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Adeus a Jorge Sampaio. As palavras que estão a emocionar Portugal
Portugal 1 14.09.2021
1939-41

Adeus a Jorge Sampaio. As palavras que estão a emocionar Portugal

1939-41

Adeus a Jorge Sampaio. As palavras que estão a emocionar Portugal

Foto: Reprodução TVI
Portugal 1 14.09.2021
1939-41

Adeus a Jorge Sampaio. As palavras que estão a emocionar Portugal

Redação
Redação
Atriz Maria do Céu Guerra protaganizou um dos momentos altos nas cerimónias fúnebres de Jorge Sampaio, ao declamar o poema "Uma pequenina luz", de Jorge de Sena.

Foi um dos momentos mais emocionantes do funeral da antigo Presidente da República portuguesa Jorge Sampaio, no domingo passado. A atriz Maria do Céu Guerra declamou o poema "Uma pequenina luz", de Jorge de Sena e protagonizou um dos pontos mais altos das cerimónias fúnebres com honras de Estado que se realizaram nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos. 

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"Uma Pequenina Luz"

Uma pequenina luz bruxuleante

não na distância brilhando no extremo da estrada

aqui no meio de nós e a multidão em volta

une toute petite lumière

just a little light

una picolla… em todas as línguas do mundo

uma pequena luz bruxuleante

brilhando incerta mas brilhando

aqui no meio de nós

entre o bafo quente da multidão

a ventania dos cerros e a brisa dos mares

e o sopro azedo dos que a não vêem

só a adivinham e raivosamente assopram.

Uma pequena luz

que vacila exacta

que bruxuleia firme

que não ilumina apenas brilha.

Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.

Muda como a exactidão como a firmeza

como a justiça.

Brilhando indeflectível.

Silenciosa não crepita

não consome não custa dinheiro.

Não é ela que custa dinheiro.

Não aquece também os que de frio se juntam.

Não ilumina também os rostos que se curvam.

Apenas brilha bruxuleia ondeia

indefectível próxima dourada.

Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.

Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.

Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.

Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.

Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:

brilha.

Uma pequenina luz bruxuleante e muda

como a exactidão como a firmeza

como a justiça.

Apenas como elas.

Mas brilha.

Não na distância. Aqui

no meio de nós.

Brilha

Jorge Sampaio, Presidente da República entre 1996 e 2006, morreu a 10 de setembro, aos 81 anos. O antigo Secretário-Geral do PS estava internado desde 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Oeiras, na sequência de dificuldades respiratórias.

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