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A 'septimana horribilis' de Marcelo
Opinião Portugal 2 min. 08.11.2021
Política

A 'septimana horribilis' de Marcelo

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A 'septimana horribilis' de Marcelo

Foto: AFP
Opinião Portugal 2 min. 08.11.2021
Política

A 'septimana horribilis' de Marcelo

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Tanto o BE, como o PCP, fizeram análises disruptivas da situação e ignoraram os apelos de Marcelo.

Marcelo Rebelo de Sousa fez e disse mais asneiras numa semana, que nos quase seis anos que leva, em Belém. Se ele passar estes sete dias em retrospectiva, concluirá que foi uma septimana horribilis.

Começou por constatar que tinha falhado a sua pressão, sobre os partidos da geringonça, para que viabilizassem o Orçamento. Ameaçou-os, com a dissolução do parlamento e a antecipação de eleições, enquanto muitos lhe pediam mais silêncio e contenção verbal. Mas sabe-se como o silêncio é um exercício difícil, para uma pessoa que gosta de falar sobre tudo e sobre nada.

Tanto o BE, como o PCP, fizeram análises disruptivas da situação e ignoraram os apelos de Marcelo. O Orçamento foi mesmo chumbado e o PR viu-se obrigado a cumprir aquilo que tinha dito. Usou a bomba atómica.

Pelo meio ficaram os pedidos de clemência do BE e do PCP. Ambos desconfiam que as eleições os vão punir, como já dizem as primeiras sondagens. Por isso, quando a casa já estava a arder, vieram dizer que havia mais soluções, para além da dissolução. Mas o fogo já tinha chegado ao tecto, com Marcelo a convocar partidos para saber que datas preferiam para o regresso às urnas e a convocar também o Conselho de Estado, formalismo que lhe é imposto pela Constituição. BE e PCP começavam a perceber a extensão da derrota que os espera.


Portugal vai a votos no dia 30 de janeiro
Marcelo Rebelo de Sousa dissolveu o Parlamento e anunciou a data das eleições legislativas. O país vai a votos no final de janeiro de 2022.

Também por estes dias, o PR recebeu em Belém o candidato à liderança do PSD, Paulo Rangel. Não o devia ter feito, porque a Presidência da República não pode servir de rampa de lançamento para qualquer pretendente a qualquer lugar. As críticas fizeram-se ouvir, tanto mais que Rangel vai disputar essa liderança, contra Rui Rio, com quem Marcelo mantém um velho contencioso. São azedumes que vêm do tempo em que Marcelo era presidente do PSD e Rio secretário-geral. Os diferendos entre os dois atingiram uma tal dimensão, que Rui Rio se demitiu, ficando de costas voltadas para Marcelo, até há bem pouco tempo. Só as obrigações institucionais os fizeram arrefecer as animosidades.

Mas há mais. No momento em que o Parlamento, na prática, destituía o Governo, Marcelo saiu do Palácio de Belém por uma porta lateral, a pé, atravessou toda a zona frontal do palácio, seguido por um batalhão de repórteres, e parou junto a um multibanco para, prosaicamente, pagar umas contas. Foi um show-off que ninguém entendeu e que provocou mais um coro de críticas.

Terminou a semana, com um ruidoso acidente de viação, embatendo com o seu carro, numa parede de Belém. Keep calm, Mr President!

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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