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"Jorge Sampaio colocou Portugal no mapa pelas melhores razões"
Portugal 3 min. 12.09.2021
1939-2021

"Jorge Sampaio colocou Portugal no mapa pelas melhores razões"

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"Jorge Sampaio colocou Portugal no mapa pelas melhores razões"

Foto: EPA
Portugal 3 min. 12.09.2021
1939-2021

"Jorge Sampaio colocou Portugal no mapa pelas melhores razões"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Para Maria de Belém, ex-ministra da Saúde, o antigo Presidente da República foi um “vulto excecional na vida pública portuguesa”.

Jorge Sampaio foi um homem muito inteligente, culto, cosmopolita, humanista, sensível e sempre coerente. Estas são algumas das qualidades que a antiga Ministra da Saúde destaca e elogia no antigo Presidente da República que foi sábado a enterrar em Lisboa.

 “Eu e Jorge Sampaio sempre tivemos uma ótima relação, muito afável, muita educada e de grande respeito recíproco”, conta ao Contacto a jurista que foi também Ministra para a Igualdade.

Maria de Belém Roseira
Maria de Belém Roseira
Foto: Álvaro Cruz

 Para Maria de Belém, Jorge Sampaio foi um “vulto excecional na vida publica portuguesa”. Uma “figura ímpar da democracia”, diz a ex-governante enaltecendo a “coerência” com que Jorge Sampaio pautou toda a sua vida, e mesmo depois de deixar a vida política “continuou até ao fim a defender causas fundamentais”.

 “Desde os tempos de estudante que lutou por causas que muitas pessoas não consideravam relevante, mas quando aparece um vulto desta dimensão a defendê-las percebem que fazem toda a diferença”, salienta Maria de Belém que já se afastou da vida política continuando agora envolvida em diversos projetos de intervenção cívica.

Jorge Sampaio foi líder das lutas estudantis de 1962, movimento que abriu caminho para a democracia portuguesa. Maria de Belém entraria na mesma luta em 1969, como estudante universitária também de Direito. A responsável pelas pastas da Saúde e Igualdade dos governos de António Guterres não tem dúvidas que “estes movimentos acabaram por criar na sociedade portuguesa, asfixiada pela ditadura, o ambiente fácil de adesão ao 25 de Abril, foi muito catalisado pelas reivindicações dos estudantes universitários”.

Um homem transparente

 Em todos os cargos políticos e públicos que Jorge Sampaio desempenhou “toda a gente reconhecia a sua inteligência, cultura e o seu caráter sensível que ele próprio nunca escondeu. Muita gente considera que um homem não chora, ele chorava, e uma pessoa que se comove com os problemas, é uma pessoa que tem e cria empatia”, vinca Maria de Belém.

 Os dois trabalharam juntos “em muitos dossiers da área da saúde”, o pelouro da jurista no XIII Governo Constitucional de 1995 a 1999, e que o então Presidente da República “acompanhava de perto com muito interesse”. “Trabalhámos sempre no sentido da valorização da saúde”, sublinha.

Mesmo depois de sair da Presidência da República, Jorge Sampaio continuou a lutar por esta causa a nível internacional. Maria de Belém recorda que foi nomeado, em 2006, Enviado Especial do Secretário das Nações Unidas para a Luta contra a Tuberculose “uma doença que afeta sobretudo as pessoas pobres, tendo sempre lutado contra as desigualdades”.

Defensor de grandes causas

 “Jorge Sampaio era uma pessoa muito culta e com mundo e nós precisamos de gente culta e com mundo, e com vontade de servir as causas e o interesse público, e isto retrata o seu percurso até à morte", refere. A sua última preocupação, lembra a ex-governante, foi para com os afegãos em risco com o regresso dos talibãs ao Governo do Afeganistão, especialmente as jovens mulheres estudantes, para as quais as Plataforma Global para Estudantes Sírios que Jorge Sampaio presidia estava já a preparar um programa de emergência.

 Maria de Belém destaca ainda a “grande conquista em que enquanto Presidente da República esteve envolvido, a autodeterminação para o povo de Timor”.

 “Jorge Sampaio como tinha mundo e era cosmopolita colocou Portugal no mapa pelas melhores razões. Foi um batalhador da excelência de Portugal, e promoveu os direitos humanos, não como uma doutrina caritativa, mas de investimento nas pessoas para que exista o verdadeiro progresso social e político do país”, conclui.

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