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Adeus Luxemburgo. "Voltámos de vez para Portugal"
Portugal 5 min. 06.07.2022
Sonho realizado

Adeus Luxemburgo. "Voltámos de vez para Portugal"

O casal Helena e Pedro com os filhos Eduardo e Beatriz e a cadelinha Yara já adotada em Portugal.
Sonho realizado

Adeus Luxemburgo. "Voltámos de vez para Portugal"

O casal Helena e Pedro com os filhos Eduardo e Beatriz e a cadelinha Yara já adotada em Portugal.
Rodrigo Cabrita
Portugal 5 min. 06.07.2022
Sonho realizado

Adeus Luxemburgo. "Voltámos de vez para Portugal"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Helena e Pedro regressaram há dois anos para o seu país natal. Garantem que a cada dia que passa "se sentem mais felizes" com a decisão tomada.

A família Girão Rodrigues viveu no Luxemburgo durante cinco anos e desde o início planearem regressar ao seu país natal no verão de 2020, altura que o filho mais velho, Eduardo, agora com 12 anos, terminaria a primária e começava um novo ciclo escolar. Helena e Pedro tem ainda a pequena Beatriz, de quatro anos. Tal como os pais, os meninos gostam muito de viver em Portugal.

Um estudo divulgado na terça-feira em Portugal revela que mais de 70 por cento dos portugueses radicados no estrangeiro quer um dia voltar para o seu país natal. 

Cumpriram o sonho e não se arrependem um minuto. "A cada dia que passa nós e os miúdos estamos mais felizes por termos voltado. Não podíamos estar mais contentes e realizados", declarou ao Contacto Helena Girão, de 39 anos, falando com entusiasmo do clima de Portugal e de poder estar de novo junto da família.

“Tenho seis sobrinhos e os meus filhos adoram poder estar com eles, e com a avó sempre que desejam. No Luxemburgo, o Eduardo tinha muitas saudades dos primos e dos avós”, lembra esta portuguesa, salientando como gosta da casa em Palmela, onde as crianças têm espaço para brincar e estão perto do mar.

"Neste momento, os meninos estão a ir à praia com a escola", algo que não poderiam fazer no Grão-Ducado.

Mesmo profissionalmente, Helena conta que não foi difícil recomeçar uma nova carreira no seu país natal. Neste momento já é diretora comercial na sua região de uma das maiores agências imobiliárias de Portugal e o marido Pedro Rodrigues, 41 anos, abriu uma empresa que reúne o alojamento local para turistas, e de trabalhos de eletricidade, a sua profissão. 

Família de Helena e Pedro com os filhos Eduardo e Beatriz vive em Palmela numa casa com jardim.
Família de Helena e Pedro com os filhos Eduardo e Beatriz vive em Palmela numa casa com jardim.
Foto: Rodrigo Cabrita

Luxemburgo é "fantástico"

Os anos passados no Grão-Ducado não irão esquecer. "O Luxemburgo é um país fantástico para se viver, adorámos lá estar, vinca Helena. Como homenagem ao país que os acolheu e que não esquecem a empresa de alojamento local e de trabalhos de eletricista de Pedro foi batizada com um feliz "olá" ou "bom dia" em luxemburguês.


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"O Luxemburgo marcou-nos e quando o Pedro abriu a empresa decidimos chamar-lhe 'Moien'", contou Helena Girão. 

A localização geográfica em muito ajudou à escolha deste país para a "aventura" de uma vida fora de Portugal. "Adoramos viajar e passeámos muito aos fins de semana. Em 2019 visitámos 11 países", conta Helena de sorriso largo no rosto e os olhos a brilhar.

Embora o casal tivesse em Portugal uma "vida confortável", o desejo de viver uns anos no estrangeiro foi mais forte e quando foram visitar uns amigos ao Luxemburgo perceberam que aquele era o país onde queriam "passar os próximos anos". Despediram-se dos seus empregos – o "Pedro trabalhava há 15 anos na mesma empresa e eu estava na minha área, em gestão e recursos humanos" – e rumaram mais o filho Eduardo e a cadela Mel para o Grão-Ducado. A Beatriz, de quatro anos, já nasceu no Luxemburgo.

"O nosso objetivo foi experimentar uma vida nova e melhorar a nossa vida, estar uns anos fora e regressar. Durante estes anos investimos em bens imobiliários em Portugal e aproveitámos o tempo no Luxemburgo para passear muito e conhecer outros países", diz Helena contando que até a Mel "passeou muito lá". Já cá em Portugal decidiram dar uma amiga à cadelinha e adotaram a branquinha Yara.

"Foi uma ótima experiência e fizemos muitos amigos", vinca esta portuguesa nascida em Sintra que ao contrário de muitos portugueses não estranhou o clima do Luxemburgo e a falta de sol. "O tempo no Luxemburgo é igual ao de Sintra, muito nublado".

"Quando tínhamos saudades do mar íamos até à costa belga", relembra Helena contando que em Portugal tem saudades do verde da "sua" floresta, em Niederkorn, onde ia correr todos os dias com uma amiga. "Agora corro na serra, mas o verde não é igual".

Quando se mudaram para o Luxemburgo, Pedro Rodrigues continuou a sua profissão de eletricista e Helena ficou seis meses em casa, para apoiar o filho Eduardo na nova escola e país. Além de esperar pela oportunidade de um emprego que gostasse ligado à sua área. Acabou por encontrar como gestora de loja tendo depois mudado para a emprega onde permaneceu até ao fim, no serviço de apoio ao emigrante numa instituição financeira.


Contacto, entretien avec un retraité Portugais, Foto: Chris Karaba/Luxemburger Wort
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Desde o primeiro ano no Luxemburgo que o filho frequentou as aulas da Escola Portuguesa, "para continuar sempre a aprender a língua portuguesa de modo a que quando voltássemos para cá ele estivesse preparado", salienta Helena Girão deixando o "mesmo conselho a todos os pais" que pensem em emigrar para o Luxemburgo. Quando regressaram Eduardo foi para o 5ª ano, "saltou um ano pois lá [no Luxemburgo] ele iria para a quarta classe".

A família Girão Rodrigues regressou há dois anos a Portugal.
A família Girão Rodrigues regressou há dois anos a Portugal.
Foto: Rodrigo Cabrita

Saudades da família

Os filhos são muito felizes em Portugal, afirma Helena. "No Luxemburgo, todos os domingos realizávamos uma videochamada com a família de cá, com a avó e os seis primos e o Eduardo ficava triste por não poder estar com eles", lembra a mãe que compreendia bem o sentimento do filho.

As saudades da família, dos pais e da sua irmã gêmea - "somos muito unidas" - foi o que mais lhe custou no Luxemburgo. Cá, tem saudades dos muitos amigos que lá fez, "portugueses, franceses, luxemburgueses e de outras nacionalidades". "Nós fomos para lá com a vontade de conhecer uma nova realidade e novas pessoas e para mim é fácil fazer amigos, por isso, ganhámos muitos lá. Pessoas fantásticas". 

Quando cá chegaram Helena voltou a ficar uns meses em casa para apoiar a integração dos dois filhos. Dois anos se passaram desde o verão do regresso em 2020. "Agora já não vamos sair de Portugal", garante a sorrir acrescentando que "os portugueses que conheço que regressaram do Luxemburgo no mesmo ano que nós também estão muito felizes e realizadas aqui em Portugal". 

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