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Amêijoa japónica, uma experiência positiva que pode correr mal no prato
Portugal 29.07.2021
Ambiente

Amêijoa japónica, uma experiência positiva que pode correr mal no prato

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Amêijoa japónica, uma experiência positiva que pode correr mal no prato

Foto: Lusa
Portugal 29.07.2021
Ambiente

Amêijoa japónica, uma experiência positiva que pode correr mal no prato

Começou como "experiência ambiental". Mas a introdução de um tipo de amêijoa japonesa com o objetivo de despoluir os rios Tejo e Sado em Portugal, que estavam contaminados com mercúrio, chumbo, cádmio e biotoxinas, tornou-se um problema de saúde pública que põe em risco a vida de milhares de pessoas se a consumirem.

O projeto começou na província de Setúbal, quando especialistas introduziram a chamada "amêijoa japonica", capaz de absorver poluentes na área afetada, com a intenção de reduzir os níveis de toxicidade da água do Sado atingida por resíduos industriais.

Ao longo dos anos, a iniciativa, que parecia um plano que tinha tudo para resultar, tornou-se "um problema de saúde pública" difícil de resolver, afirmou esta semana à agência espanhola EFE o chefe da Divisão Técnica Ambiental da Guarda Nacional Republicana (GNR), o Tenente-Coronel Ricardo Vaz Alves.

O problema com este tipo de amêijoa é o facto de ser um molusco muito apreciado no mercado internacional, algo que é tido em conta pelos grupos ilegais de apanha deste bivalve, que os capturam em zonas contaminadas para os vender depois em Portugal, Espanha e outros países.

Apesar da sua elevada toxicidade, a amêijoa japónica é vendida porque depois de sujeita a um processo de descontaminação pode ser consumida, algo que não é uma preocupação das redes de apanha ilegal. Uma amêijoa contaminada pode provocar graves problemas de saúde, incluindo a morte.

Para este oficial da GNR, as redes de pescadores que comercializam o molusco tóxico também conseguem falsificar documentos sobre a origem do molusco, de modo a que um produto impróprio para consumo humano possa acabar por ser vendido legalmente em supermercados de Espanha ou Portugal, ou ser distribuído a partir daí para outros países europeus.

Como tal, as autoridades portuguesas e espanholas procuram atacar as redes de distribuição ilegal, já que "é quase impossível" eliminar este tipo de amêijoa. Este trabalho conjunto entre os dois países está a ter algum êxito.

Só em Lisboa, por exemplo, as autoridades estimam que cerca de 1.400 pescadores fazem apanha ilegal deste bivalve. De acordo com o Tenente-Coronel Ricardo Vaz Alves, em maio, foram apreendidas 1,5 toneladas da espécie, impróprias para consumo. 

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