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Aeroporto do Porto. Torre de controlo autorizou descolagem com viatura na pista
Portugal 3 min. 06.05.2021

Aeroporto do Porto. Torre de controlo autorizou descolagem com viatura na pista

Aeroporto do Porto. Torre de controlo autorizou descolagem com viatura na pista

Foto: Lusa
Portugal 3 min. 06.05.2021

Aeroporto do Porto. Torre de controlo autorizou descolagem com viatura na pista

Aeronave envolvida no incidente, que ocorreu a 27 de abril e que foi agora divulgado, era um avião com destino a Liège, na Bélgica.

A torre de controlo do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, autorizou a descolagem de um avião quando ainda se encontrava na pista uma viatura a realizar uma inspeção.

O incidente, que foi classificado de "grave" e está a ser investigado, ocorreu a 27 de abril deste ano, tendo sido agora publicamente divulgado.

De acordo com nota do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), o incidente aconteceu às 20h35, quando “um operador e respetiva viatura ‘follow-me’ solicitou autorização ao controlador [aéreo] de serviço [CTA] na torre do Aeroporto do Porto para entrar na pista, por forma a efetuar a inspeção noturna prevista, a 4.ª inspeção do dia”, a qual teve início “após respetiva autorização por parte do CTA”.

A mesma nota explica que 11 minutos depois, "estando duas aeronaves em preparativos para descolagem, o CTA “deu autorização para que um Boeing 737-400 [FDX4959]” se dirigisse para a pista 35, refere o GPIAAF, acrescentando que, “cerca de um minuto depois”, a tripulação da aeronave, que fazia um voo de carga para a FedEx e era operado pela ASL Airlines Belgium, “informou o CTA [de] que estava pronta para descolagem”, tendo a torre de controlo dado autorização para a descolagem.

"Nesse momento, o 'follow-me' ainda se encontrava na pista, mais precisamente na soleira da Pista 17, já em direção a sul”, refere a mesma nota.  

O documento do GPIAAF relata que o operador da viatura “reparou numas luzes fortes na linha central de pista, na zona dos caminhos de circulação C e D, luzes que pareciam estar em movimento, e por esse motivo contactou a torre via rádio, questionando se havia alguma aeronave a alinhar na pista” para descolar.  

“O CTA confirmou uma aeronave em corrida de descolagem e solicitou ao 'follow-me' uma saída imediata para a berma esquerda da pista. Pela perceção do operador do 'follow-me' e provisoriamente verificados nos dados do radar de solo, a distância entre a aeronave e o veículo foi estimada em torno dos 300 metros”, concluiu, para já, a investigação.

Segundo relato da tripulação do voo FDX4959, após ter sido autorizada a descolar, reparou “em luzes brancas na pista que, atendendo ao ambiente noturno, se confundiam com as luzes de berma da pista”.

“Já durante a subida, a tripulação questionou o CTA – controlador aéreo - sobre o sucedido com a presença de um veículo na pista, onde o CTA reportou ter sido um equívoco”, lê-se na Nota Informativa do GPIAAF.

Discutido o evento com o CTA, a tripulação procedeu com o voo para Liège, na Bélgica, onde aterrou duas horas depois em segurança e sem reporte de ocorrências adicionais.

Após a descolagem, segundo as comunicações via rádio entre a Torre de Controlo do Porto e a tripulação, a que a agência Lusa teve hoje acesso, ouve-se o piloto comandante a questionar o controlador aéreo se iria reportar a situação, considerando tratar-se de “um incidente bastante grave”, tendo o controlador aéreo respondido que a tripulação poderia reportar a situação, “se assim desejasse”.

A investigação do GPIAAF vai debruçar-se sobre “o funcionamento do órgão ATC [Controlo do Tráfego Aéreo] e os respetivos fatores organizacionais, procedimentos envolvidos na coordenação das operações de terra, os fatores humanos envolvidos, fatores técnicos e equipamentos disponíveis e as medidas de gestão do risco relativamente às incursões de pista”.

Entretanto, esta quarta-feira, a NAV anunciou ter em curso “um processo de averiguações interno” e que "desencadeou todos os mecanismos e procedimentos previstos para este tipo de situação assim que o mesmo se verificou".

com Lusa

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