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Sampaio. Marcelo destaca "a corajosa serenidade de um grande senhor da democracia"
Portugal 3 min. 10.09.2021
1939-2021

Sampaio. Marcelo destaca "a corajosa serenidade de um grande senhor da democracia"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, faz uma declaração sobre a morte do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio (não aparece na fotografia), no Palácio de Belém, em Lisboa, 10 de setembro de 2021. O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, morreu hoje aos 81 anos.
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Sampaio. Marcelo destaca "a corajosa serenidade de um grande senhor da democracia"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, faz uma declaração sobre a morte do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio (não aparece na fotografia), no Palácio de Belém, em Lisboa, 10 de setembro de 2021. O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, morreu hoje aos 81 anos.
Foto: LUSA
Portugal 3 min. 10.09.2021
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Sampaio. Marcelo destaca "a corajosa serenidade de um grande senhor da democracia"

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Para o atual Presidente da República, Marcelo Rebelo da Sousa, o ex-chefe de Estado "provou que se pode nascer privilegiado e converter a vida na batalha pelos não-privilegiados".

"Um homem bom" com um percurso pautado pelas convicções e pela "serenidade". Foi desta forma que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou esta manhã o legado do antigo chefe de Estado, Jorge Sampaio, que morreu hoje, aos 81 anos.

"Lutando, mas serenamente, nos deixou hoje o Presidente Jorge Sampaio. Lutando serenamente, como sereno foi o seu testemunho de vida ao serviço da liberdade e da igualdade. Sereno na sua luminosa inteligência. Sereno na sua profunda sensibilidade. Sereno na sua paciente mas porfiada coragem. Jorge Sampaio nasceu e formou-se para ser um lutador e a causa da sua luta foi uma: a liberdade na igualdade", começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa, numa declaração que durou cerca de cinco minutos e sem direito a perguntas dos jornalistas.

O atual Presidente da República lembrou a participação de Jorge Sampaio nas lutas estudantis, nos anos 1960, na defesa, em tribunais plenários, dos presos políticos durante a ditadura, destacando, já no período da democracia, a sua capacidade na "construção de pontes, década após década, entre formações diversas, no seu hemisfério político e para além dele", onde se incluiu "a primeira e mais vasta coligação pré-eleitoral de esquerda" da história democrática do país, assim como no seu percurso ascendente no Partido Socialista e a eleição para a Câmara Municipal de Lisboa, em 1989, liderando uma coligação inédita entre PS e PCP, que derrotou o então candidato de centro-direita, Marcelo Rebelo de Sousa. 


Sampaio. O Presidente que acabou com um governo ao fim de quatro meses
Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República duas vezes, no seu segundo mandato presidencial, a primeira na sequência da demissão de António Guterres e a segunda após quatro conturbados meses de governação de Santana Lopes.

O atual Presidente da República elogiou a preocupação que Jorge Sampaio teve ao longo da sua carreira política com os mais desfavorecidos e excluídos e sublinhou as iniciativas e as pontes que criou, entre Portugal e o exterior, em diferentes áreas, no exercício das suas funções enquanto Presidente da República.

"Ninguém esquecerá momentos únicos dessa entrega. As intervenções decisivas desse furacão ruivo na Alameda da Universidade de Lisboa, em 1962, a madrugada da libertação dos detidos em Caxias, após o 25 de Abril, a conversa com Álvaro Cunhal antes da segunda volta da eleição de Mário Soares, em 1986, a travessia em noites de vendaval dos bairros de lata da capital que, com o governo de então, conseguiu extinguir, os meses sem dormir passados nesta casa, em Belém, por causa de Timor-Leste, a oposição à intervenção no Iraque, a dedicação à sua pública global (...) e ao diálogo entre religiões, culturas e civilizações", elencou. 

Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda "o exemplar acolhimento dos refugiados sírios" e "as lágrimas genuínas do homem bom, porque era um homem bom, na partilha da alegria, tal como da dor alheias".


O antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, participa na sessão evocativa dos 30 anos do Moderno Planeamento Estratégico de Lisboa que foi introduzido durante o seu primeiro mandato na Câmara Municipal de Lisboa, no Cineteatro Capitólio, em Lisboa, 27 de janeiro de 2020. MÁRIO CRUZ/LUSA
Morreu Jorge Sampaio
O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu esta sexta-feira aos 81 anos, disse à agência Lusa fonte da família.

Para o atual Presidente da República, Jorge Sampaio "provou que se pode nascer privilegiado e converter a vida na batalha pelos não-privilegiados". 

Marcelo Rebelo de Sousa terminou o discurso como começou, enaltecendo a força na serenidade que caracterizava o  antigo chefe de Estado. "Sempre lutou, mas com serenidade (...) A corajosa serenidade de um grande senhor da nossa democracia, de um grande senhor da nossa pátria comum."

Antes da declaração, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou as condolências à família do ex-presidente.

 Jorge Sampaio estava internado desde dia 27 de agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, na sequência de dificuldades respiratórias.

O antigo Presidente da República encontrava-se no Algarve, mas após sentir dificuldades respiratórias, e "dado o seu historial de doente cardíaco", foi transferido para Lisboa, disse na altura fonte do seu gabinete.

Jorge Sampaio foi Presidente da República durante dois mandatos, entre 1996 e 2006.

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