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As dores de parto, de uma remodelação
Opinião Portugal 2 min. 12.10.2021
Política

As dores de parto, de uma remodelação

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As dores de parto, de uma remodelação

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 12.10.2021
Política

As dores de parto, de uma remodelação

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
No PS, há mesmo quem diga que esta foi a segunda derrota de Fernando Medina porque, já em 2017, ele perdeu a maioria absoluta.

António Costa já percebeu que a remodelação é inevitável, mas vai tentar adiá-la o mais possível e reduzi-la às suas menores proporções. É um assunto em que o Primeiro-Ministro já pensou, embora as agendas interna e europeia não lhe tenham deixado muito tempo disponível para isso.

Foi ouvindo o Presidente da República discorrendo sobre a possibilidade de uma crise política, leu comentários avulsos e ouviu algumas declarações. Uma delas, absolutamente inesperada, veio do ministro das Infra-estruturas. Pedro Nuno Santos, com indisfarçável cinismo, elogiou as capacidades políticas de Fernando Medina e acrescentou que a derrota na Câmara de Lisboa não acaba com a carreira política dele.

Com isto, quis lembrar que Fernando Medina averbou uma inapelável derrota que devia afastá-lo de qualquer possibilidade de ocupar uma pasta ministerial, numa futura remodelação governamental. E disse isto, porque sabe que António Costa pensa em Medina, para o Governo, expediente com que pretende reabilitá-lo, depois da derrota imposta por Carlos Moedas.

No PS, há mesmo quem diga que esta foi a segunda derrota de Fernando Medina porque, já em 2017, ele perdeu a maioria absoluta, com que o PS vinha governando a Câmara de Lisboa.

Mas o cinismo de Pedro Nuno Santos pode ir mais longe. Talvez ele queira manter Medina politicamente vivo, para que lhe seja possível candidatar-se à liderança do PS. Aparentemente, isto seria um paradoxo, porque o próprio Pedro Nuno Santos se apresenta como putativo candidato. Mas as aparências, muitas vezes, iludem.

A eventual candidatura de Medina pode ser útil a Santos, porque divide a votação dos seus adversários, o que lhe facilitaria a vitória.

É de certo modo inopinado ou até maquiavélico que Pedro Nuno Santos pense assim, quando ainda se desconhece a data dessa pugna, o número e a identidade dos candidatos. Mas a política está cheia de exemplos de líderes que começaram a preparar a sua ascensão, com enorme antecedência. E ele pode ser apenas mais um exemplo.

Com tudo isto, são cada vez mais evidentes os nervos de Costa. Ele sabe que a derrota do seu dilecto, na Câmara de Lisboa, tem custos para o seu próprio futuro e para o futuro de um Governo que, nas últimas semanas, tem acumulado desaires. E teme que alguns dos seus ministros, sobretudo os menos aptos, acrescentem asneiras a um rol que já vai longo.

A tudo isto se podem juntar as reivindicações sociais, sobretudo, de sectores, como médicos, militares, polícias e professores. No passado, com as suas lutas, já contribuíram par a queda de outros governos.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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