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Ajuda do Luxemburgo a Portugal. Uma ponte de solidariedade contra a covid-19
Portugal 6 min. 16.02.2021

Ajuda do Luxemburgo a Portugal. Uma ponte de solidariedade contra a covid-19

A médica luxemburguesa, Modesta Dargeviciute (D) e a enfermeira luso-descendente, Filomena Silva Costa (E), elementos da primeira equipa de profissionais de saúde luxemburgueses que vai apoiar o serviço de medicina intensiva do Hospital do Espírito Santo de Évora, no final da sessão de receção nesta unidade de saúde, em Évora.

Ajuda do Luxemburgo a Portugal. Uma ponte de solidariedade contra a covid-19

A médica luxemburguesa, Modesta Dargeviciute (D) e a enfermeira luso-descendente, Filomena Silva Costa (E), elementos da primeira equipa de profissionais de saúde luxemburgueses que vai apoiar o serviço de medicina intensiva do Hospital do Espírito Santo de Évora, no final da sessão de receção nesta unidade de saúde, em Évora.
Foto: Lusa
Portugal 6 min. 16.02.2021

Ajuda do Luxemburgo a Portugal. Uma ponte de solidariedade contra a covid-19

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Primeira equipa médica já está a trabalhar no Hospital de Évora e no domingo está previsto chegar uma segunda para reforçar o apoio.

A primeira equipa médica luxemburguesa já está em Portugal a trabalhar no apoio aos profissionais do Hospital do Espírito Santo de Évora e vai ficar duas semanas para ajudar doentes covid-19 internados nos cuidados intensivos daquela estrutura alentejana. 

Esta equipa, que chegou no domingo e foi organizada pela Luxembourg Air Rescue (LAR), é composta por uma médica de urgência especializada em anestesia e reanimação e uma enfermeira graduada e professora no Lycée Technique pour Professions de Santé (LTPS). Especialidades de que o hospital carece, ainda que nesta fase já se note um alívio face a janeiro, como explica ao Contacto a presidente do conselho de administração do hospital, Maria Filomena Mendes. “Felizmente, temos um abrandamento da pressão, não apenas sobre o serviço de urgência, mas também e consequentemente sobre todas as áreas de internamento, em particular sobre a enfermaria. E estamos também já a sentir algum abrandamento nas áreas dos cuidados intensivos, mas onde ele é menor”. 

Estas unidades exigem ainda a maior resposta e foi para elas que foi alocada a ajuda médica especializada do Luxemburgo, destinada ao Hospital de Évora pelo ministério da Saúde português, depois de este ter acionado a oferta de apoio do Grão-Ducado. “As maiores dificuldades que sentimos têm sido sobretudo de recursos humanos porque na área dos cuidados intensivos é preciso uma formação e um treinamento muito especial, muito específico e já bastante avançado, quer na área da enfermagem, quer na área médica. E, efetivamente, este reforço que possamos ter, vindo do Luxemburgo, é extraordinariamente bem-vindo. Apesar deste abrandamento, continuamos a ter muitas solicitações de internamento e de doentes muito críticos na nossa unidade de cuidados intensivos”, refere a responsável. 


Embaixador português agradece apelo do Partido Pirata para que Luxemburgo ajude Portugal
Até agora, o Grão-Ducado continua sem receber qualquer pedido formal mas mostra-se disponível para ajudar.

 Nesta fase, grande parte da resposta do hospital nessas unidades é dirigida aos doentes covid-19, que neste momento são os que representam a maioria das situações críticas. À semelhança do que acontece com outros hospitais portugueses também em Évora a atividade médica programada sofreu alterações para acorrer àqueles pacientes. “Apesar de mantermos também uma unidade de cuidados intensivos não covid, essa unidade tem tido muito menor pressão. Também porque muitos dos doentes acabam por ficar infetados e contraírem a doença covid-19 e, por outro lado, porque houve um abrandamento em todas as nossas consultas e cirurgias que não sejam inadiáveis, urgentes ou emergentes.”

Embora o Alentejo seja uma região envelhecida, ao contrário do que aconteceu na primeira vaga, os doentes covid-19 que têm chegado ao hospital são “mais jovens e nos quais a doença se tornou mais grave”. O “reforço valioso” do Luxemburgo será, por isso, dirigido às duas unidades de cuidados intensivos covid-19 – a segunda foi uma extensão da primeira para fazer face ao agravamento da pandemia. 

No próximo domingo parte uma segunda equipa do Grão-Ducado, que deverá ficar “também duas semanas”, como explicou o embaixador do Luxemburgo em Portugal, Conrad Bruch, que admite ter ficado impressionado com a gravidade da situação espelhada naquelas estruturas. “Fiquei ainda com mais respeito pelo vírus covid-19 depois de visitar a unidade de cuidados intensivos do Hospital do Espírito Santo.” 

A primeira equipa luxemburguesa começou o seu trabalho no hospital de Évora na segunda-feira e foi recebida oficialmente pelo embaixador e pelo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales. Ao Contacto, Conrad Bruch qualifica este apoio como “uma excelente demonstração das relações estreitas e de amizade que existem”, entre os dois países, e “constitui um ato de solidariedade do Luxemburgo para com um país amigo”. 


Hospital de Évora. "Esta manifestação de solidariedade do Luxemburgo toca-nos imenso e sensibiliza-nos"
Dois médicos e dois enfermeiros partem do Luxemburgo esta semana para reforçar os cuidados intensivos do hospital e ajudar a tratar doentes covid.

Um gesto que é visto pelo hospital de uma forma emocionada. “Esta manifestação de solidariedade toca-nos imenso, sensibiliza-nos e emociona-nos, até, porque a saúde é uma questão global. A pandemia é transversal a todos os países e esta generosidade de saírem do seu país, da sua zona de conforto e virem apoiar os hospitais portugueses, no nosso caso um pequeno hospital do interior, tem um enorme significado para nós”, salienta Maria Filomena Mendes. 

Questionado, pelo Contacto, sobre se está previsto estabelecer outro tipo de entreajuda, a partir daqui, entre os dois países, no âmbito da saúde, o embaixador luxemburguês prefere remeter-se para a situação presente. “Neste momento estamos concentrados no apoio médico, com o envio das duas equipas médicas luxemburguesas. E felizmente a situação em matéria de pandemia está a melhorar em Portugal.” A segunda equipa, que chegará nos próximos dias e ficará também duas semanas, irá reforçar o apoio às unidades de cuidados intensivos, em conjunto com a primeira equipa, numa primeira fase. Para futuro, fica a troca de aprendizagens, que Maria Filomena Mendes crê ser uma mais valia para ambos os países. “Esta vinda dos médicos e dos enfermeiros oriundos do Luxemburgo vai-nos permitir uma partilha de experiências, boas práticas e conhecimento que vai certamente enriquecer bastante todos nós”, considera. 

Há ainda a vantagem de entre os elementos que integram a primeira equipa haver quem fale português. “Houve essa preocupação, uma vez que facilita o contacto localmente”, refere o embaixador. Conrad Bruch acrescenta que “esta presença é muito apreciada” pelos portugueses, mesmo que no Hospital do Espírito Santo as pessoas com quem se reuniu mostrassem que dominam “perfeitamente a língua inglesa”, o que facilitará a comunicação com outros membros das equipas. 

O Luxemburgo foi o primeiro país a oferecer ajuda a Portugal nesta terceira vaga mas para a diretora do hospital de Évora não é só isso que o torna especial. “Tem um particular significado o facto de os profissionais serem oriundos do Luxemburgo porque nós sabemos que temos uma comunidade de emigrantes e lusodescendentes muito significativa no país e é como se nos estivéssemos a ajudar todos uns aos outros. Como se fosse uma ponte e uma união com quem, não estando aqui, está a dar-nos ânimo de longe.”


Esta é a equipa médica luxemburguesa que está a apoiar Portugal
Equipa da Luxembourg Air Rescue chegou no domingo a Portugal para reforçar o hospital de Évora. Vai ajudar doentes covid-19 internados nos cuidados intensivos.

Filomena e Modesta, uma dupla feminina no apoio do Luxemburgo

A enfermeira Filomena Silva Costa, que leciona no LTPS, e a médica Modesta Dargeviciute, que trabalha no maior hospital de Trier e na Luxembourg Air Rescue, são a dupla que compõe a primeira equipa do Grão-Ducado destacada para este apoio.

Na conferência de imprensa, que se seguiu à receção oficial à equipa, esta tarde, em Évora, a enfermeira lusodescendente contou, em breves declarações em português, que as imagens da "situação dramática" que Portugal viveu há semanas e fizeram querer ajudar o país no qual tem as suas raízes.

“Senti-me muito frustrada e quando recebi uma mensagem da reserva sanitária, onde estou inscrita desde março de 2020, fiquei muito feliz e telefonei logo à minha mãe a perguntar se ela estava de acordo que eu me ausentasse durante 15 dias e se tomava conta do meu filho e ela concordou”, disse, acrescentando que a equipa se sente feliz "por poder ajudar" e que está a integrar-se bem no hospital de Évora.


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