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A direita por linhas tortas
Opinião Portugal 2 min. 31.05.2021

A direita por linhas tortas

A direita por linhas tortas

Foto: Lusa
Opinião Portugal 2 min. 31.05.2021

A direita por linhas tortas

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
Passos Coelho foi a grande vedeta da convenção, mesmo quando outros pronunciavam estridentes discursos que ele ia ouvindo, com sacrossanta paciência.

Pedro Passos Coelho mostrou-se, assistindo a todos os discursos, ao longo de dois dias. Limitou-se a fazer algumas declarações de circunstância aos jornalistas. Negou que a sua presença fosse um primeiro passo para um regresso à política e reforçou, dizendo que não será candidato à liderança do PSD que tem eleições directas marcadas, para Janeiro de 2022. E esta declaração já foi repetida, depois da famigerada convenção das direitas.

Apesar da sua aparente discrição, Passos Coelho foi a grande vedeta da convenção, mesmo quando outros pronunciavam estridentes discursos que ele ia ouvindo, com sacrossanta paciência. Depois de tudo o que aconteceu, ficaram algumas certezas. A mais evidente é que Pedro Passos Coelho é o líder que toda a direita deseja, quer ele queira ou não regressar à política

(…) a direita está refém do PSD e todos, sem excepção, se querem aliar a este partido, numa futura coligação.

Outra certeza: a direita está refém do PSD e todos, sem excepção, se querem aliar a este partido, numa futura coligação de governo que substitua o PS de António Costa. Sem o PSD, a direita não gera qualquer alternativa de poder, agora e num futuro próximo.

Se Rui Rio esteve com atenção a tudo quanto ali foi dito, percebeu que lhe imputaram duas responsabilidades: o PSD tem de liderar a oposição e de organizar a direita, preparando-a para ser alternativa ao PS e a António Costa.

Por tudo isto, não se percebe o histriónico discurso de André Ventura que há muito anda a dizer que o PSD só voltará a ser governo se conseguir um acordo com o Chega. E as premissas desse acordo serão aquilo que o Chega quiser. Isto é verborreia pura.

Ventura e o Chega estão desejosos de entrar num futuro Governo e podem até impor algumas condições ao PSD, para uma eventual coligação. Mas o PSD será sempre o partido líder da direita e, por isso mesmo, com condições para impor aos partidos mais pequenos. A história está cheia de exemplos de coligações, onde os partidos mais pequenos impuseram condições ao partido maior à custa de muita chantagem e bullying político. Mas houve circunstâncias que favoreceram os mais pequenos. Em condições normais, será o partido mais votado a estabelecer as condições decisivas, para uma coligação.

Esta convenção fez prova suficiente de que a direita precisa de lideranças mais eficazes e de massa crítica que produza novos ideários.

(Este autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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