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A greve de fome mediática que está a causar indigestão ao Governo português

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A greve de fome mediática que está a causar indigestão ao Governo português

A greve de fome mediática que está a causar indigestão ao Governo português

A greve de fome mediática que está a causar indigestão ao Governo português


por Paula SANTOS FERREIRA/ 03.12.2020

Diana Tinoco / Contacto

Nove empresários de restaurantes e discotecas estão já há sete dias a água e chá em frente à Assembleia da República, em Lisboa, exigindo apoios para quem está a passar fome em Portugal. Ao seu lado têm mais de 75 mil pessoas. E só arredam pé quando forem ouvidos por António Costa ou Siza Vieira.

Fraqueza, tonturas, muitas lágrimas e muita fome. Mas com força para continuar. Este é o estado já muito debilitado dos nove empresários da restauração e da noite em Portugal que há sete dias estão em greve de fome, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, em protesto contra a falta de apoios não só no seu setor, mas aos portugueses em geral, que “estão a perder tudo e a passar fome” nesta pandemia.

“Vamos ficar aqui até sermos ouvidos pelo governo, mas já não está nada fácil, o corpo começa a ceder. Mas estamos decididos a continuar. Já não estamos aqui só pelo nosso setor. Estamos por todos os portugueses que estão a ficar na miséria e sem as ajudas necessárias”, vinca Carlos Saraiva, dono de vários restaurantes no país, e que desde há sete dias vive numa tenda com os outros restantes oito colegas, entre eles Rafaela Santos, a única mulher, com vista para as escadarias de São Bento. Apesar de terem criado o movimento 'Sobreviver a Pão e Água', pão é alimento que não tocam desde que sexta-feira, dia 27 de novembro, iniciaram a greve de fome. O movimento tem uma petição pública a decorrer, desde 16 de novembro que conta esta quinta-feira com mais de 73 mil assinaturas. Querem ser ouvidos pelo primeiro-ministro ou ministro da Economia.


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Água, chá e café. São os únicos aconchegos que os alimentam, além de umas vitaminas à base de electrólitos, um composto de glucose e aminoácidos. A força de vontade, o conforto do grupo, das visitas da família, amigos e o apoio e generosidade da população tem sido os que os mantém de pé. Mas ao sexto-dia as tonturas da fraqueza, a fome e as emoções intensas da situação já invadiam os corpos nada franzinos e bem constituídos destes grevistas.

O grupo diz que vai assim continuar "até serem ouvidos" ou "até caírem para o lado". Um dos elementos já "caiu" mas regressou "com mais força".  


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Chef Ljubomir Stanisic. O chef 'terrível' também chora
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Diana Tinoco / Contacto

Ljubomir Stanisic, o chef de cozinha que é o mais famoso, alto e encorpado do grupo, não resistiu à fome e comoção, sentiu-se mal, e teve de ser hospitalizado ontem à noite. Tinha entrado "num estado avançado de hipoglicémia". Depois de duas horas no hospital de Santa Maria, e contra a vontade dos médicos, assinou um termo de responsabilidade e voltou para junto do grupo.

“Foi um susto, mas já passou. O Ljubomir sentiu-se mal, começou a tremer e a pele a ficar branca e chamámos o INEM”, contou José Gouveia, o porta-voz do grupo, e uma das figuras mais conhecidas da noite de Lisboa,  na manhã desta quinta-feira. “Alguns de nós, como eu, continuamos com os níveis de glicose no sangue muito baixos. Mas hoje, com o Ljubomir de volta, acordámos todos mais fortes. Vamos continuar aqui”, garantiu ao este empresário da noite que esteve à frente de discotecas famosas da capital como o Plateau, Docks ou Indochina. Agora é também presidente da Associação das Discotecas de Lisboa. “Até agora não há respostas. Não temos reunião marcada com ninguém. Mas acredito que em breve se vai resolver”, estima este empresário que é também presidente da Associação de Discotecas de Lisboa. 

“Este é o pior dia” de todos nesta greve de fome, já tinha confessado Ljubomir Stanisic ao Contacto quarta-feira de manhã, sentado na sua cadeira na roda do grupo e com a biografia de Nelson Mandela na mão. O livro que um popular lhe foi oferecer ali e que tem estado a ler. “Uma inspiração a história deste lutador da liberdade”, confessava já de lágrima fácil este homem gigante cujo “mau feitio” deixou escapar a língua que tantas vezes soltou durante o seu programa “Pesadelo na Cozinha” na TVI.


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Para Ljubomir, nascido em Sarajevo, na antiga Jugoslávia, e que em adolescente teve de combater na guerra das balcãs, este protesto não é uma guerra. Eles estão em missão de paz e de diálogo. “Só queremos ser recebidos para dialogar e encontrarmos juntos soluções. Respeito muito o nosso primeiro-ministro e não queria estar na pele dele, com esta pandemia para gerir. Conheço-o do meu restaurante, sentei-me à mesa com ele e respeito-o, até votei nele. Mas há que dar mais apoios aos portugueses, o desemprego já é gigante”, vinca este chef, dono de um dos mais conceituados restaurantes de Lisboa, o ‘100 Maneiras’, poiso predileto de políticos, atores e tantas outras figuras públicas do país.

As visitas diárias e prolongadas da sua mulher e, mais breves, dos seus dois filhos, têm ajudado muito a ultrapassar a fraqueza e a fome. “Os meus filhos visitam-me todos os dias, o Mateus, o mais velho de 14 anos, esteve comigo a montar as tendas e vem cá hoje apresentar a namoradita ao pai. Aqui na tenda”, contou Ljubomir de lágrima no olho. “É pelos meus filhos, pelas gerações futuras que estamos aqui. O país tem de sobreviver a esta pandemia, temos de viver com ela, e as pessoas têm de continuar a trabalhar, a ter empregos e apoios para dar a volta”.

"Eu, no meu caso, nem estou a pedir dinheiro, só quero que nos deixem trabalhar, estão a matar a economia do país. Eu tinha 86 empregados em maio, atualmente tenho 42, tenho os pagamentos ao estado em dia, não tenho é clientes, porque não temos horário para trabalhar, só sirvo jantares e não é das 8h00 às 10h00 que conseguimos sobreviver”, conta. “Está provado que os restaurantes respeitam as medidas de segurança, temos todos os cuidados por isso temos de conseguir trabalhar”.

Como este chefe, alguns dos empresários do grupo, que se tornaram os mais famosos vizinhos de São Bento e cuja sua luta já tem ecos na imprensa internacional, são proprietários de sucesso, donos de vários restaurantes, bares ou discotecas. Assumem que já estão em dificuldades, mas não ainda na situação de desespero de “milhares de portugueses caídos no desemprego, com dívidas e sem teto ou com que alimentar a família”, como frisou Carlos Saraiva, dono de sete restaurantes no país.


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“Eu, no meu caso, estou no limite. Tenho 70 empregados, estão todos a trabalhar com ordenados em dia, mas não sei quanto mais tempo vou aguentar. E há muita gente com muito mais dificuldade e é por eles que estamos aqui. Em representação do povo que está a passar fome”, disse com voz embargada e olhos lacrimejantes. O mesmo se passa com Ricardo Tavares, dono de restaurantes e bares no Bairro Alto, ou Alberto Cabral, empresário de estabelecimentos de diversão noturna, que desde março tem as casas fechadas. Junto com este empresário do norte está o filho Emanuel Cabral, DJ que também se juntou à causa. Ele e Christopher José, um luso-descendente que cresceu em França, mas voltou para o país natal para abrir um bar em Tomar, são os mais novos do grupo. 


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Relatos de desespero e muita generosidade dos populares
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Durante o dia, é um corrupio de gente que vai visitar estes grevistas. Eles mal conseguem estar sozinhos com a afluência dos populares. Nessa manhã, além de um empresário do Algarve que por lá passou para dar força - "Estamos juntos" -, um motard entregou uma mensagem manuscrita a Ljubomir e um senhor de idade foi dar-lhes um pequeno livro religioso e lembrar que "Deus está com vocês". "E eu que já me zanguei tantas vezes com Deus", recordou o chef de cozinha a este "mensageiro".

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Numa das estacas que sustentam a tenda está um desenho colorido que uma menina lhes foi entregar. Veio acompanhada pela mãe, que tinha sido obrigada a fechar dois bares no Bairro Alto e estava em dificuldades.

“Uma senhora veio cá para contar que ela, da restauração, e o marido ficaram sem empregos, e sem casa. Estão com os filhos pequenos a dormir numa roulotte, com os bancos atrás deles e sem saber o que fazer”, recorda Rafaela Santos, a única presença feminina do grupo e dona de um restaurante novo em Marco de Canaveses, que teve de fechar por não ter apoios. “Como eu estão milhares de portugueses. Estamos em dezembro e isto dura desde março”. Para esta empresária, de 28 anos, “o estado tem de olhar para estes casos e os casos dos jovens que investiram nos seus negócios e carreiras. Se nada for feito, os jovens, os melhores profissionais do país vão emigrar, porque lá fora há meios para sobreviver e se lançarem”.

“Veio cá um jovem desempregado da restauração e com um subsídio de 600 euros que nos queria dar metade do subsídio para ajudar-nos a manter-nos aqui, para lutarmos por todos eles. Nem imagina a quantidade de pessoas que aqui vêm contar-nos como estão sem nada.  O governo tem de os ajudar, dar apoios, se não Portugal vai tornar-se um país cheio de miséria”, declarou, por seu turno, João Sotto Mayor, empresário algarvio da restauração, que ainda está a pagar tudo aos seus poucos empregados, mas não será por muito mais tempo.

“Só ontem recebemos mais de 2 mil mensagens de apoio e as pessoas não param de chegar aqui”, contou Ricardo Tavares dono de vários bares no Bairro Alto, fechados há meses.  Ao seu lado Alberto Cabral, empresário da noite do norte, também com vários espaços de diversão noturna adiantou que “se for preciso passamos aqui o Natal": Temos de ser ouvidos, há que encontrar soluções”.


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A tenda "Big Brother com emoções "ao rubro"
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A generosidade das pessoas comove diariamente os grevistas e dá-lhes alento para continuar. 

Todos os dias há um senhor que lhes traz os jornais, logo de manhã. Outro que pelas 8h00 nos traz dois termos com café feito em casa, torrando ele próprio o café, contam. “Os moradores aqui da rua vieram oferecer-nos guarida, que podíamos dormir em suas casas, já recebemos várias coleções de mantas, águas e chás sem fim. Tudo o que temos aqui foi oferecido”, conta João Sotto Mayor. As quatro tendas para os manifestantes dormirem, os aquecedores, as duas tendas maiores sob as quais passam o dia, as cadeiras. Todos eles falam desta generosidade que lhes “alimenta a alma”.

Os banhos diários são tomados num dos vizinhos que colocou logo à disposição a casa de banho e o que fosse preciso.

O grupo tem vigilância médica diária, médicos voluntários que ali vão medir-lhes a tensão arterial, fazer análises. E são testados diariamente à vírus da pandemia. Na manhã em que o Contacto os visitou foi o próprio Ljubomir Stanisic que se encarregou de realizar a cada um, o teste de rastreio rápido à infeção pelo coronavírus. Uma picadela no dedo, uma gota de sangue para uma tira medidora mini e cerca de 20 minutos a aguardar o resultado.

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“Já passaram por aqui vários psicólogos, técnicas de reiki, de yoga a oferecer os seus serviços e tivemos várias bandas e músicos, como a Barbara Bandeira, o Tigerman, os D.A.M.A, a virem cá tocar para nós, aqui na tenda. Os Calema também vêm cá”, conta Rafaela Santos. A par com os familiares, amigos e colegas do setor, o grupo também tem recebido visitas de figuras públicas conhecidas, para lhe dar apoio.

 “Temos tudo. Mas está cada vez mais difícil de aguentar”, diziam os elementos do grupo confessando a fraqueza que sentiam.

“Estamos aqui a viver como um Big Brother. Nove pessoas que não se conheciam ou mal se conheciam, sem afinidades juntas na rua, 24 horas sobre 24 horas. A pressão psicológica já é muita e vamos tendo de gerir emoções e as personalidades, mas estamos a conseguir”, salienta Carlos Tavares que há uns anos esteve para abrir um restaurante no Luxemburgo, juntamente com um ex-jogador português que está no Grão-Ducado. “Acabámos por não ir em frente, mas quero mandar um beijinho a todos no Luxemburgo”, disse a sorrir.

Também vários deputados e dirigentes políticos do CDS, Iniciativa Liberal, PSD, PAN e Bloco de Esquerda já se deslocaram à tenda, tendo pedido ao Governo que os receba. Contudo, o grupo frisa que “este é um movimento apartidário, somos pelo povo”. 

Há ainda a comunicação social que está sempre a chegar à tenda, com diretos e reportagens diárias. Esta greve de fome está a ser noticiada no estrangeiro, com reportagens no Globo, no Brasil e na TVE, em Espanha. Quarta-feira de manhã também uma equipa de reportagem de uma agência noticiosa internacional aguardava para falar com os grevistas mais mediáticos do momento.


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A sonhar com croquetes, canja e pão
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E como é que um chef de cozinha, apaixonado por gastronomia e que vive na cozinha dos seus restaurantes a preparar iguarias para os clientes consegue estar sem comer? “É cada vez mais difícil, a fome é muita”, assumiu Ljubomir contando que uma das noites “acordou em pânico”, pois tinha sonhado que as pequenas pedras brancas da calçada portuguesa, do passeio onde estão acampados, “eram croquetes fritos e quentinhos, e eu a pisá-los com muito cuidado e só apanhava os que tinham mostarda por cima”.

Também João Sotto Mayor alinhava nessa iguaria.  “O que eu não dava agora por um croquete de alheira, é algo pequenino e tão bom”, dizia a sorrir colocando a mão no estômago. “E o cheiro do pão fresquinho que nos chega logo de manhã das carrinhas de pão que passam aqui. Tão bom!”, suspirava Rafaela Santos.

“A mim apetece-me canja, estou há dois dias a sonhar com canja, nem sei porquê”, disse por sua vez, José Gouveia. Contudo, garantem que as tentações não os vão abalar. “Vamos manter-nos firmes”.


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Reivindicações e os "desmentidos" do Governo
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O “Movimento Sobreviver a Pão e Água” ao qual pertence o grupo em greve de fome já realizou nove manifestações no país. Pediu uma audiência ao Presidente da República, mas acabaram por ser recebidos pelos assessores de Marcelo Rebelo de Sousa. Começaram então a greve de fome até serem ouvidos ou pelo primeiro-ministro António Costa ou pelo Ministro da Economia, Siza Vieira, o que ainda não aconteceu.

Uma greve “como forma de protesto e em solidariedade por todos aqueles que, neste momento, não têm já o que comer”, escreveram em comunicado nesse dia.

“Pelos mais de 49 mil empregos perdidos no setor da restauração e hotelaria durante o terceiro trimestre de 2020. Por todos os que perderão o emprego, o sustento, a comida na mesa se as ajudas não chegarem já”, reiteraram no documento.

Neste setor, o movimento argumenta que o Programa Apoiar, com fundos para os empresários e as medidas do Governo “não são suficientes” e não são justas.

“Ninguém estava pronto para esta situação, mas as medidas apresentadas não chegam à maioria das pessoas. Muitos proprietários não têm acesso ao Programa Apoiar. Quem não tem balancete de 2020 não tem acesso, quem tem dívidas, também não, só que estas dívidas foram contraídas por causa da pandemia e durante esta crise. Primeiro, o governo devia avançar com os fundos aos empresários em dificuldade e depois os empresários pagavam”, frisou João Sotto Mayor.


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António Costa e o ministro da Economia, Siza Vieira, já responderam ao Movimento que tem tido enorme mediatismo, dizendo “ser falso” que se tenham recusado a recebê-los.

“O secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor (SECSDC) e a secretária de Estado do Turismo já reuniram com a Associação Nacional de Discotecas, "representada por José Gouveia e Alberto Cabral", duas das pessoas "que se encontram em protesto em frente à Assembleia da República". As reuniões com a secretaria de Estado do Comércio aconteceram em junho e em novembro, além de dia 1 de dezembro, e foi “reiterada a disponibilidade” para reunir esta quinta-feira, avança o gabinete de Siza Viera numa nota enviada à Lusa.

Já na quarta-feira António Costa declarou que o Governo não tem intenção de receber estes grevistas. "O Governo tem de reunir-se com as associações representativas, porque se cada pessoa que neste momento está a sofrer - e são muitas - resolver fazer um protesto e dizer que quer falar com o primeiro-ministro ou com o Presidente da República, obviamente isso não é possível", disse o primeiro-ministro, citado pela SIC.

Do lado dos grevistas, o seu porta-voz, José Gouveia reafirma que as reuniões tidas com aquela secretaria de Estado foram realizadas no contexto da Associação Nacional das Discotecas e não pelo Movimento. Por isso, “não faz sentido reunir de novo” com a secretaria de estado, disse. “Continuamos assim com uma ausência de respostas e por isso vamos continuar a nossa greve, até sermos recebidos, e hoje estamos mais fortes”, garantiu José Gouveia, nesta quinta-feira.


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O gabinete do ministro Siza vieira refuta ainda que os setores da restauração e a animação noturna “não tenham apoios a fundo perdido".

"Já foram disponibilizados 1.103 milhões de euros em apoios às empresas de restauração, dos quais 523 milhões de euros a fundo perdido. Só no âmbito do programa apoiar.pt estão disponíveis 200 milhões de euros a fundo perdido para este setor", reitera o Governo lembrando que há medidas específicas exclusivas para os restaurantes, para a "compensação das perdas de faturação", ocorridas nos fins de semana com limitações aos horários de funcionamento, no "valor total de 25 milhões de euros".

Também as discotecas fechadas desde março, "beneficiam de uma isenção total de TSU no quadro do regime de lay-off simplificado" e que têm uma "majoração de 50%" no acesso aos apoios do apoiar.pt. E ainda "beneficiam de uma moratória" nas rendas até ao final do ano. Na nota, o Governo expressa preocupação pela greve de fome dos manifestantes.

Para o grupo em greve de fome há "muitos portugueses que estão de fora destas medidas" e que têm também de ser apoiados. O braço de ferro vai assim continuar.

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