Escolha as suas informações

Associação lança inquérito para apurar forma como decorreu o voto no estrangeiro
Portugal 3 min. 01.02.2022
Legislativas

Associação lança inquérito para apurar forma como decorreu o voto no estrangeiro

Legislativas

Associação lança inquérito para apurar forma como decorreu o voto no estrangeiro

Foto: Lusa
Portugal 3 min. 01.02.2022
Legislativas

Associação lança inquérito para apurar forma como decorreu o voto no estrangeiro

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A Também Somos Portugueses estima que mais emigrantes tenham tentado votar nestas legislativas, mas já registou várias queixas de quem não conseguiu votar por não ter recebido o boletim pelo correio para o voto postal.

A associação de emigrantes Também Somos Portugueses (TSP) lançou um inquérito para apurar a forma como decorreu a votação dos portugueses no estrangeiro.

Os resultados deverão ser divulgados em meados de fevereiro, segundo revelou a entidade ao Contacto, e o objetivo é tentar perceber como correu o último ato eleitoral para os emigrantes.

Em comunicado, a TSP refere que houve "um grande interesse nestas eleições" por parte dos portugueses residentes no estrangeiro, "o que permite prever um forte aumento" na participação eleitoral nos dois círculos pela emigração-Europa e Fora da Europa.

Apesar disso, a associação registou "inúmeras queixas e a frustração de cidadãos que não conseguiram votar". 

Entre as queixas assinaladas estão casos de boletins de voto que, denuncia a associação, nunca chegaram ao seu destino e a impossibilidade de, face a esse imprevisto, os eleitores recenseados no estrangeiro não se poderem dirigir aos consulados para votar. Recorde-se que a opção de voto presencial nos consulados para as legislativas tem de ser manifestada nos postos consulares previamente, até à data de marcação oficial do ato eleitoral. No caso destas legislativas teria de ter sido feito até 5 de dezembro passado. Quem não o tenha feito dentro desse prazo legal ficou automaticamente restringido ao voto postal.

"O sistema eleitoral no estrangeiro não é flexível o suficiente para permitir a alternativa de último recurso de tentar votar num consulado – muitos tentaram e o seu voto foi recusado", critica a associação TSP.


Presidente Marcelo tem um familiar no estrangeiro que não pôde votar
Vários emigrantes alertaram para as dificuldades de voto nestas eleições. Não estiveram atentos, à informação divulgada, diz secretária de Estado das Comunidades.

Os dias 29 e 30 de janeiro foram os dias destinados à votação dos emigrantes inscritos para o voto presencial nos consulados. No entanto, cerca de 40 eleitores portugueses recenseados em Madrid, que não se inscreveram para o voto presencial mas que contavam poder votar pelo boletim postal, queixaram-se de nunca o ter recebido pelo correio. Os eleitores em questão tentaram, como último recurso votar nos consulados, o que não é permitido fazer sem a referida inscrição prévia mesmo em casos de imprevistos como os do eventual extravio dos boletins.

"Não pude exercer o meu direito ao voto. O voto por correspondência não chegou", denunciou ao site português ZAP, Francisca Pereira, residente na capital espanhola há cinco anos e que não conseguiu votar.

Questionada sobre os casos de pessoas que não conseguiram votar em Madrid, a secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, respondeu, à Lusa, que as pessoas "não terão estado atentas" à informação relevante quanto ao voto nas legislativas, acrescentando que "deviam ter-se inscrito" previamente para o voto presencial.  

Contudo, não foi apenas em Espanha que terão ocorrido problemas com o voto postal. Na página de Facebook da TSP é também dado o testemunho de pessoas com residência em França, registadas "nas listas do consulado", que não receberam de Portugal o seu boletim de voto. "Com a possibilidade de pesquisar o envio postal no link dos CTT (parceria com o CNE), foi confirmado no caso do familiar a sua inexistência em termos de registo", refere o testemunho de José Meixedo na página da associação.


Legislativas. Apenas 20 pessoas inscritas no Luxemburgo para voto presencial
Quem não escolheu a opção de voto presencial poderá votar através de voto postal.

Quantas pessoas não receberam os seus boletins de voto, apesar de estarem inscritas no cadernos eleitorais do estrangeiro? É uma das questões que o inquérito lançado pela TSP, no passado domingo, dia em que foram votados os deputados para a Assembleia da República, pretende apurar. A dimensão e os contornos dos problemas que quem quis votar enfrentou, quem conseguiu e quem não conseguiu votar a partir do estrangeiro e, neste último caso, porque razões não conseguiram votar; e também qual o método preferencial de voto dos emigrantes são outras das questões que podem ser respondidas no inquérito que decorre online.

"Este inquérito irá ser muito útil para podermos melhorar o sistema eleitoral, o objetivo principal da associação", acrescenta o comunicado da TSP, que apela aos portugueses da diáspora que respondam ao questionário.

A associação, que tem como objetivo defender os direitos dos portugueses no estrangeiro, já está implantada em vários países, como a França, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Reino Unido, Alemanha, Brasil e Estados Unidos.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas