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Acidente com Alfa. Veículo de manutenção não tinha sistema de controlo automático de velocidade
Portugal 4 min. 04.08.2020

Acidente com Alfa. Veículo de manutenção não tinha sistema de controlo automático de velocidade

Acidente com Alfa. Veículo de manutenção não tinha sistema de controlo automático de velocidade

LUSA
Portugal 4 min. 04.08.2020

Acidente com Alfa. Veículo de manutenção não tinha sistema de controlo automático de velocidade

Redação
Redação
O Veículo de Conservação de Catenária, no qual seguiam as duas vítimas mortais e que passou um sinal vermelho, não estava equipado com o sistema CONVEL, que teria desencadeado a frenagem automática.

O descarrilamento do Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, com 212 passageiros, provocou na passada sexta-feira, 31 de julho, dois mortos e 44 feridos, oito dos quais graves.

Segundo nota informativa do Gabinete do Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) , a que a agência Lusa teve acesso, um Veículo de Conservação de Catenária, no qual seguiam duas pessoas – as duas vítimas mortais –, passou um sinal vermelho e entrou na Linha do Norte, tendo sido abalroado pelo comboio Alfa Pendular.

“Os VCC, tal como a generalidade dos veículos de manutenção de via no nosso país, não estão equipados com o sistema CONVEL, motivo pelo qual não foi desencadeada a frenagem automática resultando na consequente imobilização do VCC 105 antes de atingir um ponto de perigo”, sublinha a nota informativa.

O comboio seguia no sentido sul - norte com destino a Braga e o descarrilamento ocorreu após o embate entre o Alfa Pendular e uma máquina de trabalho, perto da vila de Soure, junto à localidade de Matas.

A Infraestruturas de Portugal justificou, esta segunda-feira, a não instalação do sistema de controlo automático de velocidade nos veículos de conservação de catenária (VCC) com “uma situação muitíssimo complexa do ponto de vista técnico” que apenas foi solucionada há 10 dias.

Em conferência de imprensa, realizada nas instalações da Infraestruturas de Portugal (IP), em Almada (distrito de Setúbal), o presidente da empresa, António Laranjeiro, assegurou ainda que foi dado cumprimento a todas as recomendações do relatório do GPIAAF divulgado em 2018.

Esse relatório era uma resposta a uma recomendação de segurança do próprio GPIAAF, que alertou para o risco de estes veículos circularem sem o sistema de controlo automático de velocidade (CONVEL), após um deles ultrapassar “indevidamente” um sinal vermelho na estação Roma-Areeiro, em Lisboa, em janeiro de 2016.

No relatório de há dois anos consta também o compromisso da IP em instalar o CONVEL nos VCC.

“Estão tomadas todas as recomendações que eram de implementação imediata e em curso aquelas em que, não sendo de implementação imediata, está a decorrer o processo”, disse o presidente da IP.


O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos (C), observa uma mulher ferida depois do descarrilamento do comboio Alfa Pendular na Linha do Norte, após colisão com uma máquina de trabalho, que causou dois mortos e sete feridos graves afirmou à agência Lusa fonte da Proteção Civil, Soure, Coimbra, 31 de julho de 2020. O embate terá ocorrido na zona de Casalinhos, concelho de Soure e de acordo com a mesma fonte, estão a ser mobilizados para o local 69 veículos com 176 operacionais. PAULO CUNHA / LUSA
Vítimas mortais no descarrilamento em Soure eram trabalhadores da REFER
De acordo com o comandante, as duas vítimas mortais eram os únicos ocupantes da máquina da REFER - Rede Ferroviária Nacional.

António Laranjeiro rejeitou também que a não instalação até agora do CONVEL nos veículos de manutenção da IP tenha que ver com questões financeiras.

Na conferência de imprensa, o vice-presidente da IP, Carlos Fernandes, avançou que atualmente há 1.600 quilómetros de rede ferroviária nacional já com CONVEL e sinalização eletrónica instalada e 950 quilómetros em que ainda falta instalar o CONVEL.

Sindicatos contestam falhas de segurança

O Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) diz que a Infraestruturas de Portugal (IP) tem a obrigação de fazer auditorias ao seu Sistema de Gestão de Segurança para apurar os riscos e reduzi-los.

Na sequência da colisão de sexta-feira, o SMAQ questiona, em comunicado, porque não foram tomadas medidas para reduzir o risco.

"Por que razão não foram adotados procedimentos regulamentares mitigadores do risco sempre que os veículos especiais da IP, não equipados com CONVEL, circulem em via aberta à circulação de comboios equipada com o sistema CONVEL, tal como está inscrito na recomendação do GPIAAF n.º 2018/16", acentua a estrutura sindical.


Composições do comboio Alfa Pendular após ter descarrilado na Linha do Norte, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, após colisão com uma máquina de trabalho, afirmou à agência Lusa fonte da Proteção Civil, Soure, Coimbra, 31 de julho de 2020. O embate terá ocorrido na zona de Casalinhos, concelho de Soure e de acordo com a mesma fonte, estão a ser mobilizados para o local 39 veículos com 110 operacionais. PAULO CUNHA / LUSA
Acidente no Alfa. Investigação conclui que Veículo de Conservação de Catenária passou sinal vermelho
O descarrilamento de um comboio Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, com 212 passageiros, provocou na sexta-feira dois mortos e 44 feridos, oito dos quais graves.

  O SMAQ salienta que as recomendações do GPIAAF estão publicadas desde 2018, a IP tinha a "consciência" da dificuldade técnica de equipar os VCC com o sistema CONVEL e alerta para o "número elevado" de ultrapassagem de sinais vermelhos por parte de veículos da IP. 

Já a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) vai mais longe e critica a administração da Infraestruturas de Portugal (IP) por "pretender antecipar as conclusões do inquérito" ao acidente em Soure, exigindo "a sua demissão de imediato".  

"É altura de o ministério da tutela substituir esta administração incapaz de dar prioridade a um assunto importante para evitar acidentes ferroviários e devolver à ferrovia o que é da ferrovia, concentrando nesta a gestão unificada de todos os seus segmentos - operação, infraestruturas e manutenção", defende a estrutura sindical, em comunicado.  

 Entretanto, esta terça-feira, o grupo parlamentar do BE questionou o Ministério das Infraestruturas e Habitação sobre segurança ferroviária, na sequência do acidente de Soure, perguntando se o governo está "disponível para investir, junto com a Infraestruturas de Portugal, na dotação do “CONVEL” em todos os veículos de serviço e no reforço da formação dos condutores destes veículos” e “qual o plano de segurança e prevenção ferroviária atual".

com Lusa

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