Escolha as suas informações

Assassinato de Giovani. Ciganos contra comunicação social que os acusou
Portugal 3 min. 21.01.2020

Assassinato de Giovani. Ciganos contra comunicação social que os acusou

Assassinato de Giovani. Ciganos contra comunicação social que os acusou

Sibila Lind
Portugal 3 min. 21.01.2020

Assassinato de Giovani. Ciganos contra comunicação social que os acusou

Ana B. Carvalho
Ana B. Carvalho
Um comunicado assinado por várias associações e ativistas das comunidades ciganas denuncia a "promoção de ódio racial e estigmatização das comunidades ciganas promovidas por órgãos de comunicação social e um determinado político no caso do assassinato do jovem cabo-verdiano Giovanni".

Segundo se pode ler no documento, as associações e ativistas ciganos “jamais defenderão criminosos ou vândalos, sejam eles ciganos, afrodescendentes ou da dita sociedade maioritária”. Enquanto esperam que a justiça seja feita no caso do assassinato do jovem cabo-verdiano, dizem não poder “aceitar que as generalizações e o “apedrejamento” a todas as pessoas ciganas seja uma constante neste país”, alertando ainda para a consciencialização de que esta situação especulativa “poderia ter despoletado situações de fricção entre afro-descendentes e pessoas ciganas e ter levado a situações incontroláveis”.

Bruno Gonçalves, vice-presidente da Associação Letras Nómadas garante que “não é a primeira vez que acontece”, referindo-se mais concretamente ao caso da invasão em grupo do quartel dos Bombeiros de Borba, em novembro do ano passado, em que vários meios de comunicação social terão identificado os elementos do grupo como de sendo de etnia cigana.


Morte de Giovani. PJ desmente teoria de que terá sido grupo de etnia cigana a atacar o jovem
Informação foi veiculada, num programa de TV, por Carlos Anjos, presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes e ex- elemento da PJ.

“Já aí tivemos a necessidade de escrever um comunicado, em que também repudiámos qualquer tipo de violência”, refere acrescentando “mas sabíamos que havia outros envolvimentos com motivações políticas, relacionadas com o partido Chega”. O ativista pelas comunidades mostra-se particularmente insatisfeito porque desta vez “o comunicado foi enviado para a agência Lusa, bem como para outros jornais ditos nacionais, mas nenhum deles teve a coragem de publicar”, o que o leva a sentir que um contínuo “ostracizar completo às comunidades”.

Para Bruno Gonçalves a perseguição às comunidades ciganas acentuou-se “desde que o Chega chegou à assembleia da República mas começou antes quando, o mesmo, André Ventura em 2017 se candidatou à Câmara Municipal de Loures pelo PSD”. Segundo Gonçalves, André Ventura tem  conseguido “encorajar muita gente que, de repente, ganhou coragem para falar e dizer o que lhes apetecia sem filtros” em relação às comunidades ciganas.

Entre os assinantes do comunicado estão sete associações pelos direitos das comunidades ciganas e um conjunto de ativistas ciganos que denunciam, entre outros, a plataforma online  Notícias do Viriato, “através do seu fundador Carlos Abreu” e a CMTV “através do programa da manhã apresentando pela Maya e que tem como comentador dos casos da criminologia Carlos Anjos, ex-inspector da Polícia Judiciária e presidente da Comissão de Proteção às Vítimas de Crimes”. Segundo o comunicado, Carlos Anjos “não se coibiu de dizer que “aparentemente” os agressores do Luís Giovanni eram um grupo de ciganos como esse facto fosse um fator de minimização e conforto para a sociedade do bárbaro crime cometido”.


Tocava piano na igreja em Cabo-Verde e foi assassinado em Bragança
Luis Giovani dos Santos Rodrigues tinha 21 anos e chegara a Portugal há menos de dois meses para estudar. Natural de Mosteiros, na ilha do Fogo, em Cabo-Verde, tocava piano na Igreja desde criança, juntamente com dois amigos com quem havia formado uma banda de música tradicional cabo-verdiana. Foi espancado e morto nas ruas de bragança. A polícia identificou dois suspeitos.

 Os ativistas apelam ao cumprimento do Código Deontológico dos jornalistas citando o artigo 9º: “o jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da ascendência, cor, etnia, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social, idade, sexo, género ou orientação sexual”. 

Segundo se lê em comunicado, “tudo isso não foi respeitado pelos referidos órgãos de comunicação social” descrevendo que “as redes sociais e a opinião pública “incendiaram-se” e “a promoção do ódio e estigmatização das pessoas ciganas esteve a belo prazer do cidadão comum”. 

“Se esses órgãos de comunicação social referidos não se redimirem das acusações e especulações, iremos agir judicialmente”, lê-se. Quanto a Carlos Anjos os ativistas escrevem que em caso de não receberem um pedido de desculpas, irão “junto do Ministério da Justiça pedir responsabilidades pelas suas palavras”.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.