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A situação é "insustentável" nas Forças Armadas portuguesas
Portugal 3 min. 18.07.2019 Do nosso arquivo online

A situação é "insustentável" nas Forças Armadas portuguesas

A situação é "insustentável" nas Forças Armadas portuguesas

Foto: Lusa
Portugal 3 min. 18.07.2019 Do nosso arquivo online

A situação é "insustentável" nas Forças Armadas portuguesas

O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas portuguesas considera que situação é "insustentável" e denuncia que a estrutura que comanda recusou recentemente um pedido de apoio da Proteção Civil por falta de meios.

Durante a entrevista ao Público e à Renascença, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas portuguesas (CEMGFA), almirante Silva Ribeiro, denunciou que a situação é “insustentável” e enfatizou “o esforço tremendo” dos seus militares num cenário de falta de recursos. Durante a emissão transmitida ao início da tarde desta quinta-feira, Silva Ribeiro destacou que, ainda assim, há aspetos positivos para além de episódios que debilitaram a imagem das forças armadas como o roubo nos paióis de Tancos e a morte de comandos em treino. A falta de recursos humanos, a fraca adesão à carreira, as diferenças salariais com a PSP e a GNR são alguns dos problemas levantados pelo CEMGFA. Recordou que uma praça no quadro permanente recebe menos “quase 400 euros” do que um agente da PSP ou um guarda da GNR e que quando estas forças abrem concurso o exército perde efetivos. Só este ano foram 800.

“O problema mais grave das Forças Armadas é a falta de recursos humanos, com os que temos vamos cumprindo as missões, só que isto leva a um esforço tremendo. Não temos os 32 mil efectivos que devíamos, só 26 mil”, revelou Silva Ribeiro. Isto faz com que os militares tenham de repetir missões com um tempo de descanso reduzido. “Quando se vai para uma operação destas de combate o stress psicológico nos nossos militares é tremendo e não se pode estar a dar apenas seis meses ou um ano de intervalo, tem de se dar mais. É por isso que muitos abdicam da sua carreira militar, sobretudo os contratados. Isto é insustentável.” 

Com o país envolvido em missões na República Centro-Africana, Afeganistão, Iraque e Mali, o CEMGFA mostrou grande preocupação uma vez que “os comandos têm 156 praças na República Centro-Africana e no regimento de comandos [em Portugal] só têm mais 60”.

Silva Ribeiro afirmou ainda ao Público e à Renascença que tem alertado o governo e revelou que recentemente recusaram um pedido de apoio da Proteção Civil por falta de meios. “Esta situação tem de ser parada, estamos em risco de desequilíbrio entre as missões e os meios humanos. A realidade dos efetivos é absolutamente insuficiente. Não tem a ver com as forças destacadas, mas com o conjunto de missões. Recentemente recusámos um pedido da protecção civil de mais militares para patrulhas de vigilância. Esta situação é insustentável. É o problema mais premente das Forças Armadas que os chefes militares e também os responsáveis políticos estão empenhados em reverter. É uma situação que não é de hoje e se tem vindo a degradar há anos”.

O CEMGFA referiu que a Marinha tem navios “que não têm lotações completas” e que o Exército “tem regimentos que deviam ter 360 praças e têm 100, 120” para além da degradação de alojamentos onde os jovens “não estão dispostos a viver.

Ainda assim, Silva Ribeiro preferiu atribuir aos políticos a responsabilidade de debater o Serviço Militar Obrigatório sem assumir uma posição deixando claro que as Forças Armadas “encararão de acordo com o que for decidido” do ponto de vista político. “Daremos contributos, mas quero deixar bem claro que as Forças Armadas não são o local para resolver problemas de desinserção familiar, educação e formação cívica que devem ser resolvidos nas escolas. As Forças Armadas podem dar um contributo, mas antes existem as famílias e as escolas”, afirmou.

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