. Nem olhava para mim e chorava”, lembra Manuela.

“Quando o bebé saiu ela não pensou, estava desesperada e teve aquela reação, sem raciocinar”, foi o que Sara contou às duas segundo Carla. A irmã garante que ela se “arrependeu logo”.

 “Eu quero que os juízes saibam que quero ficar com o meu neto. Que estou de braços abertos à espera dele”, repete Manuela Correia e esta é agora a sua prioridade. 

Advogadas contam dificuldades

Depois de ter sido encontrado no contentor do lixo junto à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, a 3 novembro, o bebé ficou três semanas hospitalizado até ter alta. 

Foi depois entregue a uma família de acolhimento com quem ficará enquanto decorrem os procedimentos para ser adotado e o processo de adoção, ou a decisão de ficar com os familiares.

Mas, segundo as advogadas de Manuela Correia não está fácil trabalhar o caso. Ainda nem sequer conseguiram ter acesso ao número do processo relativo à criança, disseram à reportagem do 'Sexta às 9'.

"Nunca nos aconteceu ter o numero do processo para podermos intervir", reclamam as advogadas. "Já tememos um cenário de possível adoção sem que a família possa ter um acesso mais interventivo", confessam.

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