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Aquecimento acelerado da temperatura no Mediterrâneo vai afetar Portugal
Portugal 3 min. 10.10.2019

Aquecimento acelerado da temperatura no Mediterrâneo vai afetar Portugal

Aquecimento acelerado da temperatura no Mediterrâneo vai afetar Portugal

Foto: Wikipedia
Portugal 3 min. 10.10.2019

Aquecimento acelerado da temperatura no Mediterrâneo vai afetar Portugal

Bruno AMARAL DE CARVALHO
Bruno AMARAL DE CARVALHO
A temperatura aquece mais rapidamente no Mediterrâneo do que no resto do planeta, de acordo com um relatório que alerta para os riscos de “secas extremas” e “desertificação” para países como Portugal.

O Mediterrâneo está na mira dos investigadores por ser uma das zonas do mundo mais vulneráveis ao aquecimento global, uma vez que as consequências do efeito de estufa atingem mais esta do que outras regiões do globo. Um relatório que vai ser divulgado esta quinta-feira em Barcelona mostra que o aumento da temperatura na região mediterrânica já atingiu 1,5 graus acima dos níveis pré-industriais, o que significa que o aquecimento nesta bacia é 20% mais rápido do que a média global.

Se não forem tomadas medidas adicionais para reduzir os gases com efeito de estufa que sobreaquecem o planeta pode ser tudo muito pior: até 2040, esse aumento vai atingir os 2,2 graus e pode ultrapassar os 3,8 graus em algumas zonas da bacia do Mediterrâneo até 2100. Além disso, em apenas duas décadas, 250 milhões de pessoas vão sofrer de graves défices hídricos na região devido às secas extremas.

São 500 milhões as pessoas que vivem em três continentes, que estão em países que rodeiam o Mediterrâneo e que têm um problema comum: as alterações climáticas. A bacia deste mar é um dos pontos quentes desta crise global e alguns dos seus impactos "atingem" esta região "mais duramente que outras partes do mundo", afirmou o professor Wolfgang Cramer, diretor científico do Instituto Mediterrânico de Biodiversidade e Ecologia, com sede em França. 

O El País deu a conhecer as mais importantes do relatório e publicou um mapa que mostra como Portugal vai sofrer com o aumento da temperatura. Por todo o norte do país, no centro e parte do sul interior, a temperatura subirá 2 a 3 graus e, na faixa costeira do Oeste e Sul, o aumento será de entre 1,5 e 2 graus. A parte sudeste do Alentejo e Algarve correm também um risco sério de desertificação.

Estes dados vêm no relatório cujos resultados estão a ser apresentados esta quinta-feira, em Barcelona, durante uma reunião da União para o Mediterrâneo, uma organização internacional na qual estão representados os países desses três continentes que partilham as mesmas águas. Desde 2015 que um grupo de mais de 80 cientistas, coordenado pelo professor Cramer, trabalha no estudo intitulado "Riscos associados às alterações climáticas e às alterações ambientais na região mediterrânica". O relatório pretende ser o maior retrato das alterações climáticas. "Nunca antes uma síntese tão completa foi feita", explicou Cramer sobre o documento.

O coordenador do estudo destacou a vulnerabilidade de muitas das populações da região "porque vivem muito perto do mar e também porque são pobres e têm poucas opções para se protegerem ou se afastarem". O relatório adverte que haverá mais ondas de calor "significativas e duradouras" e "secas extremas que se tornarão mais frequentes".

De todos os impactos, Cramer destaca a subida do nível do mar. Até 2100, o documento indica que ultrapassará o metro, o que significa que poderá confirmar-se o cenário mais pessimista apresentado no recente relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), os cientistas que assessoram a ONU.

Este aumento de um metro terá um impacto sobre um terço da população que vive na costa mediterrânica. Só no norte de África, a subsistência de pelo menos 37 milhões de pessoas estará em risco. Além dos danos causados às cidades pelas inundações, Cramer acrescenta outro risco: "a salinização dos solos utilizados para a agricultura nos deltas e estuários de rios como o Nilo, mas também o Ebro, o Ródano e o Pó.

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