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A história inacabada de um aeroporto!
Opinião Portugal 2 min. 26.09.2022
Obras públicas

A história inacabada de um aeroporto!

O primeiro-ministro, António Costa, ladeado pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, fala aos jornalistas após uma reunião com o presidente do PPD/PSD, Luís Montenegro, sobre o novo aeroporto de Lisboa, a 23 de setembro de 2022.
Obras públicas

A história inacabada de um aeroporto!

O primeiro-ministro, António Costa, ladeado pelo ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, fala aos jornalistas após uma reunião com o presidente do PPD/PSD, Luís Montenegro, sobre o novo aeroporto de Lisboa, a 23 de setembro de 2022.
Foto: António Pedro Santos/Lusa
Opinião Portugal 2 min. 26.09.2022
Obras públicas

A história inacabada de um aeroporto!

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Assim se passaram 55 anos, sem uma solução. O Governo, depois de consultas com o PSD, deixou agora três possibilidades em estudo.

Serão poucos os portugueses que não desatam numa incontrolável risada, quando ouvem falar do novo aeroporto de Lisboa. Pior: serão ainda menos os portugueses que acreditam naquilo que lhes dizem.

Em finais dos anos 60, princípio dos 70 do SEC XX, apareceram algumas notícias e sobretudo muitos rumores, dizendo que o futuro aeroporto de Lisboa se situaria algures, entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha. As notícias mais esmiuçadas até iam ao pormenor de dizer que as instalações da Marinha existentes nesta última localidade poderiam ser sacrificadas, para melhor acolher o futuro aeroporto.

Assim se passaram 55 anos, sem uma solução.

O resultado de tudo isto foi uma corrida pela compra de terrenos na margem esquerda do Tejo, de gente da aeronáutica civil, ou da TAP, para lá construírem moradias, bem perto do seu futuro local de trabalho. Eu conheço alguns que chegaram a concretizar o negócio.

Antes do 25 de Abril, já a hipótese tinha borregado e quem comprou os terrenos sentiu-se coagido a vendê-los, por metade do preço.

Na década seguinte, o assunto pareceu estar morto. Nem a imprensa, nem a opinião pública falavam de tal coisa, até que começaram a aparecer possibilidades com que os jornais e alguns especialistas especulavam. Alguns diziam que o alargamento da Portela era suficiente, outros falavam numa infra-estrutura construída de raiz em Alverca, hipótese que depois renasceu uns quilómetros mais a norte, na Ota. A seguir foram Sintra, Monte Real, Beja, Alcochete, Montijo.

Algumas destas possibilidades foram a seu tempo "assassinadas" e, mais tarde, tiveram a sua ressurreição, como são os casos recentes de Alcochete e Montijo. E a estas duas hipóteses, juntou-se, nas últimas semanas, Santarém.

Com toda a certeza, todas estas possibilidades terão virtudes e defeitos. Por isso, os defeitos de cada uma têm sido usados nos momentos oportunos, para as derrotar, e insuflar outras que melhor sirvam interesses nem sempre confessáveis.

Assim se passaram 55 anos, sem uma solução. O Governo, depois de consultas com o PSD, deixou agora três possibilidades em estudo, Montijo, Alcochete e a novidade Santarém. Luís Montenegro diz que, antes de qualquer avanço, deve fazer-se um estudo de impacte ambiental, para qualquer uma destas localizações. Percebo-o perfeitamente. Com essa medida cautelar, evitam-se as perplexidades das associações ambientalistas que aparecem sempre nos momentos mais inoportunos e quando já foram gastos milhões de euros nas fases preliminares de projecto.

Razão tinha o saudoso Raúl Solnado, quando dizia que "um aeroporto na baixa dava imenso jeito"!

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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