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24 de Março sempre!
Opinião Portugal 3 min. 03.05.2022
Revolução dos Cravos

24 de Março sempre!

Uma jovem segura um cravo nas comemorações dos 48 anos da Revolução dos Cravos, em Lisboa, a 25 de abril de 2022.
Revolução dos Cravos

24 de Março sempre!

Uma jovem segura um cravo nas comemorações dos 48 anos da Revolução dos Cravos, em Lisboa, a 25 de abril de 2022.
Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Opinião Portugal 3 min. 03.05.2022
Revolução dos Cravos

24 de Março sempre!

Hugo GUEDES PINTO
Hugo GUEDES PINTO
No dia 24 de Março de 2022, atingimos a marca de 17.500 dias desde o 25 de Abril.

Este é um texto sobre Portugal e o Futuro, que é precisamente o título de um livro importante. Mas primeiro é preciso falar do passado: no livro, o general António de Spínola declarava abertamente que a guerra colonial que o país travava há 13 anos não tinha solução militar, e que era necessário discutir urgentemente a solução política (ou seja, a independência das "colónias"). "Portugal e o Futuro" era um manifesto de oposição a um regime de pensamento único, um desafio directo a Marcello Caetano e os seus esbirros.

No dia 24 de Março de 2022, atingimos a marca de 17.500 dias desde o 25 de Abril - podemos finalmente dizer que vivemos mais tempo em democracia do que em ditadura.

A História do país acelerou repentinamente: livro publicado a 26 de Fevereiro de 1974; a 14 de Março, Spínola e Costa Gomes são demitidos das Forças Armadas; na madrugada seguinte acontece a Intentona das Caldas, a primeira tentativa de revolução; a 25 de Abril os capitães do MFA derrubam o Estado Novo e escolhem uma Junta de Salvação Nacional para preparar a transição do país para um regime democrático. Poucas horas mais tarde Spínola é anunciado como chefe dessa Junta e logo em seguida, a 15 de Maio, toma posse como Presidente da República.

Os portugueses passaram quase meio século, 48 anos, sem liberdade - e essa esteve longe de ser a única privação: educação, saúde, comida, progresso, roupa, ferramentas de trabalho ou consciência cívica e política eram bens muito escassos entre a população em geral. Foram exactamente 17.499 dias de ditadura que condenaram duas gerações a um atraso endémico e estrutural, que demoraria sempre muito tempo a recuperar.

É chegado o momento de nos declararmos livres desse legado. No dia 24 de Março de 2022, atingimos a marca de 17.500 dias desde o 25 de Abril - podemos finalmente dizer que vivemos mais tempo em democracia do que em ditadura. Este é o ponto de inflexão a partir do qual todo o veneno está expurgado do sistema - vamos deixar de olhar para trás! E vamos também deixar de justificar os nossos problemas actuais com os erros estúpidos e as brutalidades retrógradas cometidas pelo Estado Novo; temos em frente uma espécie de folha em branco.

O objectivo é a evolução constante, pois um cérebro parado é um cérebro desperdiçado.

É mesmo necessário iniciar essa discussão, mesmo que quase ninguém pareça interessado em tê-la: que sociedade queremos construir num país potencialmente maravilhoso? De que vamos viver, como vamos viver? Como assegurar que tantos portugueses/as deixem de ser obrigados a emigrar para procurar as oportunidades e o reconhecimento que lhes são negados dentro de portas? Como podem os portugueses contribuir para a resolução dos muitos problemas do planeta, em direcção a um mundo melhor? Como melhor navegar por entre os rochedos da guerra na Europa, a inflação que dispara, e agudas crises pandémica, energética, alimentar, climática? Não é certamente a aposta exclusiva no turismo, actividade altamente imprevisível e nociva para o ambiente, que nos vai salvar; muito menos devemos apenas aspirar a servir à mesa de alemães, ingleses e franceses.


Militares com veiculos blindados na Praça dos Restauradores, em Lisboa, durante a Revolução dos Cravos.
O que se passou a 25 de Abril de 1974? Recorde o filme dos acontecimentos
O Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o Governo de Marcelo Caetano pondo fim a 48 anos de regime ditatorial.

Agora é tempo de decidir sobre um novo modelo de desenvolvimento para o país, o Portugal do futuro. E há um caminho claramente melhor que os outros, em que temos vantagens competitivas e podemos saltar etapas: o da aposta numa sociedade do conhecimento, da especialização, da aposta em tecnologias de ponta e em indústrias "verdes", sustentáveis. Há um denominador comum a estas ideias - a aposta decidida nas PESSOAS, ajudando-as a investirem em si mesmas (melhor educação, ajudas a quem quer fazer mais formação profissional…). O objectivo é a evolução constante, pois um cérebro parado é um cérebro desperdiçado.

A 24 de Março de 2022, Portugal libertou-se das suas últimas amarras. Que seja o primeiro dia do resto da sua vida.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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