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Almaraz: Portugal cedeu a pressões, acusam ambientalistas espanhóis

Almaraz: Portugal cedeu a pressões, acusam ambientalistas espanhóis

Portugal 3 min. 21.02.2017

Almaraz: Portugal cedeu a pressões, acusam ambientalistas espanhóis

A plataforma espanhola Ecologistas em Acción criticou hoje o acordo entre os governos espanhol e português sobre a central nuclear de Almaraz, considerando que Portugal “cedeu às pressões” de Espanha e da Comissão Europeia.

A plataforma espanhola Ecologistas em Acción criticou hoje o acordo entre os governos espanhol e português sobre a central nuclear de Almaraz, considerando que Portugal “cedeu às pressões” de Espanha e da Comissão Europeia.

Num comunicado hoje divulgado, a Plataforma, que congrega mais de 300 grupos ecologistas de toda a Espanha, afirma que “o Governo português não foi capaz de se manter firme na sua denúncia de irregularidades do Governo espanhol ao autorizar” um armazém de resíduos na central nuclear de Almaraz.

A Comissão Europeia anunciou hoje que acordou com os governos de Portugal e Espanha uma “resolução amigável” para o litígio em torno de Almaraz, que prevê uma visita conjunta à central nuclear, com a participação do executivo comunitário.

Mediante esse acordo Portugal comprometeu-se a retirar a queixa que apresentou à Comissão Europeia a 16 de janeiro.

“As pressões, tanto do Governo espanhol como da Comissão Europeia, e a oferta de acelerar as interconexões energéticas parecem ter sido demasiado fortes para ele”, diz-se no comunicado, sendo o “ele” o Governo de Portugal.

No documento os ecologistas lembram que também interpuseram uma ação, a 31 de janeiro, contra a decisão de se construir um armazém de resíduos em Almaraz, uma central nuclear a apenas cem quilómetros da fronteira de Portugal.

E acrescentam que um dos motivos é que “foram ignorados os impactos transfronteiriços da obra”.

Uma fuga radioativa, alertam os ecologistas, podia acabar no rio Tejo e afetar por isso Portugal.

Tal, dizem, já aconteceu em 1970, quando vestígios de uma fuga de água radioativa na antiga Junta de Energia Nuclear, Madrid, foram detetados na foz do Tejo.

O grupo ambientalista (como outros grupos em Portugal) diz que a construção do armazém destina-se a prolongar a vida da central além de 2020, quando a central está quase com 40 anos.

E ao aceitar o acordo o Governo de Portugal está aceitar que se prolongue uma central até aos 60 anos, não ouvindo “a voz da maior parte da população portuguesa e do parlamento português”, afirma-se no documento.

E acrescenta-se: “reatores nucleares com mais de 40 anos são um risco inaceitável”.

PR apela a união de esforços que torne definitivo o acordo preliminar

Entretanto, o Presidente da República Portuguesa apelou hoje aos partidos portugueses e espanhóis, do Governo e da oposição, para que unam esforços de modo a transformar o pacto preliminar sobre Almaraz, feito para “dar uma folga e um tempo”, num acordo definitivo.

"Vamos esperar, vamos esperar. Este acordo é um acordo para dar tempo para se chegar a um acordo. É um acordo preliminar para dar uma folga e um tempo para ver se é possível um acordo", respondeu Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas à margem de uma conferência em Lisboa.

O Presidente da República foi questionado sobre o anúncio hoje feito pela Comissão Europeia de que tinha acordado com os governos de Portugal e Espanha uma "resolução amigável" para o litígio em torno de Almaraz.

Na opinião do Presidente da República, todos ganhariam, do lado português e do lado espanhol, se fossem unidos "os esforços para conseguir o acordo definitivo".

"E aí penso que os dois governos, os partidos de um lado e de outro que têm influência - quer no Governo, quer na oposição, podem e devem ajudar porque há partidos diferentes nos governos dos dois países que têm parceiros noutros partidos do outro país que deviam juntar esforços a ver se é possível transformar este acordo para permitir um acordo num acordo definitivo",apelou.

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