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A grelha de partida
Opinião Portugal 2 min. 09.01.2022
Eleições legislativas

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Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 09.01.2022
Eleições legislativas

A grelha de partida

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
As sondagens que, entretanto, se vão publicando não ajudam nada. Os resultados só servem para aumentar a confusão.

O ano que agora chegou vai começar com eleições legislativas que, de acordo com os indicadores disponíveis, serão pouco clarificadoras. Se alguém esperava uma maioria absoluta monopartidária ainda está a tempo de tirar o cavalinho da chuva.

As sondagens que, entretanto, se vão publicando não ajudam nada. Os resultados só servem para aumentar a confusão. É certo que a época festiva levanta muita poeira e é preciso esperar que ela assente, para que as coisas comecem a ganhar alguma definição.

Essas medições das intenções de voto dizem, por exemplo, que no último mês, o Chega perdeu três pontos percentuais, em relação a Novembro. Isto significa 30 por cento. É muito para ser verdade. Na minha opinião, não perdeu tanta coisa, porque nunca teve uma quota de 10 por cento, como as sondagens lhe atribuíam.

Outro exemplo. Dizem as mesmas sondagens que o CDS subiu um ponto percentual e, por isso, valerá agora dois por cento. Quererá isto dizer que o partido cresceu 100 por cento, ou dito de outra forma, que duplicou as intenções de votos. O que se tem visto é exactamente o contrário, o CDS a definhar, havendo quem desconfie que consiga manter uma representação parlamentar.

"(…) a vantagem do PS em relação ao PSD mantém-se em valores ainda apreciáveis, entre os cinco e os sete pontos."

Mais escandaloso é o crescimento do Iniciativa Liberal. Há um mês valeria apenas dois por cento, hoje vale quatro. Isto é, também duplicou a sua putativa votação.

Verdade é que as empresas de sondagens e estudos de opinião também passam por grandes dificuldades, para não dizer crises sem solução. A maioria delas opera essencialmente com inquéritos feitos telefonicamente, para residências com telefone fixo, um instrumento tornado paleolítico e substituído pelo telefone pessoal, vulgo telemóvel. Com este método, a amostra nacional com que algumas empresas ainda trabalham fica inexoravelmente viciada. Daí que as sondagens, apesar de indispensáveis ao trabalho dos partidos e dos jornais, sejam cada vez mais falíveis.

Há duas notas a reter. Primeira: a vantagem do PS em relação ao PSD mantém-se em valores ainda apreciáveis, entre os cinco e os sete pontos percentuais. Acima, portanto, do intervalo de confiança. Há duas semanas, no entanto, algumas sondagens estreitavam esta diferença para valores que colocavam os dois partidos em situação de empate técnico.

A segunda nota dá-nos conta de que a esquerda, toda somada, ainda é maioritária. Também aqui a diferença diminuiu e está agora com valores menos expressivos que podem ficar ainda mais curtos se o PAN alinhar à direita.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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